Um dos melhores IPOs de 2020 pode entrar na disputa pelos Correios

Em entrevista à EXAME Invest, o CEO da Sequoia diz que a empresa, cujas ações subiram 34%, vai avaliar de perto a privatização e o modelo de venda

Embora muito falado, o processo de privatização dos Correios ainda não foi costurado. Mas, dependendo dos moldes com que for desenhado, mais uma empresa pode aparecer na lista das interessadas, que já conta com nomes como Magazine Luiza (MGLU3), FedEx e DHL. Na disputa, surge uma das maiores companhias de logística de e-commerce do país, com presença em mais de 3.300 cidades, com 16% de participação do mercado de vendas online, e que ingressou na B3 há cerca de um mês e meio. Apesar de não ter feito muito barulho no início, vem conquistando o posto de um dos melhores IPOs da bolsa brasileira em 2020, com alta de 34%.

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Com dinheiro em caixa, depois de ter levantado 1 bilhão de reais na sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no começo de outubro, dos quais 348 milhões de reais com uma oferta primária (em que os recursos vão para o caixa), a Sequoia (SEQL3) vislumbra primeiro ganhar agilidade. A empresa está investindo cerca de metade do capital novo em tecnologia e automação no próximo ano, com a ideia de reduzir o seu tempo médio de entrega no interior (que hoje representa 70% do volume de pedidos), passando de 4 a 5 dias para no máximo 3 dias.

Nas regiões metropolitanas do país, onde estão os demais 30%, a empresa garante a entrega em até 48 horas. O restante do dinheiro a companhia vai direcionar para aquisições no setor de e-commerce, em que está seu expertise. A primeira delas já está em estágio bem avançado, próxima de sair, entre dezembro e janeiro. Além dessa, outras seis companhias estão sendo sondadas, mas com o objetivo de fechar negócio com mais duas até 2021. 

Nesse meio tempo, enquanto deixa a roda mais polida, a Sequoia mantém os olhos abertos para o assunto que deve “dominar” a pauta do segmento em 2021: a privatização dos Correios. “Tem uma série de questões que tornam difícil essa privatização. Até acredito que vai ser levada adiante pelo tanto que se fala, mas temos dúvida no formato. Agora, a Sequoia, naturalmente, como talvez o único player desse mercado com capital aberto, voltado para serviço express, de encomendas, vai avaliar isso de perto”, disse Armando Marchesan Neto, CEO e fundador da Sequoia, em entrevista à EXAME Invest.  

Segundo ele, pelo que tem se sondado no mercado, uma venda total dos Correios, com tudo dentro, parece um desafio grande. Mas um modelo de venda com área regionais ou por produtos, com separação do negócio de serviços de entregas express, por exemplo, pode tornar a estatal mais atraente. “Não temos nenhuma informação a respeito. Vamos avaliar ao passo que isso for divulgado. Vai depender do formato que vier, mas com certeza é um tema importante que vai dominar 2021, e até acho natural pela relevância da companhia”. 

Sinergias com os Correios 

A Sequoia visa as sinergias que pode ganhar com o negócio, principalmente se for oferecida a parte de serviço express, que poderia dar ainda mais capilaridade à sua operação, que já vem crescendo a passos largos. No início do ano, a companhia possuía cerca de 2.000 rotas. Hoje, esse número já ultrapassa 3.300, contando com 11 centros de distribuição automatizados e 47 bases operacionais. 

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 (BTG Pactual Digital/Divulgação)

Só no terceiro trimestre, foram 11,8 milhões de entregas realizadas, avanço de 84% frente ao mesmo período do ano passado. A receita líquida chegou a 277,5 milhões de reais no período, expansão de 124%, enquanto o lucro líquido cresceu 192%, para 13,9 milhões de reais.

Com uma lista de clientes que inclui oito das dez maiores empresas de vendas online do país, entre elas, gigantes como Mercado Livre e Via Varejo (VVAR3), a companhia quer expandir ainda mais a participação do e-commerce em sua receita, que hoje representa cerca de 47% a 48% do faturamento da empresa — o restante é voltado para o varejo físico. A expectativa é que chegue a 55% a 57% nos próximos quatro a cinco anos, diz Marchesan. 

