Petrobras atinge maior nível desde março e Vale tem novo recorde na Bolsa

Bancos sobem pelo terceiro pregão seguido; CVC dispara 9% e lidera ganhos do Ibovespa

As ações de commodities, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), apareceram entre as maiores contribuições em pontos para a alta do Ibovespa nesta terça-feira, 17, que registrou de ganhos de 0,77%, indo para 107.248 pontos, no maior patamar de fechamento desde 21 de fevereiro. Os papéis das companhias, que são vistos como porta de entrada dos estrangeiros, têm se beneficiado do fluxo positivo de estrangeiros para a bolsa brasileira. Na semana entre os dias 9 e 13 de novembro, os aportes dos estrangeiros somaram 14,508 bilhões de reais e, no mês, estão positivos em 17,7 bilhões de reais.

Tanto Petrobras quanto Vale emplacaram hoje o terceiro pregão de ganhos, com as ações da mineradora renovando máxima histórica de fechamento na Bolsa, enquanto os papéis PNs da petroleira bateram o maior patamar desde 5 de março.

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Petrobras

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que chegaram a cair nesta manhã puxadas pelos preços do petróleo, fecharam com alta de 1,13% no caso das ordinárias e 1,72%, das preferenciais. Esse foi o terceiro pregão seguido no positivo da estatal. Com o movimento, os papéis PNs, que encerraram cotados em 23,69 reais, atingiram seu maior patamar de fechamento desde 5 de março.

Contribuiu para o desempenho nesta tarde uma melhora nos preços do petróleo no exterior, com os contratos do Brent, usados como referência pela petroleira e negociados em Londres, virando para leve alta, depois de caírem mais de 1%, com expectativa de que membros da Opep+ mantenham o corte na produção da commodity por mais meses.

Ainda no radar da companhia, a Petrobras informou hoje o início da fase não-vinculante referente à venda da totalidade de suas participações nas concessões de Albacora e Albacora Leste, localizadas predominantemente em águas profundas na Bacia de Campos. Ontem à noite, a companhia comunicou que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (teaser), referente à venda de 50% de sua participação nas concessões de Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul, denominadas em conjunto como Polo Marlim, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos. A Petrobras disse que se manterá como operadora dos campos.

Vale

Também na sua terceira alta seguida, as ações da Vale (VALE3) subiram 3,16% nesta sessão, renovando recorde histórico de fechamento na Bolsa. Os papéis encerraram o pregão cotados em 66,97 reais. Além da contribuição do fluxo estrangeiro positivo na Bolsa brasileira, que se intensificou este mês, os papéis da Vale acompanharam a alta do minério de ferro. A commodity fechou com ganhos de 1,10% nesta terça-feira em Qingdao, na China, cotada em 125,44 dólares a tonelada. A Bradespar (BRAP4), holding que detém participações na Vale, avançou 3,23%, indo para 50,24 reais, também renovando sua máxima histórica de fechamento.

Nesta tarde, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais promove nova audiência entre a companhia, o governo do estado de Minas e partes interessadas na reparação e compensação pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro do ano passado. Analistas do Bradesco BBI comentaram, em relatório do mês passado, que um acordo final seria positivo para as ações da mineradora e reduziram o desconto em relação aos seus pares internacionais Rio Tinto e BHP Group.

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CVC

Liderando os ganhos em variação, apareceram as ações da CVC (CVCB3), com alta de 9,21%, depois de terem fechado com valorização de 1,4% ontem, mas afastadas da euforia vivida pelos papéis das aéreas, que chegaram a subir até 11% na véspera. Enquanto esses papéis comemoravam notícia sobre eficácia de vacina contra covid-19, as ações da CVC digeriam o balanço do terceiro trimestre da companhia, reportado no noite de sexta.

“O principal motivador para a alta da CVC é a vacina, que pode permitir que a sua receita volte a crescer com alguma previsibilidade. Ontem, mesmo com o balanço pior que o esperado, a notícia sobre a vacina acabou se sobrepondo”, disse Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

No mesmo sentido, Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, comenta que “ontem, a ação acabou não indo tão bem no ‘pacote’ de recuperação pela vacina. Gol, Azul e Embraer foram destaques de alta. O balanço veio ruim, mas com possíveis vacinas no horizonte, podemos dizer que esse é um driver importante”.

