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IRB: uma ex-queridinha do mercado de volta ao radar dos investidores

Após escândalos e prejuízos, a resseguradora dá sinais de normalização e volta a atrair investidores com lucros, solvência recorde e perspectiva de dividendos

IRB: após crise, resseguradora volta ao radar com lucro e dividendos no horizonte (Divulgação/IRB(Re)/Divulgação)

IRB: após crise, resseguradora volta ao radar com lucro e dividendos no horizonte (Divulgação/IRB(Re)/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h00.

Quem acompanha o mercado de capitais há algum tempo sabe que a história da maior resseguradora do Brasil, IRB(Re), daria um roteiro de cinema, com direito a heróis, vilões e reviravoltas. Não faz muito tempo, a empresa estava na UTI financeira. Agora, já desperta otimismo, com expectativas para retomar aquilo que fazia de melhor: distribuir dividendos.

A companhia passou de queridinha dos investidores para "desquerida". Teve sua credibilidade afetada por balanços que registravam vendas de shoppings como lucro de resseguros. Chegou a se apresentar como investida de Warren Buffett, para ser desmentida logo em seguida. A reputação da companhia que caiu nas graças de Luiz Barsi, o Buffett brasileiro, chegou ao fundo do poço com uma fraude contábil.

A companhia, porém, deu sinais de melhora em 2025, sob uma nova gestão. Ao comentar o balanço da companhia no terceiro trimestre do ano passado, o BTG Pactual  chegou a afirmar que o turnaround da empresa estava "está essencialmente completo”.

Os números mais recentes mostram eficiência, na visão de especialistas, e o BTG Pactual projeta um lucro de R$ 630 milhões para 2026, impulsionado por um controle rígido de despesas e um resultado financeiro que continua forte, mesmo com expectativa de cortes na Selic para este ano. No negócio de resseguros, os juros altos são bons para os resultados.

As políticas estão mais disciplinadas

Essa visão de normalização também é compartilhada por Aline de Souza Cardoso, do Santander Investment & Corporate, que destacou que o IRB(Re) agora opera sob políticas muito mais disciplinadas e conservadoras, sugerindo um distanciamento real dos problemas de 2020. Hoje a ação é negociada a R$ 54,26.

“A eliminação dos prejuízos fiscais acumulados em 2025 e a retomada esperada do pagamento de dividendos em 2026 reforçam ainda mais a narrativa de normalização do balanço patrimonial e restauração gradual da lucratividade”, diz o relatório do Santander, que tem recomendação de “compra” e preço-alvo de R$ 66 para a ação.

A analista utiliza um modelo de avaliação que projeta o comportamento da empresa até 2034 e assume que, em um segundo estágio de maturação, o IRB(Re) possa distribuir cerca de 50% do seu lucro em dividendos. O banco enxerga um cenário onde a empresa não apenas fica de pé, mas restaura gradualmente sua lucratividade.

Retorno dos dividendos é mais do que esperado

O índice de solvência, que mede a capacidade da resseguradora de cumprir suas obrigações, bateu recorde de 251%. Aliado a isso, está o caixa robusto, o que aumentam as apostas de que a empresa voltará a pagar dividendos este ano. O JP Morgan, em reavaliação histórica, elevou a recomendação dos papéis direto de “venda” para “compra”, elegendo-o como sua escolha preferida no setor.

O analista Guilherme Grespan e a equipe do banco americano acreditam que o IRB(Re) pode pagar 8% de rendimentos de dividendos (dividend yield, em inglês) em 2026, 13% em 2027 e 18% em 2028 devido a um “trunfo fiscal”, pois os prejuízos do passado viraram créditos tributários que vão blindar o lucro por um bom tempo.

Setor de seguros patina, mas IRB(Re) surfa

O Citi é outro que, quando o assunto é o IRB(Re), muda o tom ao se mostrar confiante em “melhorias graduais” na companhia, apesar de manter uma postura mais conservadora com o segmento de seguros no geral, prevendo dificuldades para os prêmios crescerem e uma sinistralidade que deve subir para todo mundo após anos de calmaria.

No caso do IRB(Re), os analistas do banco acreditam tanto numa volta por cima que elevaram o preço-alvo para R$ 60, apostando que a companhia vai anunciar a retomada do pagamento de proventos já no primeiro trimestre, com um “payout” inicial de 30%. Os números recentes também dão fôlego para esse otimismo, com dados divulgados em outubro mostrando um índice de sinistralidade de 51% e um índice combinado de 84%.

No buy side, a Apex Capital, gestora de ações, também está comprando a tese. "Seguimos gostando da história. Papel andou, mas ainda achamos atrativo. Ao longo desse ano de 2026, achamos que a empresa deve voltar a crescer prêmios, tanto no Brasil quanto no mercado internacional, o que por si só já deveria ser positivo", diz Paulo Weikert, sócio-fundador da casa.

"Acreditamos que a IRB(Re) deve ser capaz de crescer seu lucro com CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta, na tradução para o português) de dois dígitos para os próximos três anos, o que sustenta a tese de que o valuation ainda é barato, já que a ação negocia a 7x lucro em 2026", detalha Weikert, que também vê um índice de solvência alto e bastante caixa, o que deve permitir que a IRB(Re) aumente o payout em 2026 e em 2027.

Embora o otimismo domine, os analistas lembram que a recuperação não é uma linha reta. O Santander deixa o alerta ligado para alguns riscos, como o possível crescimento dos prêmios demorar mais do que o esperado para engrenar, e o setor rural apresentar sinistros altos por mais tempo, o que exigiria atenção redobrada do investidor.

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