Shoppings: por que os FIIs se recuperaram mais rápido que as ações?

Fundos imobiliários que investem em shoppings tem melhor performance acumulada que ações de empresas do mesmo setor

Enquanto a pandemia não é controlada no Brasil, os shoppings centers continuam sendo um dos segmentos mais afetados pela crise. Com os consumidores isolados em casa, o setor registrou queda de 33,2% no faturamento em 2020 na comparação com o ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). 

A queda de receita afetou toda a cadeia, impactando os fundos imobiliários (FIIs) que investem em shoppings. O maior fundo do segmento, o XPML11, acumula uma queda de 13,23% desde março do ano passado, enquanto o índice IFIX -- que mede o desempenho geral dos FIIs na bolsa -- tem queda acumulada de 2,36% no mesmo período. 

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Ainda assim, os FIIs de shoppings estão se recuperando mais rapidamente da crise do que as ações de empresas do mesmo ramo. Entre os cinco maiores fundos do segmento, o HGBS11 tem o pior desempenho: queda acumulada de 20,86% desde março de 2020. Já entre as principais ações de shoppings, o tombo é duas vezes o percentual e supera os 40%.

Desempenho dos principais FIIs  X Ações do setor

Gestor/ FII Rendimento acumulado entre março/2020 e fevereiro/2021 Empresa/Ação Rendimento acumulado entre março/2020 e fevereiro/2021
Hedge Investiments (HGBS11)

-20,86%

BR Malls (BRML3)

-43,57%

Hemisfério Sul Investimentos (HSML11)

-14,16%

Aliansce Sonae (ALSO3)

-42,74%

XP Vista (XPML11)

-13,23%

Iguatemi (IGTA3)

-31,36%

Vinci Real State (VISC11)

 -6,53%

Multiplan (MULT3)

-30,98%

BRPP (MALL11)

-6,26%

General Shopping (GSHP3)

-21,52%

Um dos fatores que explica o descompasso é a distribuição mensal de rendimento que os FIIs oferecem. “Por pior que a crise tenha sido para o setor, poucos fundos pararam de distribuir rendimentos. Houve uma queda no valor distribuído, mas a constância de pagamento influencia o investidor a manter o papel”, afirma Arthur Vieira de Moraes, especialista em fundos imobiliários e professor da Exame Academy.

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As ações também distribuem rendimentos por meio de dividendos, mas o pagamento é mais esparso e não acontece todos os meses, como é o caso dos FIIs. Para o professor, isso faz com que o preço das ações demore mais tempo para se recuperar.

Outro ponto que conta a favor dos FIIs é a transparência. “As empresas divulgam informações trimestrais sobre seus papéis, enquanto os gestores de FIIs costumam prestar mais contas ao investidor, divulgando relatórios mensais detalhados para cada produto”, completa Moraes.

Rendimento X Preço

O preço dos FIIs de shoppings está se recuperando com base na expectativa de eficácia das campanhas de vacinação, reabertura das economias e retorno do faturamento. Porém, embora o preço das cotas esteja em trajetória de alta, o rendimento que os produtos trazem para os cotistas não está seguindo o mesmo compasso.

“A recuperação em termos de rendimento deve começar a ser mais efetiva a partir do segundo semestre de 2021. Isso porque existe uma janela de alguns meses para que a retomada do faturamento dos shoppings seja repassada aos cotistas”, afirma Danilo Barbosa, analista-chefe de fundos imobiliários na Exame Invest Pro.

O crescimento nominal das vendas em shoppings foi negativo em 33,2% em 2020, mas está dando sinais de melhora. Barbosa destaca que a retomada do setor pode ser observada a partir das datas comemorativas, que costumam movimentar o varejo. Para este ano, a perspectiva da Abrasce é a de um crescimento de 9,5% nas vendas.

Gráfico comparativo do desempenho de FIIs de shoppings em datas comemorativas

 (Danilo Barbosa/Exame)

 

 

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