Shoppings disparam 7%, Petrobras sobe 5% e Vale tem 7ª alta em 8 pregões

Descolada dos preços do petróleo, que bateram maior patamar desde março, PetroRio cai 2,6% e lidera as perdas do Ibovespa, após disparada nos últimos dias

Em sessão de alta de mais de 2% do Ibovespa, que se aproxima dos 110 mil pontos e encerrou nesta terça-feira, 24 no seu maior patamar de fechamento desde 21 de fevereiro, as ações dos shoppings lideraram os ganhos do índice. Na ponta positiva, apareceram: Multiplan (MULT3) e brMalls (BRML3), com valorização de 7,16% e 7,07%, respectivamente. Um pouco atrás, na quinta melhor posição, Iguatemi (IGTA3) avançou 5,99%.

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Em relatório desta terça, analistas do Credit Suisse apontam o setor como “boa aposta” para o início de 2021. Entre os papéis, dizem que continuam dando preferência para cases de qualidade e destacam Multiplan e Iguatemi como top picks. Os preços-alvos dessas ações foram atualizados, passando de 28,00 para 30,00 e de 45,00 para 48,00, respectivamente. Para BR Malls, seguem com recomendação neutra em função da preferência por ativos com presença mais dominante.

Os analistas comentam ainda que o setor de shoppings vem passando por um período considerável de desempenho abaixo da média do mercado, mesmo quando comparado com papéis mais sensíveis a juros e varejo. Eles ressaltam que a expectativa era de uma recuperação muito lenta para o setor e nível de vacância de dois dígitos. No entanto, a realidade tem se mostrado diferente e os resultados e conversas com players do setor indicam vendas na casa de 80% a 85% do patamar pré-covid, aumento de vacância perto de 2 pontos percentuais e inadimplência caminhando para normalização, depois de um trimestre forte.

“O que mais impressionou foi o fato de que as empresas não queimaram caixa e ja estão atualmente em um patamar próximo de 20% do fluxo de caixa livre do ano passado. Os nossos contatos indicam que outubro também foi um mês forte, com um patamar de vendas próximo de 85% quando comparado com o nível pré-covid”, comentam.

Petrobras 

Dando continuidade ao movimento de ontem, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram cerca de 5% nesta sessão. O otimismo acompanhou a alta dos preços do petróleo e elevação de recomendação dos American Depositary Receipts (ADRs) da companhia pelo Bank of America, de neutra para compra, com preço-alvo passando de 10,50 dólares para 14,00 dólares. A meta corresponde a um potencial de valorização de cerca de 50% frente ao fechamento de ontem.

No exterior, os contratos do petróleo Brent, negociados em Londres e usados como referência pela estatal, subiram 3,95%, cotados em 47,88 dólares o barril, atingindo o nível mais alto desde março, com notícias promissoras sobre vacinas alimentando expectativas sobre uma recuperação mais rápida da demanda da commodity. Além disso, o início de transição de poder no governo americano, após autorização da agência de Administração e Serviços Gerais da Casa Branca (GSA), reduz incertezas políticas nos Estados Unidos e também contribuiu para o bom humor.

Ainda no radar da Petrobras, a empresa informou ontem que sua subsidiária integral Petrobras Global Finance (PGF) enviou notificações de resgate antecipado aos investidores de cinco títulos globais. Segundo a estatal, o valor total do resgate é equivalente a 2 bilhões de dólares, excluindo juros capitalizados e não pagos, e será financiado com recursos próprios. A precificação do resgate está prevista para o dia 18 de dezembro, enquanto a liquidação ocorrerá em 23 de dezembro.

Por outro lado, no mesmo setor, PetroRio (PRIO3), que tentou se firmar no campo positivo durante a sessão, fechou em baixa de 2,60%, como a maior queda do Ibovespa e descolada da alta da commodity, em movimento de realização de lucros. Nos últimos 3 pregões, os papéis da companhia acumulam alta de mais de 31%, após a companhia anunciar, na semana passada, a compra de participações em campos na região do pré-sal.

Vale

Seguindo o bom humor do mercado, os papéis da Vale (VALE3) subiram 4,92%, na sua sétima alta em oito pregões. Com o movimento, as ações da mineradora renovaram novamente máxima histórica de fechamento na Bolsa. Na mesma toada, batendo novo recorde histórico, os papéis da Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na Vale, registraram alta de 4,68% hoje. Um movimento mais ameno, no entanto, foi observado nos preços do minério de ferro, que subiram 0,14% no porto de Qingdao nesta terça, indo para 127,42 dólares a tonelada.

