Tchau, Brasil: o que muda para quem quer comprar ou tem um carro Ford?

Montadora deixará de produzir os modelos Ka e Ecosport no país. Veja o que ponderar na compra ou venda

 

A Ford anunciou nesta segunda-feira, 11, que irá encerrar a produção dos modelos Ford Ka e Ford Ecosport no país. A montadora irá fechar suas três fábricas no país. Mas o que muda de fato para está pensando em comprar um dos dois modelos ou já tem um dos carros com o anúncio?

É consenso entre os especialistas que se pode esperar uma maior desvalorização dos dois modelos em relação a outros similares fabricados no país por duas razões: incentivos fornecidos pela própria montadora com o objetivo de esgotar o estoque dos modelos, que sairão de linha, e a percepção da marca pelo consumidor após o encerramento da produção.

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Como os modelos Ka e Ecosport não serão mais produzidos, há um interesse da marca em esgotar os estoques de unidades 0 km disponíveis por meio de bônus ou outros incentivos para que a rede venda estes carros mais rapidamente, explica a KBB, empresa especializada em pesquisa de preços de veículos novos e usados. Isso deve provocar desvalorização nos preços, pois o consumidor precisará de uma motivação maior para adquirir um carro que acabou de ser tirado de linha.

Este efeito também deve gerar queda nos preços dos seminovos e usados, já que as opções 0 km estarão mais atraentes, conclui a KBB. “Portanto, espera-se que haja uma desvalorização mais acentuada destes modelos da Ford nos próximos meses. A montadora irá buscar vender seu estoque dos veículos, que sairão de linha, o quanto antes, mirando exatamente essa desvalorização, o que irá colaborar para a baixa dos preços.”

Apesar de a Ford manter a sua operação no Brasil, a decisão de deixar de fabricar veículos aqui impacta diretamente a confiabilidade que o consumidor tem em relação à marca. “Os proprietários destes modelos podem querer antecipar a troca de seus carros, por receio quanto à sua desvalorização futura, o que aumentaria a oferta deles no mercado”, explica a KBB.

Como a demanda pelos carros também pode se prejudicar por causa do impacto do anúncio, este movimento da oferta pode contribuir ainda mais para a desvalorização destes modelos no mercado em um primeiro momento.

Para Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria automotiva Jato Dynamics, a desvalorização deve ser pequena. “Como a Ford é uma montadora consolidada no mercado nacional a tendência é que os preços não caiam tanto”. Antonio Jorge Martins, coordenador da FGV de cursos da área automotiva, aponta, no entando, que quem seja atraído pelos descontos em carros novos de ambos os modelos pondere a desvalorização maior no futuro.

Vão faltar peças?

Quanto a isso, também há consenso de que o consumidor não precisa se preocupar. Isso porque a lei garante que, ao encerrar a produção de veículos no país, a montadora forneça peças de reposição por 10 anos. Depois disso, o mercado paralelo deve continuar a disponibilizar peças para os modelos.

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Ou seja, na prática, para quem é proprietário de um dos modelos descontinuados, a situação tem pouco ou quase nenhum impacto, uma vez que a Ford mantém a sua operação no Brasil e os carros já estão estabelecidos no mercado. Ou seja, manutenção e pós-venda tendem a permanecer inabalados, explica a KBB.

E o seguro?

A decisão de encerrar a produção também deve impactar o seguro dos carros? Para Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros, será necessário entender como ficará o suprimento de peças dos veículos que deixarão de ser fabricados no Brasil. “Um componente importante na formação do preço do seguro é o custo das peças usadas no reparo de colisões. Caso a importação seja necessária, haverá repasse no preço do seguro se o valor das peças aumentar em função da alta no câmbio.”

Uma alternativa seria o uso de peças genéricas, que são as peças produzidas pela indústria local, em geral usadas para as linhas de montagem, só que sem o “carimbo” da montadora. “Se o fornecimento não for suficiente, pode haver uma tendência de aumento de roubos ou furtos de veículos que serão desmontados para venda das partes. Esse aumento do roubo ou furto de veículos também encarecerá o seguro”, conclui Blay. 

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