Os 10 Fiagros que mais pagam dividendos; valor chega a 1,84% por mês

Desde o início do ano, em média, os Fiagros vêm entregando retornos acima do CDI, que atualmente paga 1,12% ao mês
Agronegócio: no topo do ranking, está o LSAG11 (Leste), que como todos os Fiagros investem em CRAs (Alexis Prappas/Exame)
Agronegócio: no topo do ranking, está o LSAG11 (Leste), que como todos os Fiagros investem em CRAs (Alexis Prappas/Exame)
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Redação Publicado em 28/10/2022 às 06:00.

Em outubro, os fundos que investem no agronegócio (Fiagros) distribuiram dividendos médios de 1,47%, segundo levantamento divulgado pela Órama.

No topo do ranking, o LSAG11 (Leste) distribuiu dividendos de 1,84% no período, equivalente a R$ 1,92. Já o VGIA11 (Valora) registrou distribuição de 1,55% (R$ 0,16), o EGAF11 (Eco Agro) de 1,45% (R$ 4,36), o OIAG11 (Fator ORE) de 1,41% (R$ 0,14) e o FGAA11 (FG/A) de 1,40% (R$ 0,14).

Desde o início do ano, em média, os Fiagros vêm entregando retornos acima do CDI, índice de referência para investimentos em renda fixa que atualmente paga 1,12% ao mês.

Assim como os Fundos Imobiliários (FIIs),os Fiagros também são isentos de Imposto de Renda sobre dividendos. 

Atualmente, existem 21 fundos negociados em bolsa, que somam um valor de mercado de mais de R$ 4,7 bilhões.

Apesar do ambiente desafiador para o mercado de renda variável desde o 2º semestre do ano passado, quando a Selic passou a subir, os fundos mantêm seu crescimento.

Por que os Fiagros estão conseguindo superar o CDI?

O comportamento, segundo a analista da Órama, Anna Clara Tenan, é explicado pela natureza dos ativos investidos por esse tipo de fundo.

Atualmente, todos os FIagros negociados na bolsa tem como objetivo o investimento em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). Os gestores vêm preferindo esse tipo de produto devido à demanda dos investidores.

Diante da maior procura pelos CRAs, os Fiagros começaram a financiar também empresas de menor porte do setor, o que colaborou para o cenário de rendimentos maiores.  Até então, os CRAs emitidos eram destinados ao financiamento de companhias de maior porte e, consequentemente, com spreads mais baixos.

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O mesmo fenômeno foi visto nos últimos anos entre os fundos imobiliários. O segmento registrou um crescimento exponencial de FIIs de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) porque esses fundos tendem a distribuir dividendos mais altos.

Por se tratar de investimento em ativos de crédito, fundos que investem em CRIs e CRAs conseguem repassar mensalmente a receita proveniente do pagamento de juros e variação do indexador (IPCA, IGP-M, CDI).

Já os FIIs de tijolo, que investem diretamente em imóveis, têm renda atrelada a contratos de aluguel, que são reajustados uma vez por ano e estão sujeitos a impactos de vacância e renegociações.

Para os Fiagros, a situação é similar: fundos que investem em CRAs tendem a entregar dividendos recorrentes mais altos do que aqueles que investem diretamente em terras. Além disso, fundos que investem em terras apresentam características e riscos ainda pouco conhecidos pelo pequeno investidor. Diante deste cenário, os gestores observaram mais oportunidades para criarem Fiagros de CRAs.

Diferente de CRIs, que normalmente tem seus lastros atrelados a indicadores de inflação, os CRAs, historicamente, apresentam mais operações atreladas ao CDI. Portanto, no cenário atual de juros em patamares elevados, e inflação arrefecendo (com meses apresentando deflação pontual), fundos que investem em CRAs conseguem se destacar.

Em setembro, 89% das carteiras estavam atreladas ao CDI com um spread médio de 5,02% (versus 4,9% em agosto). É necessário também considerar no cálculo as despesas dos fundos (taxas de administração, gestão, performance, custos de transações), que reduzem o resultado para o cotista. Entretanto, é possível concluir que esses fundos conseguem entregar de forma recorrente um retorno líquido ainda acima do CDI, e isento de IR.

Ainda é hora de investir em Fiagros?

Ante a estabilidade da Selic, ainda é hora de adquirir um Fiagro? A analista aponta que sim. "O ciclo monetário pode ter sido encerrado, mas são previstos cortes na Selic apenas no segundo semestre de 2023. Ou seja, até lá, os dividendos devem permanecer em níveis altos".

A distribuição de dividendos atrai, mas não deve ditar a escolha por um fundo, conclui a analista. "É necessário também considerar o risco da carteira, e investigar por que o fundo está pagando mais lucro agora. Às vezes havia um lucro retido que não será mais pago a partir de agora, ou ele pode passar por um problema de crédito que vai impedi-lo de pagar proventos como antes".

Por fim, Tenan aponta que o setor de agronegócio é um segmento resiliente e defensivo: com perfil anticíclico, vem representando a cada ano um percentual maior do PIB do país: em 2021 representou 27,5%. Além disso, o crédito subsidiado não está dando conta da demanda do setor, e por isso o mercado de capitais vem se tornando uma alternativa importante para financiamento de empresas e produtores rurais.