Além da pandemia que deu um impulso às vendas online, algo que, na visão do CEO, deve perdurar, a companhia também tem explorado novos terrenos para fazer frente a essa expansão. A última aquisição, da Direcional Transportes, foi para entrar em um novo segmento de e-commerce: a de entrega de produtos pesados, em que a empresa não atuava. 

“Estamos adicionando agora ao nosso portfólio o serviço de entrega de grandes produtos, como geladeiras, equipamentos de ginásticas, móveis. Era um segmento em que estávamos fora. Esperamos que tenha um papel relevante, assim como temos no de pacotes pequenos e médios (até 10 kilos)”. 

Juntamente a isso, a companhia prepara o lançamento de uma nova plataforma SFx, para operações ship from store e ship from mall, que deve ser divulgada oficialmente nos próximos dias. A plataforma visa as entregas a partir das lojas — tanto de rua quanto em shoppings — ou direto do aplicativo dos shoppings, nas situações em que essa venda já está integrada. Caberia à Sequoia prover toda a solução logística para as empresas. “O lançamento do SFx aumenta nossa penetração no omnichannel e também nos posiciona como um dos líderes de mercado”, comenta.  

IPO: alta acima de 30%

Da lista com cerca de 25 empresas que abriram capital na B3 neste ano, as ações da companhia aparecem entre as que acumulam as maiores valorizações, com alta de 34% frente ao preço fixado na oferta há cerca de um mês e meio. Se não causou alarde antes e logo depois da estreia como outras empresas — casos de Grupo Mateus e da Petz –, a Sequoia caiu nas graças de investidores aos poucos, acumulando boa parte dos ganhos neste mês de novembro.

Segundo Marchesan, essa demora é natural. “Não somos como uma empresa de varejo que está exposta ao consumidor, não temos viés de atendimento direto para as pessoas. Entregamos na casa de aproximadamente 3 milhões de consumidores por mês, mas não aparecemos.”

“Há outras duas empresas de logística na Bolsa, que são JSL e Tegma, completamente diferentes. Somos o primeiro operador logístico focado em entrega express, fracionada, em e-commerce. É um segmento desconhecido para a Bolsa. Vemos como um processo de evolução, mas estamos super felizes com o andamento”, afirma.

Com o resultado do terceiro trimestre robusto em termos de crescimento e rentabilidade e acima das expectativas dos analistas de mercado, Marchesan acredita que essa trajetória positiva pode continuar. “Temos um bom lugar para nos posicionarmos. Como alguns analistas comentaram: ‘somos uma derivada do e-commerce com múltiplo bem descontado’. Podemos ser um bom porto seguro para os investidores que estão entrando”, sustenta.

Segundo ele, a empresa nunca teve o grau atual de capacidade de investimento nos seus 10 anos de vida, estando em um novo patamar de recursos e caixa. “Estamos bastante entusiasmados com o que podemos construir pelos próximos dez anos”.

BlackFriday

Há grande expectativa também pela BlackFriday na próxima semana. A empresa espera crescer o volume em torno de 100% em relação ao registrado no ano passado. Para fazer frente ao avanço da demanda, a companhia contratou 800 pessoas para atuar nos dias do evento (no ano passado, foram cerca de 250 pessoas) e aumentou sua frota em 5.500 carros (ampliando em aproximadamente o dobro do que foi feito em 2019), dos quais 425 são caminhões para movimentação de cargas.

“É uma estimativa de crescimento perto de 100% com base em projeções, mas também nos preparamos com um excedente de capacidade para manutenção do nível do serviço. É normal para esse tipo de preparação colocarmos capacidade adicional para manter o nível do serviço e os prazos de entrega.” Segundo ele, a expectativa é que o e-commerce tenha penetração maior do que o varejo físico em relação ao visto em 2019, com as pessoas evitando aglomerações. “E como a Sequoia é um player relevante desse mercado, devemos nos beneficiar de alguma forma”.

Olhando para os números de outubro e novembro, Marchesan diz que a companhia continua notando a expansão do e-commerce como um todo. Havia uma percepção entre analistas de que, com a reabertura de lojas, as vendas online pudessem ter uma leve queda. Mas não é isso que se tem observado. “O volume tem se mantido, não temos visto essa queda nem em outubro nem em novembro. Estamos no mesmo ritmo, mesmo com a reabertura das lojas.  Achamos que, de fato, os novos consumidores adotaram o e-commerce como compra recorrente e preferencial, atingindo um novo patamar de penetração em relação ao varejo físico.”

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