Como a pandemia de covid-19 muda o Rock in Rio

A pandemia mudou o trabalho do Grupo Dreamers, responsável pelo Rock in Rio e 15 empresas. Em entrevista à EXAME, o presidente executivo Rodolfo Medina fala de aprendizados e expectativas
 (Rock in Rio/ Instagram/Divulgação)
(Rock in Rio/ Instagram/Divulgação)
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Marina Filippe

Publicado em 22/11/2021 às 12:05.

Última atualização em 22/11/2021 às 13:26.

"O Rock in Rio 2022 vai acontecer, com certeza", disse Rodolfo Medina, presidente executivo do Grupo Dreamers, em entrevista à EXAME por videochamada. O festival previsto para 2 a 11 de setembro de 2022 no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, já tem parte da programação anunciada, além da venda de ingressos iniciada. Mas, para receber as cerca de 700.000 pessoas, muita coisa precisará mudar, e está sendo planejada a partir dos aprendizados da pandemia de covid-19.

Além do acompanhamento contínuo das mudanças nas regras de distanciamento e protocolos de saúde, Medina percebe como a experiência pode ser complementar. "Estamos estudando como aprimorar a experiência dentro do festival e criar situações memoráveis depois do grande período de isolamento. Além disso, sabemos que as pessoas não vão deixar de ir ao show ao vivo, mas elas passam a entender e valorizar mais o conteúdo digital. Assim, estaremos mais preparados para as transmissões, publicações nas redes sociais e mais", diz Medina.

Por conta disto, o festival, pela primeira vez, anuncia uma parceria com a plataforma online TikTok. Num primeiro momento, em setembro deste ano, os criadores de conteúdo do TikTok puderam concorrer a um par de ingressos. Até lá, mais ações estão previstas.

"O TikTok é um fenômeno que se especializou em criar narrativas, revelar talentos e conectar marcas. Não tínhamos uma plataforma como essa entre nossos parceiros e estamos animados para o que podemos construir", afirma Medina.

Em relação às demais marcas, o executivo se diz satisfeito por ver a continuidade dos patrocinadores que haviam assinado antes mesmo da pandemia. "As marcas estão tão ansiosas quanto a gente, e com a mesma preocupação de fazer o evento com cuidado e segurança. São quase 40 marcas envolvidas que planejam experiências significativas".

Entre elas há, por exemplo, a locadora de veículos Movida, que apresentou lucro líquido ajustado de 259,4 milhões de reais no terceiro trimestre, um crescimento de 597% em relação ao mesmo período de 2020, devido também à mudança de comportamento do consumidor na pandemia, uma frente que pode ser explorada nas ações do festival.

Os aprendizados da pandemia também fazem com que o Rock in Rio utilize narrativas de humanidade, sustentabilidade e propósito. Pensando nisto, aconteceu em setembro o Rock in Rio Humanorama, com mais de 250 personalidades, entre artistas, especialistas, acadêmicos e empresários.

Realizado simultaneamente no Brasil e em Portugal, o evento teve alguns palcos principais, como o “Sou”, sobre sustentabilidade individual e autoconhecimento, o “Nós”, de relações interpessoais e o poder do coletivo e o “Somos”, que focou na coletividade, por meio do impacto social e a relação com o meio ambiente.

Grupo Dreamers

O Rock in Rio faz parte do Grupo Dreamers, que conta com 16 empresas, como também a Artplan e a DreamFactory. Na pandemia foi reforçada a necessidade de promover uma comunicação efetiva, que ofereça ao cliente diferentes serviços.

“Somos um grupo de comunicação 100% nacional, que vai da prestação de serviço ao empreendedorismo, conhecendo todas as partes do processo e tendo velocidade nas decisões”, diz Medina.

Para ele, algumas mudanças vieram para ficar, entre elas a reunião diária dos sócios às 9h30 da manhã, que começou pela crise, mas tem trazido ganhos operacionais. “Somos em cinco pessoas que, agora, compartilham informações continuadamente”.

Outro reforço foi na diversidade e inclusão, também pela possibilidade de contratar mais pessoas remotas, saindo de centros como Rio de Janeiro e São Paulo. Assim, desde 2020 foram instituídas novas parcerias, como da consultoria Indique uma Preta. Também são realizadas buscas de pessoas trans, com mais idade e com deficiência.

“Foram realizados workshops com consultorias e as empresas do Grupo puderam trabalhar metas e planos de ação. Há um  Comitê da Diversidade dividido pelos grupos de afinidade LGBTQIA+, Raça, Mulher, Pessoas com Deficiência, 60+ e Responsabilidade Social”, diz Medina.