Petrobras desaba 21% e perde R$ 74,2 bi em valor de mercado com troca de CEO

Papéis têm pior pregão desde o começo de março do ano passado, após Bolsonaro decidir substituir o presidente da estatal

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4) afundaram 21,51% e 20,48%, respectivamente, nesta segunda-feira, 22, com investidores repercutindo o anúncio do presidente Jair Bolsonaro na última sexta-feira, já com o pregão fechado, sobre a saída do então CEO da estatal, Roberto Castello Branco, e indicação do general Joaquim Silva e Luna, ex-presidente da Itaipu e ex-ministro da Defesa, para o seu posto.

Essa é a maior queda dos papéis PNs desde o dia 9 de março de 2020, quando recuaram 29,70%, com o estouro da crise do coronavírus; para os ONs é o pior pregão desde 12 de março, quando caíram 21,08%. Com o tombo das ações, a companhia perdeu só hoje 74,244 bilhões em valor de mercado, segundo dados da Economatica.

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O anúncio de mudança no comando, após a empresa ter elevado os preços da gasolina e diesel na semana passada, foi visto pelo mercado como um aumento do risco de interferência política na companhia.

Em relatório desta segunda, os analistas do Credit Suisse rebaixaram a recomendação dos ADRs (American Depositary Receipts) da estatal de outperform, equivalente a compra, para underperform, equivalente a venda.

Eles também cortaram o preço-alvo dos ADRs PBR.N, que correspondem aos papéis ordinários da petroleira, de 16,00 dólares para 8,00 dólares, o que implica em um potencial de desvalorização de 20,4% frente ao fechamento da última sexta-feira.

Na visão dos analistas do banco suíço, tal decisão se traduzirá em um prêmio de risco mais alto exigido para as ações da empresa, além de trazer incertezas também sobre a política de preços da companhia e níveis de capex (investimentos em bens de capital).

Na mesma linha, a equipe de analistas da EXAME Invest Pro recomendou a venda das ações da Petrobras.

Bruno Lima, analista da casa, explicou que a tese em investimento em Petrobras oferecia três pilares em criação de valor: crescimento da produção sustentava por ativos do pré-sal de alta qualidade, desalavancagem sustentada pela alocação racional de capital, que envolveu a venda de ativos e uma política de dividendos coerente, além da redução do risco político com base na independência para buscar a paridade de preços internacionais e vender 50% da capacidade de refino.

“Estes últimos liberariam a empresa do fardo político de longa data de controlar os preços dos combustíveis. Com os acontecimentos dos últimos dias culminando na decisão do acionista controlador de solicitar a substituição do diretor presidente, não temos mais a confiança que estes pilares permanecerão.”

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