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'TACO trade': 3 sinais do mercado após queda do petróleo e rali das ações

Movimento revela reposicionamento rápido com foco em juros, energia e risco geopolítico

Mercados: preços indicam que investidores já começaram a desmontar posições defensivas. (Jackyenjoyphotography/Getty Images)

Mercados: preços indicam que investidores já começaram a desmontar posições defensivas. (Jackyenjoyphotography/Getty Images)

Publicado em 9 de abril de 2026 às 13h05.

O mercado consolidou o chamado "TACO trade" — dinâmica em que ativos reagem rapidamente a sinais de desescalada geopolítica — e passou a enviar três sinais aos investidores com a trégua da guerra no Irã. São eles a rotação setorial imediata, o prêmio ainda elevado no petróleo e a mudança no comportamento do ouro.

O primeiro recado foi uma certa definição de vencedores e perdedores em um cenário de desescalada. Setores sensíveis a custos de energia e juros — como aéreas, cruzeiros, varejo de construção e tecnologia — lideraram ganhos.

Petróleo

Empresas de energia, todavia, recuaram com a queda do petróleo. O Brent recuou para cerca de US$ 95, após superar os US$ 100, enquanto o S&P 500 avançou 2,5%, em um dos movimentos mais fortes desde 2020.

O mercado ainda embute prêmio de risco, segundo fontes consultadas pelo Business Insider. O Brent, ainda assim, segue bem acima do nível pré-conflito, quando girava entre US$ 60 e US$ 70 por barril.

A correção recente sugere, para as fontes ouvidas pela revista, apenas uma revisão de expectativas sobre o tempo necessário para esse ajuste, não sua eliminação.

Ouro

Já o ouro subiu até 4% no dia, mesmo com menor tensão geopolítica, reforçando uma mudança de comportamento. O metal tem reagido mais à expectativa de corte de juros do que à busca por proteção.

A perspectiva de queda das taxas, diante de um possível alívio inflacionário com petróleo mais barato, aumenta a atratividade do metal, que não oferece rendimento.

Só que a normalização do fluxo por um dos principais canais de escoamento do petróleo do mundo, o Estreito de Ormuz, segue incerta e pode alterar rapidamente o humor do mercado.

Os preços dos ativos globais indicam, até então, que investidores já começaram a desmontar posições defensivas e migrar para ativos mais sensíveis ao ciclo econômico, conforme avaliação de fontes para o Business Insider.

O que é o TACO trade

O TACO trade (sigla para Trump Always Chickens Out ou "Trump sempre amarela" na tradução livre) descreve uma estratégia adotada por investidores que identificaram um padrão recorrente na atuação de Trump.

O movimento consiste em ameaças iniciais agressivas, que elevam a aversão ao risco, seguidas por recuos que impulsionam ativos de risco.

A dinâmica ganhou força em 2025, durante episódios de escalada tarifária e tensões comerciais.

Na prática, o padrão se repete: anúncios de tarifas, sanções ou ações militares elevam commodities como petróleo e pressionam ações; posteriormente, o recuo político gera alívio e recuperação dos mercados.

Segundo relatos de mercado e análises publicadas por instituições financeiras, traders passaram a antecipar esse comportamento.

O resultado foi a consolidação de estratégias baseadas no ciclo de "choque e recuo", com ganhos táticos em renda variável e commodities.

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