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Ler o mercado e saber identificar oportunidades de curto prazo é o que fazem os traders. Mas mais importante que isso é saber controlar os riscos. Isso é o que afirma Luís Barone, trader e sócio-diretor da Galapagos Capital, responsável pela área de gestão de fortunas. Barone compara a mesa de operação a um campo de batalha. Quem se arrisca demais acaba morrendo, ou, no caso, quebrando.

"O bom trader tem que estar disposto a zerar a posição se estiver perdendo. Tem que ter medo de perder dinheiro", afirmou Luís Barone em entrevista à EXAME Invest. "O investidor que não é profissional, a pessoa física, dificilmente zera uma posição no prejuízo. O estômago é diferente do de uma tesouraria de banco."

Economista formado pela Universidade de São Paulo, Luís Barone iniciou sua carreira no mercado financeiro na tesouraria do Unibanco, onde ficou por 9 anos. Ainda como estagiário, desenvolveu um método de controle de risco para negociações de ouro e foi efetivado como trader de renda fixa. Após uma passagem de dois anos como head trader de renda fixa da suíça Asea Brown Boveri, foi para a JBS, montar a área de negociações de derivativos. No gigante dos frigoríficos ficou até 2012, quando saiu para montar o negócio que daria origem à Galapagos Wealth Management, com R$ 11 bilhões sob gestão. A Galapagos Capital, que também abrange outras áreas. como de FIDC e fundos líquidos, tem mais R$ 20 bilhões sob gestão.

Embora tenha mudado de dinâmica em relação ao início da carreira, Barone diz que ainda permanece como "cabeça de tesouraria", o que facilita na identificação de posições rentáveis em operações de curto prazo. Uma das posições táticas que tem utilizado é a aposta nos títulos prefixados, que devido a marcação à mercado, variam de acordo com as expectativas de juros e inflação da economia brasileira.

Riscos e oportunidades

"O prefixado está pagando cerca de 10,5%. Como acredito que o juro vai cair para perto de 8,5%, tem algum dinheiro aí. É um trade que estamos fazendo. Mas estou olhando todo dia e tenho uma equipe por trás para auxiliar na tomada de decisão. Se, por um momento, eu ver que minha decisão foi errada, eu vou zerar a posição. Também costuma fazer alguma proteção quando entro em uma posição mais tática", afirmou Barone.

A tese de que o juro deverá cair mais que o precificado pelo mercado, explicou Barone, se deve à baixa probabilidade de o Federal Reserve (Fed) voltar a subir os juros nos Estados Unidos. "Isso deve levar o dólar a se desvalorizar no mundo. Então, parece que as pressões inflacionárias estão contidas no Brasil. Logo, o nosso juro de equilíbrio é um pouco menor. Portanto, o ritmo de cortes do Banco Central deverá continuar. Tudo isso para afirmar que um título prefixado com vencimento em janeiro de 2025  ou de 2026 parece uma boa aposta."

Montar uma posição estrutural em prefixados, porém, pode ser arriscado demais na visão do economista, especialmente no mercado brasileiro. "O Brasil é um país em que a inflação surpreende muito mais para cima do que para baixo. Então, quando você aplica no prefixado, você tem que ter um gatilho para zerar." Segundo Barone, só vale a pena estar comprado em títulos prefixados no Brasil em 20% do tempo. E estamos justamente nesses 20%. "Mas, no prefixado, há a possibilidade de, proporcionalmente, ganhar 1 e perder 5. Tem que estar preparado para zerar a posição."

Mas, para o pequeno investidor não muito habituado ao mercado ou sem tempo para acompanhar a todo momento, Barone vê esse tipo de operação como arriscado demais. "Talvez faça algum sentido, nesse caso, montar uma pequena posição em NTN-B de curto prazo." O título é atrelado à inflação e tem um percentual extra prefixado. "A NTN-B tem um seguro em relação ao prefixado, já que ele captura a alta da inflação."

Bolsa x CDI

Na maior parte do tempo, afirmou, títulos atrelados ao CDI são os que oferecem o melhor risco/retorno no Brasil, segundo Barone. A dinâmica diferente da americana, em que a população deixa parte significativa da poupança no mercado de ações, o gestor de fortunas avalia que a volatilidade e incertezas que fazem parte da história do país aumentam a necessidade de cautela do investidor local.

"As oscilações são muito grandes. Por isso, prefiro o crédito privado. A bolsa subiu 12% em novembro, mas é difícil acertar o timing. Como isso chacoalha muito, prefiro entregar para o cliente um retorno de CDI mais 4% ou 3% ao ano, que já é uma rentabilidade significativa. Com o CDI do Brasil, não vale o risco da bolsa." 

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