Entrada do sócio capitalista vai mudar a vida do agente autônomo, diz EQI

Mudança na regulação pode criar um ecossistema de startups no setor, argumenta Juliano Custódio, CEO da empresa
Juliano Custódio, CEO da EQI | Foto: EQI/Divulgação (EQI/Divulgação)
Juliano Custódio, CEO da EQI | Foto: EQI/Divulgação (EQI/Divulgação)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 01/09/2021 às 06:05.

Última atualização em 31/08/2021 às 22:43.

O mercado de agentes autônomos de investimento (AAIs) dobrou de tamanho no último ano. Em junho de 2021, o Brasil contava com 12.624 agentes, um aumento de 51,6% em relação ao ano passado, segundo dados da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras (Ancord).

O crescimento é forte, mas poderia ser ainda mais acelerado com a inclusão de um novo parceiro no negócio: o sócio capitalista. “A proposta é que os escritórios de AAIs possam contar com sócios. É algo que pode transformar radicalmente a vida do agente autônomo porque, atualmente, só as próprias corretoras podem colocar dinheiro nesse tipo de empresa”, afirma Juliano Custódio, sócio e CEO da EQI, em entrevista à EXAME Invest.

A inclusão do sócio capitalista é uma das propostas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para reformular as regras para os agentes autônomos. Na visão de Custódio, a mudança pode ser radical, transformando o mercado de AAIs em um ambiente propício para startups e novos negócios. 

“Fundos de venture capital e investidores-anjo vão poder investir desde muito cedo, trazendo escala e permitindo um crescimento ainda mais rápido do negócio”, diz. 

O regulador do mercado de capitais também propôs o fim da exclusividade para agentes autônomos, permitindo que os AAIs possam se associar a mais de uma corretora. Era uma demanda antiga do mercado. Mas, na visão do CEO, a alteração não deve ter efeitos práticos no curto prazo.

“É uma alteração que vai impactar muito pouco o mercado, já que a exclusividade deve continuar via contratos bilaterais – as corretoras não querem perdê-la”, argumenta. 

Custódio também comentou sobre a posição da EQI em relação à exclusividade, uma vez que o escritório está a caminho de se tornar também uma corretora. Confira a entrevista abaixo:

Qual é o ponto mais importante das mudanças propostas pela CVM? 

A proposta que muda o jogo é a chegada do sócio capitalista. É algo que pode transformar radicalmente a vida do agente autônomo porque, atualmente, só as próprias corretoras podem colocar dinheiro nesse tipo de empresa. Com a chegada de novos sócios, vamos ter uma profusão de negócios de agentes autônomos. Será como um mercado de startup, porque fundos de venture capital e investidores-anjo vão poder investir no negócio desde muito cedo, trazendo escala e permitindo um crescimento ainda mais rápido do negócio. 

É algo que pode impulsionar o crescimento desse mercado?

Sem dúvidas o mercado vai ficar maior como também mais desenvolvido. Isso porque teremos investimento significativo nessas empresas, que hoje estão fora do radar, uma vez que os investidores não podem olhar para elas. 

Nós da EQI esperamos essa decisão por anos, mas, então, desistimos de esperar e montamos uma corretora que é um instrumento muito mais caro. Ainda assim,  o único jeito de receber investimento à época era deixando de ser um escritório de AAI. É um movimento que só pode ser feito mais tarde, quando a empresa já tem um certo porte.

Existe uma cláusula na regra da CVM que veda a entrada de um sócio capitalista que tenha conflito de interesses com o escritório. Ficariam de fora todos os agentes que sejam emissores – como corretoras e bancos. Como você avalia essa restrição?

Não sabemos ainda como vai ficar a redação final da norma, mas os maiores interessados em investir em escritórios de AAIs seriam as próprias corretoras e os bancos. Então, imagino que eles possam tentar fazer isso através de outros instrumentos, como, por exemplo, fundos. Seria uma ligação indireta.

A mudança também propõe o fim da exclusividade para os AAIs, que é um dos assuntos mais discutidos dentro desse mercado. Qual sua opinião sobre a proposta?

É algo que traz liberdade para os agentes autônomos buscarem múltiplos contratos. Traz, também, mais liberdade para o profissional, porque o assessor fica menos dependente das corretoras. Isso é importante porque, tradicionalmente, as corretoras vão diminuindo as margens dos agentes. Mas é uma mudança que não será para o curto prazo. Por enquanto, é uma alteração que vai impactar muito pouco o mercado. A exclusividade deve continuar via contratos bilaterais – as corretoras não querem perdê-la.

Por que as corretoras não querem abrir mão da exclusividade? Qual caminho a EQI vai escolher quando se estabelecer como corretora?

A EQI era um escritório de AAIs que está virando uma corretora. Então, nós entendemos os dois pontos de vista e ainda estamos definindo qual caminho vamos seguir. Para a corretora, não compensa oferecer toda uma estrutura para o agente autônomo se ele pode usar esses serviços com um concorrente que repassa uma porcentagem maior da taxa de corretagem. 

A CVM também propôs algumas cláusulas de transparência, permitindo, por exemplo, que os investidores tenham acesso a informações sobre remuneração e conflitos de interesse dos agentes envolvidos nas operações. O que esse passo representa?

É uma boa regra. É um direito do investidor saber o quanto paga, por que paga e como paga. Dentro de casa é algo que já praticamos: é natural explicar para o cliente como a remuneração do agente autônomo é calculada.