A CVC, que vem sofrendo com os efeitos da pandemia, teve prejuízo líquido ajustado de 142,6 milhões de reais, com queda de 87% da receita na comparação anual para 62 milhões de reais. A empresa, porém, informou ter terminado setembro com 1,65 bilhão de reais em caixa, sinalizando ter cacife suficiente para aguentar o momento desfavorável.

Em nota, a CVC Brasil esclareceu que denúncia do Ministério Público Federal mencionada mais cedo não tem relação com a companhia. “Guilherme Paulus não ocupa cargo executivo ou na administração da companhia. Lembramos que, conforme Comunicado ao Mercado divulgado pela companhia em 12/03/2019, a empresa que foi mencionada nas investigações da operação Check Out (3ª fase da Operação Descarte) e citada como “CVC Turismo” é na verdade a Operadora e Agência de Viagens TUR, empresa que não tem correlação com a companhia.”, diz a nota da assessoria de imprensa.

Linx 

As ações da Linx (LINX3) subiram 2,94% após a companhia informar nesta tarde que a Stone elevou em 268,59 milhões de reais a oferta a ser paga em dinheiro para aquisição da companhia. A nova proposta corresponde a um pagamento adicional em caixa de 1,50 por ação da Linx, totalizando um valor em dinheiro de 33,56 por ação.

Com base no preço de fechamento das ações classe A da StoneCo e PTAX do dia 16 de novembro de 2020, o preço total por ação da Linx, agora, corresponde a 38,06 reais, diz o fato relevante divulgado pela empresa — ou superior em 8,7% ao preço de fechamento dos papéis da companhia ontem em Bolsa (em 34,99 reais).

Isso porque a proposta contempla ainda mais 0,0126774 ações classe A da Stone, negociadas na Nasdaq, conforme termos iniciais. Pelo documento divulgado agora, a companhia diz que permanece inalterada a parcela a ser paga em ações classe A da Stone ou Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da Stone.

Ainda segundo o fato relevante, a nova proposta da Stone está condicionada à assembleia geral extraordinária marcada para esta tarde, assim como à aprovação dos itens do acordo. 

A assembleia, que estava prevista para às 14h teve início postergado para às 15h45 desta terça, devido à instabilidade na plataforma eletrônica oferecida pela empresa ALFM utilizada pela companhia, informou a Linx em comunicado ao mercado. A companhia informou ainda que decidiu usar a plataforma Zoom e os votos serão dados oralmente pelos acionistas.

B2W

A B2W (BTOW3) avançou 2,72%. Ontem, a empresa aprovou emissão de 350 milhões de reais em bonds com prazo de vencimento de 10 anos. No comunicado enviado ao mercado, a empresa disse que a entrada no mercado internacional de dívida tem por objetivo acessar uma nova fonte de recursos, com prazos maiores, alongando o perfil do endividamento da companhia.

Segundo o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, “a captação externa é importante para a empresa, possibilitando investimentos maiores em estoques, infraestrutura e logística”.

Bancos

Os papéis dos bancões, que caíram nesta manhã, também acompanharam o bom humor do mercado e subiram, emplacando o terceiro pregão seguido de ganhos. A maior alta veio do Santader (SANB11), com valorização de 1,85%, após informar ontem à noite que estuda cisão parcial de sua subsidiária de adquirência GetNet, com possível listagem em Bolsa. Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) subiram 0,59% e 1,38%, respectivamente, enquanto Itaú teve leve alta de 0,07%.

Em relatório, os analistas do Credit Suisse comentaram que, como a cisão da empresa seria feita a valor contábil, não geraria ganhos de capital em si para o Santander e a matriz, mas deve destravar valor para os acionistas já que a expectativa é que a GetNet negocie com um prêmio em relação à Cielo (CIEL3) e, consequentemente, aos multiplos do Santander Brasil.

“Estrategicamente, a operação está em linha com os planos da matriz de criar um negócio de pagamentos/adquirência global, além de dar oportunidades para a GetNet procurar outras avenidas de crescimento a mais do que a rede do banco. Outro ponto positivo importante, é que a transação se torna um veículo para futuras aquisições no setor de pagamentos. O Santander Espanha teria 90% da GetNet depois da cisão”, comentam os analistas.

Nos cálculos dos analistas do Credit, para 100% do negócio, estima-se que a GetNet poderia ser avaliada — em uma visão conservadora — entre 6 bilhões de reais e 9 bilhões de reais, com um múltiplo Preço Sobre Lucro (P/L) de 11 vezes a 16 vezes para 2021, versus 10,4 vezes para Santander no consenso do mercado. A GetNet reportou volume transacionado de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) de 241 bilhões de reais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre deste ano, ou 12% a 13% de participação de mercado do volume total de cartões.