Bancos

O maior apetite ao risco dos investidores também impulsionou os papéis dos grandes bancos, vistos como porta de entrada dos estrangeiros na Bolsa brasileira. Bradesco (BBDC4) subiu 4,49%, enquanto Santander (SANB11), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) avançaram 3,55%, 2,80% e 2,67%, respectivamente.

Contribuindo para o otimismo com bancos, depois de ter elevado a recomendação do setor financeiro americano para overweight, equivalente a compra, na semana passada, o Credit Suisse voltou a destacar essas ações, em relatório hoje, apontando que estão atrativas sob a ótica de valuation. “Não só o setor parece barato em comparação ao mercado, como cada subgrupo parece bastante atrativo”, comentam os analistas.

Ânima Educação

Os papéis da Ânima Educação (ANIM3) caíram 1,96% após a companhia anunciar que fará uma oferta primária de até 36,45 milhões de ações com esforços restritos. Considerando o preço de fechamento de ontem, em 31,15 reais, a operação pode movimentar cerca de 1,1 bilhão de reais. A precificação está prevista para o dia 3 de dezembro.

Apesar da queda hoje, os analistas da Exame Research comentam que o movimento já era esperado pelo mercado, mas tem implicações positivas para a companhia. “A aquisição da Laureate, por R$ 4,4 bilhões, implica numa elevação brusca do endividamento da Ânima, e qualquer iniciativa para equalizar a gestão da dívida é bem-vinda. Considerando o bom momento operacional da companhia, independente dos ativos recém-adquiridos, espera-se uma recepção positiva do mercado, dada a boa execução da estratégia”.

Klabin

Segundo apurou o Valor Econômico, o BNDESPar, braço de investimentos em participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está se preparando para vender a fatia de 7,5% que detém da fabricante de papel e celulose. Considerando o preço atual da unit, a operação pode movimentar cerca de 2 bilhões de reais.

Os analistas da Exame Research comentam que, caso concretizada, a venda representa mais uma movimentação estratégica por parte do BNDES. “O banco já deixou claro que pretende vender sua presença em Bolsa, mas tem aguardado a valorização das cotações e não tem se desfeito a qualquer preço — no caso de Klabin, as units já sobem 25% em 2020, estando perto da máxima do ano”.

Para a Klabin, apontam, a venda do capital tende a trazer pressão negativa aos ativos, mas a demanda elevada pode amortecer eventuais quedas mais bruscas. De acordo com o jornal, há potenciais compradores que já começaram a enviar sinais de interesse nas ações.

Nesta sessão, as units da companhia caíram 0,34%, puxadas também pelo movimento de queda do dólar hoje. No mesmo setor, Suzano (SUZB3) recuou 1,03%.

Small caps

Os papéis da Tupy (TUPY3) subiram 4,44% nesta sessão. Em entrevista à EXAME Invest, Werner Roger, gestor da Trígono Capital, casa focada em small caps, apontou a ação da companhia como uma das que vê como descontadas em Bolsa e com grande potencial de valorização. Nessa mesma linha, ele também comentou sobre São Martinho (SMTO3) e Simpar (SIMH3). As duas últimas subiram 1,17% e 2,89%, respectivamente, nesta sessão.

Localiza

A Localiza (RENT3) espera que o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) aprove a combinação dos negócios com a Unidas no segundo semestre de 2021, de acordo com o diretor financeiro da companhia, Mauricio Teixeira, em entrevista à Bloomberg. Segundo ele, ainda há pouca visibilidade se algum tipo de remédio deverá ser exigido por parte do regulador.

Na sessão, as ações da companhia subiram 0,37%, enquanto os papéis da Unidas (LCAM3) avançaram 2,07%.

Carrefour Brasil

O Carrefour Brasil (CRFB3) se comprometeu a reverter o resultado das lojas apurado na última sexta-feira, 20, a projetos de combate ao racismo no país. A rede de supermercados também disse que criará um fundo para promover a inclusão racial e o combate ao racismo, com aporte inicial de 25 milhões de reais. Ontem, as ações da companhia caíram 5,4% após protestos durante o final de semana. As manifestações ocorreram depois que João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, foi sido espancado até a morte na última quinta-feira por seguranças que atuavam em uma loja da rede em Porto Alegre.

Hoje, as ações do Carrefour Brasil caíram 0,52%.

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