Ação do dia: Bradesco cai 3,5% após estimar perdas de até R$ 8,9 bi

Provisão expandida do 2º trimestre tem aumento de 155% em função de riscos econômicos causados pela pandemia

As ações do Bradesco fecharam em queda de 3,5%, nesta quinta-feira, 30, após registrar queda do lucro líquido contábil de 42% para 3,506 bilhões de reais no balanço do segundo trimestre, divulgado antes da abertura do pregão.

O lucro líquido recorrente caiu 40,1% para 3,873 bilhões de reais, decepcionando parte dos investidores. Para o UBS, o resultado deixou a desejar, ficando cerca de 7% abaixo das estimativas de seus analistas.

A queda do lucro foi impulsionada principalmente pela provisão expandida que cresceu 155% na comparação anual para 8,89 bilhões de reais. Em relação ao primeiro trimestre, a provisão expandida teve alta de 32,5%.

Segundo o banco, o aumento foi necessário para “absorver os impactos de um agravamento do cenário econômico que pode resultar no aumento do nível de inadimplência, como reflexo da falência de empresas, aumento no índice de desemprego, bem como a degradação do valor das garantias”.

Embora projete uma recuperação econômica mais forte no segundo semestre, a administração do Bradesco ainda vê fatores de risco relevantes no cenário global, como o aumento do número de casos de Covid-19, tensões geopolíticas e uma possível segunda onda de contaminação.

Por outro lado, o resultado operacional da área de seguros se mostrou resiliente, crescendo 5,7% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A melhora foi reflexo da queda do índice de sinistralidade impactada pela diminuição da circulação de automóveis. O provisionamento para a área de seguros foi de 747 milhões de reais.

Em relatório, o UBS classificou a política de risco de crédito do Bradesco como “conservadora” e manteve a recomendação de compra do papel, ressaltando que espera a expansão da linha de crédito e a diminuição dos encargos de provisão no segundo semestre.

Analistas da Exame Research também identificaram fatores positivos no balanço, como a queda da inadimplência trimestral de 3,7% para 3% e a redução anual das despesas operacionais de 5,5%.

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