Assumindo que, além dos resultados contábeis, a GetNet herdará o negócio de antecipação de recebíveis (que atualmente está contabilizado no banco), analistas do Safra chegam em cifras ainda maiores. Para eles, a companhia poderia valer 16,7 bilhões no mercado. Nas contas, eles consideram um múltiplo P/L para a empresa entre 15 vezes e 25 vezes, o que daria um prêmio sobre Cielo, mas com desconto em comparação com Stone e PagSeguros. Na avaliação dos analistas, a companhia vem ganhando participação de mercado no negócio de adquirência, o que pode inferir que poderá apresentar crescimento de lucros mesmo em um ambiente competitivo difícil.

Ainda segundo os analistas do Safra, a cisão da GetNet seria positiva para o Santander, pois poderia desbloquear valor para os acionistas do banco. Eles estimam algo em torno de 8 bilhões de criação de valor após a cisão (adicionando cerca de 6% de valor de mercado ao Santander), que seria impulsionado pelo maior múltiplo de negociação da GetNet em relação ao banco. Eles mantêm recomendação de compra para as units do Santander, com preço-alvo em 46,00 por ação para 2021.

NotreDame Intermédica

As ações da NotreDame Intermédica (GNDI3) caíram 2,95%. No radar, a companhia reportou ontem à noite seu balanço do terceiro trimestre. Apesar do resultado ter vindo positivo na visão do mercado, os papéis já haviam antecipado números bons, acumulando, do fechamento da última quinta-feira até ontem, ganhos de 6,7%.

“O resultado veio forte e ratifica o bom momento do setor — a Hapvida (HAPV3) já havia reportado um balanço bastante sólido no trimestre. Tanto os planos de saúde quanto os odontológicos da NotreDame Intermédica tiveram expansão na receita. Bons números, embora o desempenho firme já fosse esperado pelo mercado”, comenta o analista Bruno Lima, da Exame Research.

A companhia reportou lucro líquido ajustado de 265,5 milhões de reais no terceiro trimestre, aumento de 71% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida somou 2,7 bilhões de reais no trimestre, avanço de 24% na mesma base de comparação.

IMC

As ações da IMC (MEAL3), das marcas Frango Assado, Pizza Hut e KFC, avançaram 4,53%, após a companhia reduzir o prejuízo líquido para 5,1 milhões de reais. No segundo trimestre, mais afetado pelos impactos do coronavírus, a empresa havia registrado 382,8 milhões de reais de prejuízo líquido.

Qualicorp

Já os ações da Qualicorp (QUAL3), que chegaram a subir mais de 3%, fecharam com queda de 0,70%. A empresa reportou aumento anual do lucro líquido em 18,1% para 130,9 milhões de reais. Segundo a Qualicorp o resultado positivo se deu em função da redução dos custos de vendas, gerais e administrativos. A empresa também anunciou a compra de 75% da Plural Gestão de Saúde e Oxcorp Corretora por 202,5 milhões de reais.

Dommo Energia

As ações da Dommo Energia (DOMMO3), antiga OGX de Eike Batista, subiram 7,56% após a companhia apresentar lucro líquido de 185,6 milhões de reais ante o prejuízo líquido de 98,5 milhões de reais registrado no mesmo período do ano passado.

Rede D’Or

A Rede D’Or definiu ontem a faixa de preço por ação em oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) entre 48,91 reais e 64,35 reais, segundo prospecto preliminar publicado na CVM.

Segundo Bruno Lima, analista da Exame Research, independentemente do preço, o IPO será um dos maiores da história da Bolsa brasileira — com fundos e investidores importantes já manifestando interesse, de acordo com matéria do Brazil Journal, citando fontes. “A Rede D’Or é a maior companhia hospitalar da América Latina e, com os recursos a serem levantados no IPO, poderá acelerar as aquisições e fazer frente à expansão da Intermédica e do Hapvida”, diz o analista.

A oferta da companhia envolve a distribuição primária de 146,68 milhões de ações ordinárias e distribuição secundária de até 50,99 milhões de ações ONs. A precificação do IPO está prevista para o dia 8 de dezembro, com início das negociações no Novo Mercado da B3 no dia 10 de dezembro.

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