Mercado Imobiliário

Vitacon entra em nova fase, focada no investidor. O potencial? R$ 8 bilhões

Empresa muda sede para a Faria Lima, firma parcerias e projeta R$ 2,6 bilhões em valor geral de vendas apenas em 2026; entenda

Ariel Frankel, da Vitacon: 'momento de conexão com o ecossistema financeiro' (Vitacon/Divulgação)

Ariel Frankel, da Vitacon: 'momento de conexão com o ecossistema financeiro' (Vitacon/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 10h45.

A Vitacon assumiu, em janeiro, um novo posicionamento estratégico e se tornou uma fincorporadora,— termo criado pela própria empresa para definir a união entre ativos imobiliários e inteligência financeira voltada ao investidor. Segundo Ariel Frankel, CEO da companhia, o que sustenta o novo posicionamento é também o fato de que cerca de 75% dos apartamentos já eram comprados por investidores.

Na prática, a diferença fundamental entre uma fincorporadora e uma incorporadora tradicional está na forma como o imóvel é tratado: enquanto o modelo convencional foca no tijolo e na entrega física, a fincorporadora estrutura a propriedade como um ativo financeiro, com foco em previsibilidade, liquidez e rentabilidade.

No modelo tradicional, a relação com o cliente termina na entrega das chaves. A fincorporadora, por outro lado, acompanha o ativo no médio e longo prazo — desde a escolha do terreno até a gestão pós-entrega. O objetivo é garantir que o imóvel continue agregando valor ao investidor.

Essa visão é sustentada por uma base robusta de dados. Métricas de uso real, como frequência em coworkings e serviços logísticos, ajudam a guiar o desenho dos empreendimentos. "Fazemos também parcerias estratégicas com grandes empresas ou equipamentos locais para se preparar e se antecipar para futuros movimentos", explica Frankel.

As parcerias garantem “demanda embarcada” — projetos que já nascem com público garantido. “Não é uma aposta. É um produto estruturado com convicção, como qualquer ativo financeiro deve ser”, complementa.

Recentemente, a Vitacon fechou uma parceria com o Allianz Parque para desenvolver um empreendimento residencial voltado a investidores no entorno do estádio do Palmeiras, na zona oeste de São Paulo. O projeto quer aproveitar a movimentação intensa da arena em shows, jogos e eventos corporativos para garantir alta taxa de ocupação e retorno.

Outro exemplo recente foi a parceria inédita com a Afya Educação Médica, para ser a hospedagem oficial da instituição, que reúne mais de 20 mil alunos e 10 mil colaboradores em 25 unidades no país. Estudantes e profissionais terão condições especiais para se hospedar em empreendimentos da Vitacon no Jardim Paulista e da Housi em outras cidades, gerando ocupação recorrente e previsibilidade para os investidores.

A mudança de posicionamento é acompanhada também por uma guinada simbólica. A empresa deixou a rua Haddock Lobo, nos Jardins, e agora ocupa endereço na avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.

“A Faria Lima concentra decisões de capital. Estar aqui nos conecta ao ecossistema financeiro e reforça o nosso novo momento”, diz Frankel.

Foco no investidor, e nos compactos

Para 2026, a Vitacon projeta R$ 2,6 bilhões em valor geral de vendas (VGV), distribuídos em 10 empreendimentos — uma alta de cerca de 30% em relação à média de anos anteriores, de 6 a 7 lançamentos.

A companhia formou um landbank avaliado em R$ 8 bilhões em VGV, com terrenos localizados próximos a estações de transporte e nos bairros com maior liquidez da capital, como Jardins, Perdizes e Pinheiros.

Os projetos — descritos como exclusivos, grandes e próximos ao metrô — reforçam o conceito de “banco de tijolo”: ativos tangíveis organizados com lógica de portfólio, baseados em gestão ativa, análise de risco e transparência de dados.

A Vitacon seguirá investindo em estúdios e apartamentos de um dormitório, com algumas unidades de dois quartos. O público-alvo vai de jovens profissionais a expatriados e pessoas divorciadas, com foco em mobilidade e conveniência.

“O produto compacto tem uma pista enorme de crescimento. Não é preferência da empresa, é comportamento de mercado”, resume Frankel. A estratégia é manter os compactos como ativos de alta liquidez, mas elevar o padrão dos serviços.

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