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Governo tem 50 imóveis ociosos em Brasília — e criou um fundo para lucrar com eles

Estratégia permite à União transformar gastos em investimento, mantendo controle sobre os ativos

Imóveis da União: fundo administrado pela Caixa quer transformar ativos ociosos em fonte de receita

Imóveis da União: fundo administrado pela Caixa quer transformar ativos ociosos em fonte de receita

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 30 de junho de 2026 às 10h09.

Imagine dezenas de imóveis da União espalhados pelo Distrito Federal — muitos deles ociosos, sem uso, que geram custos de manutenção, vigilância e conservação. Até pouco tempo, esses ativos eram gastos no orçamento público sem trazer retorno financeiro.

Mas a União lançou recentemente o FII Imóveis da União. O fundo, que reúne 50 imóveis públicos do Distrito Federal avaliados em R$ 1,1 bilhão, será administrado pela Caixa e tem como objetivo modernizar a gestão e ampliar o aproveitamento econômico de ativos federais ociosos.

Mesmo com a União como única cotista, a estrutura permite transformar imóveis paralisados em fonte de renda e valorização patrimonial.

"Apesar disso, o fundo adota a estrutura típica de um fundo imobiliário convencional, o que, em tese, permitiria a abertura a outros cotistas, a negociação de cotas em bolsa e a captação de recursos de investidores privados — caminhos já trilhados por diversos fundos ao longo de suas trajetórias", explica Sergio Bini, vice-presidente de fundos da Caixa.

Mas uma eventual alteração desse modelo depende de deliberação em assembleia geral de cotistas. "Configura-se, portanto, como uma prerrogativa exclusiva da União", complementa.

A carteira inicial é formada por imóveis que não estão ocupados, escolhidos entre ativos ociosos ou subutilizados da União. Cada imóvel seguirá uma estratégia diferente, de acordo com seu uso potencial e objetivos definidos.

"No caso dos imóveis destinados à alienação, o modelo permite a celebração de contratos de locação com pessoas físicas ou jurídicas, inclusive do setor privado, quando essa alternativa contribuir para a geração de receitas, valorização do ativo ou preparação do imóvel para futura venda", explica Carolina Stuchi, secretária de Patrimônio da União.

Nos casos de empreendimentos de desenvolvimento imobiliário, a locação também é possível, mas dependerá da estratégia de cada projeto. Em alguns casos, alugar os imóveis pode ser uma forma de gerar receita enquanto o projeto se consolida.

Já os imóveis destinados à Administração Pública Federal têm outra função. Eles serão reformados ou requalificados para uso por órgãos e entidades públicas, melhorando a infraestrutura e racionalizando os gastos do governo. Esses imóveis não serão alugados para varejo ou terceiros.

Os ganhos com o FII

Ao colocar os imóveis no FII Imóveis da União, a gestão se torna profissionalizada.

“A Caixa já administra mais de R$ 700 bilhões em fundos e nossa experiência permite estruturar soluções confiáveis e escaláveis, combinando eficiência financeira e política pública”, afirma Bini.

Isso significa que decisões sobre venda, aluguel ou reforma são tomadas com base no valor de mercado e nas melhores práticas, e não apenas por burocracia.

Além disso, concentrar a gestão no fundo reduz custos operacionais com imóveis ociosos, transformando gastos em investimento. Todo o valor arrecadado retorna à União, como “dividendos” do fundo, e ainda permite planejamento estratégico para preservar e valorizar os ativos no longo prazo.

“Estamos fazendo uma experiência controlada, com muita segurança jurídica, para entender como vai funcionar. Nossa intenção é que, a partir dos resultados, possamos ganhar escala e replicar o desenho para mais imóveis”, explica Stuchi.

Segundo a secretária, ao transferir os imóveis ao FII, a União troca ativos paralisados por cotas do fundo — sem impacto fiscal, sem dotação orçamentária e sem efeito líquido no caixa.

Haverá um FII para imóveis fora do DF?

Atualmente, o FII Imóveis da União opera apenas com imóveis localizados no Distrito Federal. O regulamento, no entanto, permite que esse escopo seja revisado pela União para incluir imóveis de outros estados no futuro. Ainda não há cronograma definido nem decisão sobre quais localidades poderiam ser contempladas.

A estratégia inicial do fundo é testar o modelo de forma controlada, com um portfólio menor e mais homogêneo, para avaliar a sua escalabilidade e segurança antes de ampliar para outras regiões.

A expansão poderia ocorrer de diferentes formas: incluindo novos imóveis da União, criando fundos temáticos segmentados por tipo de ativo ou por região.

Estados e municípios que enfrentam problemas parecidos — como imóveis ociosos, custos altos de manutenção e limitações orçamentárias para requalificação — podem se inspirar nesse modelo, adaptando-o à realidade local.

A seleção de quais imóveis poderiam entrar em futuros fundos continua sendo decisão da União, com a Caixa atuando na gestão e administração, sem indicar quais ativos devem ser incluídos.

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