Mercado Imobiliário

R$ 8 bilhões em jogo: resort de Ivanka Trump na Albânia enfrenta investigação

Terrenos vendidos a Kushner para o Sazan Island Resort entram na mira de autoridades e moradores locais

Ilha de Sazan:  porto e prédios de  apartamentos antigos (Wikimedia Commons/Reprodução)

Ilha de Sazan: porto e prédios de apartamentos antigos (Wikimedia Commons/Reprodução)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 11 de julho de 2026 às 15h38.

Jared Kushner, investidor americano e ex-assessor sênior da Casa Branca durante a gestão de Donald Trump, além de genro do ex-presidente, está envolvido em um projeto de resort de luxo na Albânia que agora enfrenta investigações criminais.

Kushner planeja, junto com sua esposa Ivanka Trump, desenvolver vilas, hotéis e marinas em áreas costeiras protegidas do país, num projeto batizado de Sazan Island Resort. Ele conta com forte apoio do primeiro-ministro albanês, Edi Rama, que defende que o projeto traria empregos e infraestrutura para a região, mas também tem sido alvo de protestos de ambientalistas e moradores locais.

A ilha desabitada de Sazan, de 5,7 quilômetros quadrados, está situada no mar Adriático, na costa de Vlora, uma cidade no sudoeste da Albânia. O local serviu como base militar durante a Segunda Guerra Mundial, mais tarde tornando-se parte da rede de defesa alinhada à União Soviética na década de 1950. A ilha permaneceu como um posto altamente fortificado mesmo após a ruptura da Albânia com a URSS.

O resort tem investimento inicial de 1,4 bilhão de euros (o equivalente a mais de R$ 8 bilhões) e está projetado para ocupar a ilha e fica próximo a uma zona que abriga flamingos, focas e ninhos de tartarugas marinhas.

Um novo capítulo para o resort

Agora, o empresário Artur Shehu, albanês radicado em Miami, é o pivô da nova polêmica. Segundo documentos analisados pela Reuters, Shehu vendeu grandes extensões de terra no litoral albanês à empresa apoiada por Kushner, destinadas ao resort. Em meados de 2026, promotores anticorrupção da Albânia, por meio da Estrutura Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (SPAK), iniciaram uma investigação criminal contra Shehu.

As autoridades afirmam que ele teria utilizado documentos falsificados para reivindicar a propriedade das terras e o acusam de suposto envolvimento com lavagem de dinheiro e narcotráfico. Como consequência, a justiça albanesa congelou fundos provenientes da venda e outros ativos ligados ao consórcio do projeto.

De acordo com os autos do processo, Shehu e seus associados estariam envolvidos na expansão de um império imobiliário usando fundos ilícitos e documentos fraudulentos para adquirir e transferir terras, dificultando o rastreamento dos ativos.

À Reuters, o advogado de Shehu, Kujtim Cakrani, nega todas as acusações. A agência não encontrou evidências de que Kushner, a Sazan Real Estate Development, a Albania Land Development ou outros investidores estivessem cientes das suspeitas sobre Shehu no momento da compra das terras.

Um porta-voz da Sazan afirmou que as aquisições foram legais e dentro dos procedimentos aplicáveis, enquanto a Albania Land Development não comentou. Representantes de Kushner também se recusaram a se pronunciar sobre o caso.

O terreno destinado ao resort se localiza em uma área de praias selvagens, florestas e pântanos que abrigam espécies como tartarugas marinhas e flamingos. A população local já iniciou protestos, conhecidos como a "Revolução dos Flamingos", questionando a titularidade do terreno com base em registros históricos e planejando ações judiciais para suspender o projeto.

O caso ocorre em meio a uma maior fiscalização da atividade econômica na Albânia. Além de Shehu, a SPAK emitiu mandados de prisão contra 20 pessoas envolvidas em tráfico de narcóticos e lavagem de dinheiro. Os mandados identificam apenas as iniciais dos suspeitos, conforme o procedimento padrão do país, e ainda não há informações sobre prisões ou indiciamentos.

O governo albanês mantém que o projeto segue de acordo com a legislação local e normas da União Europeia, com supervisão regulatória contínua. O primeiro-ministro Edi Rama defendeu publicamente o empreendimento, afirmando que ele seguirá em frente independentemente das contestações.

Acompanhe tudo sobre:Mercado imobiliárioAlbâniaIvanka Trump

Mais de Mercado Imobiliário

Construímos nossa casa no terreno dos meus sogros, mas fiquei viúva. Quais meus direitos?

Essa empresa fez um prédio de madeira em Suzano para desafiar o concreto

Vida Imobiliária: A casa brasileira foi feita para uma família que está desaparecendo

Com R$ 1,4 bi em VGV, catarinense aposta em obras com padrão lixo zero