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Dow “para trás”? Saiba como funcionam os índices de ações nos EUA

O desempenho dos principais índices do mercado de ações dos EUA tem variado bastante este ano, com o Dow Jones Industrial Average (DJIA) ficando para trás devido à sua composição única

DJIA tem características bastante diferentes do que costumamos observar em geral no mercado. (Nikada/Getty Images)

DJIA tem características bastante diferentes do que costumamos observar em geral no mercado. (Nikada/Getty Images)

Paula Zogbi
Paula Zogbi

Colunista

Publicado em 5 de julho de 2024 às 14h00.

Última atualização em 10 de julho de 2024 às 11h00.

Se você acompanha o mercado de ações dos Estados Unidos, pode ter percebido que os desempenhos dos principais índices têm trazido histórias bem diferentes para cada um deles até agora. Mais notavelmente, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) está consideravelmente para trás, como podemos ver no gráfico:

O que explica isso é a composição de cada índice, sendo que o DJIA tem características bastante diferentes do que costumamos observar em geral no mercado.

Começando pelo melhor desempenho do ano, o Nasdaq Composite é uma composição dos índices que representam a bolsa da Nasdaq, sendo 90% dessa composição o Nasdaq-100, que concentra as 100 maiores empresas, excluindo aquelas do setor financeiro. Isso faz com que as companhias de tecnologia, grandes vencedoras do rali dos últimos anos, dominem.

Com mais de 3 mil ações incluídas, é o maior dos três índices em número de ativos. Ele utiliza a capitalização de mercado como critério principal, o que significa que empresas de maior valor têm maior peso no índice. A Nasdaq também aplica critérios como volume diário negociado, relatórios financeiros regulares, ausência de recuperação judicial e presença contínua na bolsa por pelo menos três meses.

O S&P 500, também ponderado pela capitalização de mercado, é conhecido por refletir uma visão mais ampla e diversificada da economia americana. Com um mínimo de US$ 14,6 bilhões de capitalização exigido para inclusão, ele incorpora ações ordinárias listadas na NYSE, Nasdaq e na Bolsa de Chicago.

Critérios adicionais incluem histórico consistente de receitas positivas, liquidez adequada e diversificação setorial representativa. O S&P 500 busca equilibrar sua composição entre diferentes setores econômicos, visando que nenhum setor domine excessivamente o índice. Mas isso nem sempre é verdade: por conta da ponderação pela capitalização de mercado, hoje mais de 30% do peso do índice é formado apenas pelas Mag 7 (Apple, Microsoft, Amazon, Google, Nvidia, Meta e Tesla)

O abismo entre S&P 500 e DJIA.

Mais antigo, criado em 1896, o DJIA tem uma metodologia de ponderação própria, que considera em primeiro lugar o preço individual das ações, não a capitalização de mercado. Isso significa que uma ação com um preço alto pode ter mais peso no índice do que uma empresa com uma capitalização de mercado substancialmente maior, mas com ações de menor valor.

Por conta desse perfil, ações “caras demais” não podem entrar no índice. Era o caso da Nvidia, que tinha valor de mercado superior a US$ 1.000 até o início de junho, quando realizou um desdobramento de 10 para um. a Apple também está de fora, embora tenha aplicado um desdobramento em 2022 que tornaria seu valor compatível com os demais componentes do índice.

Um exemplo: A UnitedHealth Group, a ação mais cara da Dow, que custa perto de  $480, já caiu 7,6% este ano. Já a Intel, que é a ação mais barata, caiu quase 40%. Só que a queda no preço da UnitedHealth afetou o índice duas vezes mais que a queda da intel. Enquanto isso, uma empresa de altíssima capitalização de mercado, como a Amazon, que vale mais de 2 trilhões de dólares, tem uma ação individual custando menos de 200 dólares atualmente, e, portanto, tem menos influência no preço final do índice.

Por um lado, essa distorção causada pelas Mag 7 trata-se de uma superexposição justamente a um setor que é pouco representado aqui no Brasil, o que significa que adicionar esses índices a uma carteira 100% brasileira pode ser uma vantagem do ponto de vista de diversificação setorial.

Por outro, caso um investidor esteja buscando se expor a um índice que retrate a realidade da economia americana de forma pulverizada entre todos os setores (seja por acreditar que o valuation das Mag 7 está esticado ou por outra razão), a alternativa do DJIA pode ter um resultado mais próximo dessa expectativa.

A Exame. Ltda. atua no setor editorial e de produção de conteúdo. Esse material não deve ser interpretado como recomendação de investimento e nem como relatório de análise de ativos mobiliários
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