Caixa: A paralisação não impede, segundo a leiloeira, a realização do certame. O ponto de atenção está nas etapas posteriores ao arremate, principalmente para compradores que dependem de financiamento. (Eduardo Frazão/Exame)
Repórter de Mercados
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 09h52.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 15h48.
O banco Caixa oferece 594 imóveis em leilão nos dias 14 e 20 de outubro, com lances a partir de R$ 51 mil e descontos de até 67%. Segundo a leiloeira Globo Leilões, a greve dos funcionários não altera o certame, mas especialistas ouvidos pela EXAME apontam possíveis atrasos após o arremate, sobretudo nas compras financiadas.
A Caixa colocou à venda 594 imóveis em um novo leilão, com descontos que chegam a 67% sobre o valor de avaliação e opções a partir de R$ 51 mil. A rodada acontece em um momento atípico para os compradores: a instituição está com uma greve de funcionários em andamento, o que levanta dúvidas sobre eventuais impactos no processo de aquisição.
O leilão será realizado em duas etapas, nos dias 14 e 20 de outubro, às 10h, pela Globo Leilões. Os lotes incluem apartamentos, casas, terrenos, imóveis comerciais e propriedades rurais distribuídos por 23 estados. A paralisação da Caixa não impede, segundo a leiloeira, a realização do certame.
O ponto de atenção está nas etapas posteriores ao arremate, principalmente para compradores que dependem de financiamento imobiliário. “O leilão acontece, mas a operação pode ter alguma demora nas etapas seguintes, dependendo da necessidade de atendimento da Caixa”, explica um especialista ouvido pela EXAME.
Os imóveis têm lances iniciais que variam de R$ 51 mil a R$ 8 milhões. As condições de pagamento dependem de cada lote e podem incluir compra à vista, financiamento imobiliário pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e uso do FGTS, conforme as regras aplicáveis ao imóvel.
Em alguns casos, a Caixa permite financiar até 95% do valor do imóvel, enquanto determinadas unidades previstas em convênios podem ter condições específicas de financiamento integral.
Para compras financiadas ou com uso do FGTS, o comprador precisa passar por uma análise de crédito antes da conclusão da operação. O preenchimento dessa opção no termo de arrematação, porém, não garante a aprovação do financiamento.
Além do valor do lance vencedor, o comprador deve pagar uma comissão de 5% ao leiloeiro.
O catálogo reúne imóveis residenciais e comerciais em diferentes regiões do país. Entre os destaques estão um apartamento na Lapa, em São Paulo, com 55,17 metros quadrados de área privativa, três quartos e uma vaga de garagem. O imóvel tem avaliação de R$ 522,2 mil e pode ser adquirido por R$ 380,1 mil na segunda etapa do leilão. No Rio de Janeiro, um apartamento em Rocha Miranda, com 46 metros quadrados e dois quartos tem lance inicial de R$ 223,5 mil em eventual segunda oferta.
Cada imóvel possui um edital próprio, com informações sobre ocupação, condições de venda, prazos e regras específicas.
A principal dúvida para interessados no leilão da Caixa é se a paralisação dos funcionários pode comprometer a compra. O sindicato que representa os empregados da Caixa mantém uma greve por tempo indeterminado desde 10 de setembro, após a rejeição de uma proposta apresentada pelo banco para renovação do acordo coletivo de trabalho.
A paralisação pode afetar principalmente atendimentos presenciais e processos que dependem de áreas específicas da instituição. Os canais digitais e correspondentes bancários continuam disponíveis.
No mercado imobiliário, especialistas ouvidos pela EXAME explicam que o impacto depende do tipo de operação. Em compras à vista, o risco principal está relacionado a eventuais etapas administrativas posteriores ao arremate. Já nos casos com financiamento, o processo segue o fluxo tradicional de crédito imobiliário, que envolve análise, aprovação e assinatura do contrato.
“Normalmente, quando uma pessoa compra um imóvel em leilão e vai financiar, o edital já colocava que o interessado deveria ir até uma agência da Caixa e fazer uma avaliação de crédito. Isso é possível ser feito agora, porque o correspondente bancário está atuando. As etapas seguintes, sim, podem travar”, afirma um dos especialistas.
Segundo ele, a existência da greve não impede necessariamente a compra, mas pode aumentar o prazo até a conclusão definitiva da operação.
Outro especialista destaca uma diferença importante entre as modalidades utilizadas pela Caixa. Segundo ele, os leilões realizados por meio de leiloeiros — como o atual — continuam funcionando normalmente. O maior volume de vendas da Caixa, porém, ocorre em modalidades como venda direta e venda online, que não envolvem leiloeiros e podem depender mais diretamente dos fluxos internos do banco.
“Os leilões via leiloeiros seguem normal. O que parou são as vendas direta e online. Eu diria que mais de 80% dos arremates são nessas modalidades, justamente por não ter leiloeiro. O leilão acontece, mas o cliente arrematante tem zero amparo da Caixa pós-arrematação enquanto a greve perdura”, afirma.
A Globo Leilões, responsável pela condução do certame, afirma que até o momento não recebeu indicação de alteração no calendário.
“Com relação à greve, até o momento não temos indicação de impacto sobre o leilão em andamento, que já se encontra com edital devidamente publicado e segue normalmente conforme o cronograma estabelecido. Caso haja qualquer orientação oficial da Caixa que altere esse cenário, naturalmente seguiremos as determinações e comunicaremos imediatamente”, afirma Jhonni Balbino, CEO da Globo Leilões.
Apesar dos descontos, especialistas recomendam atenção antes da participação.
Antes de fazer uma oferta, o interessado deve verificar:
Após a homologação do resultado, o comprador precisa pagar a entrada mínima de 5% do valor ofertado em até dois dias úteis, quando aplicável.
Nas compras financiadas, a assinatura do contrato deve ocorrer em até 30 dias corridos. Caso o comprador não cumpra os prazos por responsabilidade própria, a venda pode ser cancelada e pode haver aplicação de multa de 5% sobre o valor do lance.
O catálogo completo, com fotos, regras e condições de cada lote, está disponível no site da Globo Leilões. Para acessar, clique aqui.
O leilão de 594 imóveis da Caixa será realizado em duas etapas, nos dias 14 e 20 de outubro, às 10h. A leiloeira Globo Leilões conduzirá o certame, que reúne propriedades em 23 estados.
A greve não impede a realização do leilão, segundo a Globo Leilões, que não recebeu indicação de mudança no calendário. Especialistas ouvidos pela EXAME alertam, porém, para possíveis atrasos nas etapas posteriores ao arremate, principalmente em operações com financiamento.
Os lances iniciais variam de R$ 51 mil a R$ 8 milhões, com descontos que chegam a 67% sobre o valor de avaliação. O catálogo inclui apartamentos, casas, terrenos, imóveis comerciais e propriedades rurais.
Alguns imóveis podem ser financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, com possibilidade de uso do FGTS conforme as regras de cada lote. A Caixa permite financiar até 95% do valor em certos casos, mas o comprador precisa passar por análise de crédito, e a indicação no termo de arrematação não garante aprovação.
O comprador deve pagar comissão de 5% ao leiloeiro e, quando aplicável, uma entrada mínima de 5% do valor ofertado em até dois dias úteis após a homologação. Nas compras financiadas, o contrato deve ser assinado em até 30 dias corridos, sob risco de cancelamento e multa de 5% se o atraso for responsabilidade do comprador.
O interessado deve consultar o edital específico, a situação de ocupação, eventuais dívidas ou encargos e as condições de financiamento do imóvel. Cada lote possui regras, prazos e condições de venda próprios.