Mercado Imobiliário

Chegada de chineses na zona sul de SP turbina aluguéis da JFL Living

Com instalação de empresas chinesas na região, demanda de funcionários por imóveis residenciais dispara

Vista da região da Chacara Santo antonio em São Paulo. Predio refletindo a cidade. Imoveis, predio comercial

Foto: Leandro Fonseca
Data: 31/01/2024 (Leandro Fonseca/Exame)

Vista da região da Chacara Santo antonio em São Paulo. Predio refletindo a cidade. Imoveis, predio comercial Foto: Leandro Fonseca Data: 31/01/2024 (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 12h01.

Havia quem apostasse que o trabalho remoto se tornaria permanente após a pandemia. A realidade, hoje, tem se mostrado diferente: grandes empresas pressionam seus funcionários para que voltem ao escritório. Isso não apenas reacende a demanda por imóveis comerciais, como também por moradias temporárias de alto padrão próximas aos novos centros corporativos que se reconstroem.

Com cinco prédios e 600 unidades, a JFL Living viu a proporção de locatários em São Paulo a trabalho saltar de 15% para quase 50% em um ano. Um dos motores desse avanço, segundo Lucas Cardozo, COO da companhia, é a crescente presença de multinacionais asiáticas na cidade, em especial as chinesas.

Criada por Jorge Felipe Lemann há dez anos, a JFL é pioneira no modelo multifamily de alto padrão no Brasil. O formato, comum nos Estados Unidos — com mais de 18 milhões de unidades —, concentra a gestão de todos os apartamentos em um único operador e é voltado exclusivamente à locação de longo prazo, a partir de um mês. A empresa opera sem concorrentes diretos no segmento triple A e mantém taxa média de ocupação de 88%.

As unidades, com áreas entre 36 metros quadrados e 431 metros quadrados, são totalmente mobiliadas e incluem serviços como arrumação diária, café da manhã, concierge, manutenção e estrutura completa de lazer. Os contratos duram, em média, nove meses, e atraem atletas, artistas, estudantes, famílias e, sobretudo, executivos expatriados — um público entre 35 e 55 anos.

A demanda vinda da China

A ascensão de empresas chinesas na capital paulista tem sido um dos vetores de crescimento da JFL no último ano, principalmente no edifício AV.NU, na Chácara Santo Antônio. O prédio conta com 161 unidades residenciais, das quais 86 estão alugadas para chineses.

Considerando também moradores vindos de outros países da Ásia, como Japão, Coreia do Sul e Índia, o total chega a 93 apartamentos — ou 58% da ocupação total.

Os números estão num contexto em que empresas chinesas passam a ser vistas de forma mais positiva e competitiva, superando a imagem antiga de baixa qualidade e falsificações que a etiqueta made in China trazia. Elas evoluíram para líderes em inovação, competindo diretamente com gigantes americanas em setores como veículos elétricos, IA e eletrônicos. BYD supera Tesla em vendas de veículos elétricos, Shein e Temu revolucionam e-commerce, e marcas como DJI dominam drones. 

“A gente surfou muito essa onda, principalmente no AV.NU. Isso reflete como a parceria com chineses e asiáticos de forma geral tem sido um dos grandes vetores de crescimento da JFL no último ano”, afirma Cardozo.

A pedido da EXAME, a consultoria Newmark analisou onde estão situados os escritórios das principais empresas chinesas no Brasil. A maioria delas — e as mais conhecidas — se distribuem ao longo do corredor de negócios entre Vila Olímpia e Chucri Zaidan, num raio de até 3 quilômetros entre si.

A BYD, por exemplo, ocupa o Morumbi Corporate, na Avenida Chucri Zaidan. A Xiaomi fica no New Empire of Business, na Vila Clementino, bairro próximo a Vila Olímpia. Já a Keeta, marca internacional de delivery da gigante chinesa Meituan, fica no EZ Towers, próximo à Chucri Zaidan, na Chácara Santo Antônio, no mesmo condomínio onde está situado o escritório da Huawei. Enquanto isso, a Shein fica na Avenida Faria Lima, no Vera Cruz II.

“A chegada e a expansão de empresas chinesas no Brasil ocorrem em um momento de recuperação consistente do mercado de escritórios em São Paulo, que registra absorção líquida recorde, queda de vacância e valorização dos preços. Embora a demanda chinesa não represente necessariamente um boom de grandes volumes de área, ela se concentra em edifícios de alto padrão e localizações prime, contribuindo para a sustentação dos preços e para a redução da vacância nos ativos mais líquidos. Em paralelo, o capital chinês pode ampliar a presença no segmento residencial para renda, especialmente no multifamily, reforçando a atratividade do mercado imobiliário paulista”, explica Mariana Hanania, líder de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark.

Expansão para além da Zona Sul

Não é só na Zona Sul que a JFL Living vê a demanda crescer para o multifamily. Na Avenida Rebouças, a empresa tem uma unidade, o JFL125, que tem 160 apartamentos.

JFL Living Rebouças

JFL Living, na Avenida Rebouças (JFL125/Divulgação)

Empresas como Amazon e Netflix já têm grandes lajes na Rebouças pré-locadas. A ASA, instituição financeira fundada por Alberto Safra, também anunciou recentemente a compra de um terreno de mais de 8 mil metros quadrados na avenida. O local vai receber um edifício corporativo de mais de 200 metros de altura, que deve figurar entre os mais altos da cidade.

A JFL também avalia parcerias estratégicas. Uma possível associação com o Iguatemi chegou a ser discutida, mas não avançou por causa de custos extras. “O investimento por empreendimento gira entre R$ 150 milhões e R$ 250 milhões. O que importa, mesmo, é o retorno. Buscamos sempre no mínimo 7 mil metros quadrados de área residencial para conseguir diluir os custos”, afirma Cardozo.

Um sexto edifício está em construção na região da Alameda Lorena, com entrega prevista para 2027. O projeto elevará a oferta total para 680 apartamentos.

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