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Mesmo com Ifix abaixo da bolsa, número de investidores em FIIs cresce

Do total de cotistas, 72,9% são pessoas físicas, enquanto 21,2% são investidores institucionais

FIIs: número de cotistas aumenta 7% entre 2024 e 2025 (Germano Lüders/Exame)

FIIs: número de cotistas aumenta 7% entre 2024 e 2025 (Germano Lüders/Exame)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 12h33.

O crescimento abaixo da bolsa do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix), em 21% versus 34% do Ibovespa em 2025, não impediu que o número de investidores em Fundos Imobiliários (FIIs) crescesse no ano passado, segundo dados divulgados pela B3.

O aumento foi de 7%, saltando de 2,78 milhões em dezembro de 2024 para 2,96 milhões em dezembro de 2025. Comparado ao mesmo mês de 2022, quando o número de investidores estava em 1,97 milhão, o aumento foi ainda mais expressivo, em 50%.

“A resiliência do número de cotistas, mesmo em meses de maior volatilidade no Ifix, sugere que os investidores compreendem a natureza cíclica do setor imobiliário. O perfil que vem ganhando cada vez mais espaço é da pessoa física que reinveste os dividendos e foca na formação de renda para o futuro”, diz Henio Luiz Scheidt, gerente de produtos da B3.

Desse montante, 72,9% são pessoas físicas, enquanto 21,2% são investidores institucionais, 4,5% investidores não residentes e 0,3% instituições financeiras. A valorização, quando comparada ao Ibov, pode parecer baixa, mas foi a maior desde 2019.

“Em geral, o investidor de varejo tende a olhar com mais atenção para classes de ativos que estão performando bem em janelas mais curtas. A maior facilidade no acesso à informação, e o avanços na disseminação da educação financeira também contribuem para o crescimento da indústria”, afirma Guilherme Loureiro, gestor de Real Estate da Inter Asset.

No entanto, a dinâmica de negociação revela uma participação mais equilibrada, com as pessoas físicas responsáveis por 42,1% do volume transacionado no mês, seguidas de perto pelos investidores institucionais, com 35,8%, e pelos não residentes, com 19,3%.

Número de fundos também aumenta

o número de FIIs disponíveis para negociação subiu de 414 para 429 entre dezembro de 2024 e o mesmo mês de 2025. O estoque de FIIs com posição em custódia na bolsa saltou de R$ 167 bilhões para R$ 194 bilhões no mesmo período — um avanço de 16,2%.

“A indústria começa a convergir para fundos maiores e consolidados, mais líquidos, com maior estabilidade de renda e menos assimetrias. Estes fatores acabam tornado o mercado mais eficiente e reduzem o espaço para especulação”, diz Loureiro.

E a queda de juros pode colaborar para ampliar esse movimento.

Considerando o patamar de precificação atual, o corte da Selic, segundo Loureiro, deve impulsionar os fundos em um processo de apreciação nas cotações, uma vez que ainda existem muitos FIIs descontados frente ao valor justo dos ativos investidos, e ao potencial de geração de renda.

Considerando níveis de inflação mais controlados, e a redução na taxa Selic, “seria natural que o segmento de fundos de tijolo fosse o mais beneficiado”, conclui o especialista da Inter Asset.

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