Mania de arranha-céus conquista a China

Até 2020, a China pode ser o país onde haverá seis dos 10 mais altos arranha-céus do mundo
 (EXAME.com)
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Por Bonnie CaoPublicado em 24/07/2014 23:31 | Última atualização em 24/07/2014 23:31Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Xangai - A cidade oriental chinesa de Suzhou nem é a maior na província de Jiangsu, no entanto, ela está se unindo à corrida nacional pelos céus com o que é o candidato a se tornar o terceiro prédio mais alto do mundo.

Até 2020, a China pode ser o país onde haverá seis dos 10 mais altos arranha-céus do mundo incluindo o Zhongnan Center de Suzhou com 700 metros de altura.

No ano passado, na China, os desenvolvedores terminaram 37 estruturas com mais de 200 metros de altura, ou aproximadamente 50 andares, o maior número do mundo, de acordo com o Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano, com sede em Chicago, uma organização não governamental que mantém o maior banco de dados gratuito do mundo sobre edifícios altos.

A China está presenciando um boom de arranha-céus, com cidades menos conhecidas como Suzhou competindo para erigir estruturas cada vez maiores e contando com o prestígio e o potencial benefício comercial que esses megaedifícios possam vir a trazer.

A construção tem sido fomentada pela triplicação dos valores das propriedades desde 1998 e por políticas governamentais que deslocaram 300 milhões de pessoas – quase a população inteira dos EUA – para cidades desde 1995.

“O que está acontecendo na China é parecido com o que aconteceu nos EUA 80 a 100 anos atrás, em escala diferente”, disse Antony Wood, o diretor executivo do conselho, em uma entrevista em Xangai.

“As cidades estão competindo tanto dentro da China quanto globalmente de que elas são do primeiro mundo na atenção e na aparência”.

Mini Manhattan

O conselho diz que o de Suzhou será o terceiro prédio mais alto do mundo quando ficar pronto em 2020. Outras cidades chinesas que estão planejando e construindo arranha-céus que poderão fazer parte da lista dos edifícios mais altos do mundo são Shenyang, no nordeste; Wuhan, ao longo do rio Yangtzé; e Tianjin, a metrópole 109 quilômetros a sudeste de Pequim, que está planejando construir uma réplica de Manhattan.

Nenhuma das torres iria superar o atual edifício mais alto, o Burj Khalifa de Dubai, ou o que já é certeza que irá ultrapassá-lo: a Kingdom Tower, a torre planejada em Jidá, na Arábia Saudita, que pretende ter um quilômetro de altura.

O que falta em altura na China, sobra em quantidade. Ao todo a China, Hong Kong e Taiwan já têm metade dos 20 edifícios mais altos do mundo.

O primeiro-ministro Li Keqiang tem patrocinado a urbanização como o “grande motor” para a expansão enquanto procura levar a segunda maior economia do mundo em direção a um modelo baseado no consumo e não no investimento e na exportação.

O Partido Comunista prevê que mais habitantes nas cidades e seus salários mais altos irão significar mais dinheiro para gastar com televisores, viagens e novas residências.

Torres icônicas

“Com cerca de 250 milhões de pessoas que mudarão para cidades chinesas na próxima década aproximadamente, o ritmo da construção urbana – incluindo estradas, ferrovias, infraestrutura de água e instituições culturais, assim como edifícios altos – tem superado qualquer período anterior da história da humanidade”, disse o Conselho de Edifícios altos em um relatório que Wood forneceu à Bloomberg News.

O relatório completo será lançado no encontro anual do Conselho em setembro na China.

Os arranha-céus da China não são nenhuma garantia de que a explosão do preço das propriedades continue aumentando. Os preços de moradias novas caíram em 55 de 70 cidades em junho, de acordo com dados do governo.

A mania de arranha-céus em Nova York, Kuala Lumpur e Dubai em todos os casos precederam uma crise econômica.

Realidade Econômica

“A China vai chegar ao ponto em que a realidade econômica – seja no nível de um único desenvolvedor, de um governo local ou do central – será um grande fator que ultrapassará a ambição”, disse Wood.

Ainda não há sinais de que ambições tenham sido esmagadas por um mercado de propriedades mais fraco ou projeções de um crescimento econômico mais lento.

Um plano anunciado na semana passada pela empresa britânica Chetwoods Architects teria aceito competir com o mega arranha-céu de Jidá, Kingdom, com um desenvolvimento em Wuhan, que teria duas torres.

“A humanidade tem a ambição de fazer o que não pode fazer; parte dela é construir os edifícios mais altos”, disse Wood.

“Muitas das torres icônicas que estão sendo construídas hoje na China levaram ao reconhecimento mundial de cidades que poucos chineses, e muito menos os ocidentais, conheciam”, disse Wood.

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