Os segredos dos 3 fundos multimercados mais rentáveis de 2020

Fundos das gestoras Versa, Santander Asset e BB DTVM tiveram em comum o fato de anteciparem o momento certo de buscar proteção quando a pandemia começou

O ano de 2020 foi marcado por reviravoltas. O otimismo registrado nos primeiros dois meses do calendário foi frustrado pela chegada da pandemia de Covid-19, que fez desabar as bolsas de valores ao redor do mundo. A partir de novembro, no entanto, a tendência se inverteu. A promessa da vacina deu esperança aos investidores e os mercados engataram em um forte rali.

Os maiores ganhos ficaram com os produtos que conseguiram captar essas idas e vindas, como o fundo Versa (Versa Long Biased FI Multimercados). O produto entregou 83,79% de retorno a seus cotistas no ano passado e foi o multimercado com a melhor performance do ano, segundo o ranking da Economatica elaborado a pedido da EXAME Invest. Veja abaixo os melhores desempenhos:

Os três melhores fundos multimercados de 2020

Colocação Nome Gestora Retorno em 2020

1

Versa Long Biased FI Mult Versa Gestora de Recursos Ltda

83,79%

2

Santander FI Global Equities Mult Ie Santander Brasil Gestao de Recursos Ltda

61,34%

3

BB Mult LP Fx Balanced Ie Private FI BB Dtvm S.A

48,90%

Versa Fit Long Biased FI Mult Versa Gestora de Recursos Ltda

48,90%

Fonte: Economatica. Acesse o ranking completo aqui

A gestora, a propósito, também aparece em terceiro lugar do pódio com o fundo Fit (Versa Fit Long Biased FI Multimercados). O produto é idêntico ao irmão Versa, com apenas uma diferença: a carteira é reduzida pela metade. Ou seja, se o Versa compra 30% do patrimônio de uma determinada ação, o Fit compra 15%. A estratégia reduz pela metade o risco e o retorno do segundo fundo, que teve ganhos de 48,9% no ano passado. Ambos os fundos estão disponíveis para investidores em geral.

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Para Luiz Fernando Alves Jr., gestor da Versa, a receita para o desempenho foi uma combinação entre proteção e desproteção da carteira, observando os momentos certos. “Começamos 2020 com uma carteira otimista, mas enfiamos o pé no freio com muita força logo no início da crise. Zeramos toda a posição na bolsa quando o Ibovespa estava em 110 mil pontos e recompramos quando chegou aos 80 mil pontos. Conforme a bolsa se recuperou, subimos junto”, conta.

Luiz Fernando Alves – gestor da Versa foto: Leandro Fonseca data: 12/11/2020 Luiz Fernando Alves, gestor da Versa | Foto: Leandro Fonseca/ EXAME

Luiz Fernando Alves, gestor da Versa | Foto: Leandro Fonseca/ EXAME (Leandro Fonseca/Exame)

Os fundos Versa e Fit — assim como outros produtos long biased — são focados em ações. Em tradução livre, o termo “long biased” indica um produto “comprado” em uma certa tendência de alta. Ou seja, o fundo aposta na compra de ativos esperando valorização futura. Os produtos também possuem alto risco porque são alavancados: tomam recursos emprestados para realizar operações com valores acima do saldo do fundo.

“Tivemos muita volatilidade no portfólio ao longo de 2020, mas mantivemos a mesma carteira de antes da crise, com grande peso de construtoras e varejistas. Para 2021, mantemos o olhar otimista para o mercado interno”, avalia Alves.

Multimercados com investimentos no exterior

Apesar de o topo do pódio ter ficado com um fundo voltado para ações brasileiras, os multimercados que apostaram no exterior foram o grande destaque de 2020. A rentabilidade acumulada desses produtos foi de 12,2%, contra 2,9% do Ibovespa e 2,76% do CDI. Os dados são da Anbima, associação que reúne as entidades do mercado de capitais.

Não à toa, o segundo e terceiro lugar do ranking foram ocupados por fundos dessa categoria. O produto da Santander Asset registrou rentabilidade de 61,34% em 2020, enquanto o fundo da BB DTVM, gestora do Banco do Brasil, teve ganhos de 48,9%, empatando com o Versa Fit. Os dois produtos são restritos para investidores qualificados, aqueles com mais de 1 milhão de reais em aplicações financeiras ou certificação técnica que concede esse status.

Para a Santander Asset, a grande vantagem de seu produto é a chamada “gestão ativa tática”, que usa a presença global do banco para obter insights de seleção de ativos e decisão geográfica de alocação. O verdadeiro segredo do sucesso em 2020, no entanto, foram boas escolhas de alocação aliadas à valorização do dólar. 

Renato Santaniello, head da área de soluções de investimento da Santander Asset Renato Santaniello, head da área de soluções de investimento da Santander Asset

Renato Santaniello, head da área de soluções de investimento da Santander Asset (Divulgação/Divulgação)

“Metade do resultado do fundo foi influência do câmbio. Já os outros 50% são divididos entre a boa performance dos ativos que escolhemos e a decisão tática de rebalancear a carteira na hora certa. É muito difícil para o cliente acompanhar o mercado externo com profundidade, e o fundo oferece essa solução de forma simples”, diz Renato Santaniello, head da área de soluções de investimento da gestora

Nos primeiros momentos da crise, a decisão foi proteger o portfólio com posições mais conservadoras, seguidas de uma aposta forte no setor de tecnologia — um dos mais beneficiados durante o ano passado. “Para 2021, o foco, por enquanto, é a Ásia. É um continente que demonstrou uma recuperação forte, principalmente da China, e que deve performar muito bem neste ano”, avalia Santaniello.

A estratégia guarda semelhanças com aquela implementada pelo fundo da BB DTVM. “Alocamos uma parte significativa do portfólio em tecnologia e o setor performou muito bem. O fundo também foi favorecido por ter apostado na China, país que demonstrou uma rápida recuperação da crise”, comenta Frederico Monteiro, head de gestão de fundos offshore e alocação no exterior da BB DTVM.

Frederico Monteiro, head de gestão de fundos offshore e alocação no exterior da BB DTVM Frederico Monteiro, head de gestão de fundos offshore e alocação no exterior da BB DTVM

Frederico Monteiro, head de gestão de fundos offshore e alocação no exterior da BB DTVM (Divulgação/Divulgação)

Para além das boas apostas, Monteiro acredita que o principal valor entregue ao cotista do fundo foi o bom equilíbrio entre ações e renda fixa. O fundo registrou valorização, em dólares, de 36% para a carteira de ações e de 9,46% para a porcentagem alocada em renda fixa.

“O fundo alocou recursos em setores mais defensivos entre março e abril. Quando vislumbramos sinais de recuperação, colocamos mais risco na carteira. Iniciamos o ano com um portfólio de 50% para renda fixa e 50% para ações e encerramos com uma aposta em ações próxima de 65%”, comenta o gestor. Para 2021, a meta é não embarcar em ativos já bem precificados, como as próprias ações de tecnologia, que, para Monteiro, já estão caras.

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