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Remy Sharp
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Os caminhos para moldar a agenda de sustentabilidade da sua empresa

A partir do momento em que as companhias acreditam que possuem uma licença para operar na sociedade, e não o contrário, fica mais fácil ser guiado pelos princípios de sustentabilidade

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Defensores de uma causa: Anita Roddick, da The Body Shop, e Yvon Chouinard, da Patagonia, acreditam que os negócios podem ser uma força para o bem (The Body Shop/Divulgação)

Defensores de uma causa: Anita Roddick, da The Body Shop, e Yvon Chouinard, da Patagonia, acreditam que os negócios podem ser uma força para o bem (The Body Shop/Divulgação)

É sempre inspirador ouvir ideias sobre como os líderes de uma organização podem quebrar velhos paradigmas para promover a colaboração em vez da competição, a noção de reconciliar sustentabilidade e lucratividade como uma só, e como devem abraçar a humildade, a autoconsciência e a curiosidade intelectual como alavancas para um progresso significativo.

Nesse sentido, promovemos recentemente um bate papo com Roberto Marques, que foi presidente-executivo da Natura sobre o tema de sustentabilidade e obtivemos vários insights interessantes dessa conversa que podem ser uteis para empresas e Conselhos nesta importante jornada.

A partir do momento em que a empresa acredita que possui uma licença para operar na sociedade, e não o contrário, fica mais fácil ser guiado pelos princípios de sustentabilidade. Colocar a sustentabilidade no centro do planejamento estratégico demonstra um compromisso real e tangível com a criação de valor a longo prazo.

É possível conciliar sustentabilidade e lucratividade?

A ideia de que sustentabilidade e lucratividade podem coexistir e, na verdade, se beneficiar mutuamente é cada vez mais reconhecida no mundo dos negócios. A sustentabilidade impulsiona a inovação. Muitos produtos são baseados na noção de abastecimento mais sustentável, reciclagem, circularidade na economia, que os consumidores querem comprar agora.

E as pessoas também querem trabalhar para empresas que se preocupam com esses temas. Isso pode se tornar então uma profecia autorrealizável.

Quanto mais se incorpora a sustentabilidade na estratégia principal, melhor será a capacidade de conciliar como uma empresa pode ser mais sustentável e lucrativa. Há uma crença de muitos defensores da causa como Anita Roddick, da The Body Shop, e Yvon Chouinard, da Patagonia, por exemplo, de que é que os negócios podem ser uma força para o bem.

Quase sempre haverá momentos desafiadores envolvendo fornecedores. A incorporação das metas de sustentabilidade no score card da empresa e a subsequente responsabilização dela, do conselho e das unidades de negócio individualmente são passos essenciais para garantir que os objetivos de sustentabilidade sejam levados a sério e alcançados.

Existem competências ou qualidades essenciais que os conselhos devem possuir para supervisionar e conduzir a integração do ESG no centro da jornada de sustentabilidade da empresa. São elas: humildade, curiosidade intelectual e crença na ciência. Os conselhos não devem ter medo de procurar ajuda. Existe um vasto ecossistema de recursos científicos, organizações e tecnologia para ajudar as empresas de todos os setores a se moverem nessa direção e estabelecerem um bom ponto de partida.

Sustentabilidade na Natura

Mesmo uma empresa avançada no tema como a Natura trouxe uma consultoria externa para os ensinar a estabelecer uma linha de base de emissões nos escopos 1, 2 e 3, e cada uma das empresas trabalha de uma forma muito diferente de entender como navegar nesses escopos. Acaba sendo puro e simples: não existe um plano B, apenas o plano A.

A tomada das decisões certas acontece diariamente e incorpora a sustentabilidade para que os negócios continuem existindo, atraindo funcionários e vendendo para clientes interessados.

Claro que isso só acontece através das pessoas. A atração e retenção de talentos críticos são, de fato, elementos essenciais para o sucesso de qualquer empreendimento voltado para a sustentabilidade.

À medida que uma empresa cresce, fica claro que é preciso atrair talentos com formações e experiências diferentes. Pessoas com a noção de se sentirem desconfortáveis o tempo todo, sem medo de sonhar grande e que entendem que o crescimento sustentável é tão imperativo quanto lidar com a injustiça sustentável, principalmente nos países em desenvolvimento que não são capazes de resolver isso sozinhos.

A colaboração entre concorrentes, embora possa parecer contraintuitiva à primeira vista, pode ser uma abordagem altamente eficaz para impulsionar a inovação, resolver desafios complexos e promover mudanças positivas em um setor. Essa coexistência era inimaginável no passado, mas é assim que as soluções são impulsionadas num mesmo setor. Diversidade de pensamento e abertura para desafiar ideias é fundamental.

A sustentabilidade não é apenas uma tendência passageira, mas uma transformação profunda que está redefinindo a maneira como as empresas operam, interagem com os consumidores e gerenciam seus recursos. E para isso deve garantir que os conselheiros entendam isso e que o crescimento sustentável leva à inovação. Assim fica muito mais fácil despertar a curiosidade para conduzir a pauta.

Além disso, há dados suficientes para mostrar que os consumidores estão tomando decisões sobre empresas e produtos com base em sua abordagem ESG.

As áreas de Supply Chain e P&D são os motores da sustentabilidade nas empresas. Toda inovação precisa ser impulsionada por essas equipes. Todo cientista deve ter uma calculadora para entender o impacto no meio ambiente antes de desenvolver uma formulação. Eles idealmente devem envolver a comunidade de onde extraem os recursos e trabalharem em soluções da cadeia de suprimentos em escala.

Em última análise, a sustentabilidade não é uma solução de uma empresa ou de um setor. É sobre o poder do coletivo. Ela precisa avançar da perspectiva de um ecossistema. Existem muitas regras e regulamentos que precisam ser desafiados, e as soluções precisam do planejamento coletivo no mesmo setor por meio da formação de coalizões, não isoladamente.

Já se foi o tempo em que CEOs e presidentes eram recompensados pelo sucesso enquanto outros fracassavam. Colaborar, compartilhar conhecimentos e recursos, desafiar o status quo e trabalhar juntos são a chave para criar um futuro mais sustentável e equitativo para todos.

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