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O refúgio do JP Morgan para enfrentar a 'montanha-russa' da inflação

JP Morgan vê com preocupação um "risco silencioso à riqueza", podendo destruir patrimônios a partir de choques inflacionários sucessivos

Inflação: commodities e infraestrutura são citados como refúgios para preservar o patrimônio. (Deagreez/Getty Images)

Inflação: commodities e infraestrutura são citados como refúgios para preservar o patrimônio. (Deagreez/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 12 de maio de 2026 às 10h13.

A economia global pode estar na iminência de ser atingida por choques inflacionários com o aumento de preços ao consumidor acima de 2% da meta do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed).

O cenário, traçado por análise do JP Morgan, mostra preocupação sobre um "risco silencioso à riqueza", podendo destruir patrimônios.

A preocupação central recai sobre a volatilidade gerada pela guerra no Irã, que impulsionou os preços do petróleo e provocou grande disrupção nos custos globais de energia em diferentes países e setores.

Crise da década de 1970 no radar?

Os analistas chegam a comparar a trajetória atual com a crise inflacionária da década de 1970, quando os EUA registraram dois surtos de alta nos preços que culminaram em um pico de 14% em 1980.

"Uma lição preocupante da década de 1970, e um risco atual, é que choques de preços podem se normalizar rapidamente quando ocorrem em rápida sucessão", escreveram em relatório.

Mas fazem questão de ressaltar que esse cenário parece ser improvável, já que o piso da inflação no período pós-pandemia está consolidado em um nível superior ao observado naquele período.

E o banco observa que o crescimento anual dos preços já se mostrava persistente, ficando acima de 3% antes mesmo do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, segundo dados compilados pelo BI.

Inflação de abril será divulgada hoje

O risco atual reside na normalização desses choques sucessivos, com o JP Morgan detalhando que os preços ao consumidor já haviam sofrido pressões devido à pandemia e ao conflito entre Rússia e Ucrânia.

"Continuamos acreditando que o piso da inflação é mais alto do que era antes da pandemia e que a correlação entre ações e títulos pode agora ser estruturalmente maior", acrescentou.

Essa dinâmica impõe desafios severos para a manutenção de portfólios de investimento, especialmente para a estratégia clássica composta por 60% em ações e 40% em títulos, explicou a instituição.

As carteiras compostas por essa essa estratégia podem ter dificuldades enquanto houver inflação e volatilidade, uma vez que a correlação entre essas classes de ativos pode se tornar estruturalmente maior.

Outras instituições, como a BlackRock e a Charles Schwab, também concordam que o caminho será instável, prevendo que os preços podem apresentar altas intermitentes antes de qualquer queda definitiva.

JP Morgan sugere ativos-commodities

Como alternativa de proteção, a instituição financeira sugere a alocação em ativos atrelados a commodities, com foco em ações de empresas do setor, infraestrutura e imóveis.

O relatório enfatiza que esses segmentos, historicamente, entregam grandes ganhos em ciclos de inflação.

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