Copom: Renda fixa deve permanecer atrativa, mesmo com corte futuro na Selic (beast01/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 06h00.
A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano começou no Brasil e, nesta quarta-feira, 28, será conhecida a nova taxa de juros.
Em relatório, Iana Ferrão, economista do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME, escreve que o mercado “reprecificou” o corte para março, principalmente por causa de dados mais fortes do mercado de trabalho em novembro, que vieram acima do esperado.
Seja um corte de 25 pontos-base (p.b.) em janeiro ou em março, ele deve ser entendido como um primeiro movimento de calibração, que não alteraria de forma relevante o grau de restrição monetária, diz a economista.
Por conta disso, os juros ainda seguirão elevados em 15%, e a renda fixa continuará extremamente atrativa. Para aqueles investidores conservadores, não é necessário fazer rotação na carteira de investimentos, explicam especialistas.
“Uma estratégia é o investidor poder escolher alguns títulos para médio prazo, para ainda aproveitar uma taxa acima do CDI. Será um corte muito sutil para falar que o próprio tesouro vai perder a atratividade”, Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.
Para André Nunes, economista chefe do Sicredi, mesmo com o ciclo de queda se aproximando, em um horizonte mais longo, as taxas de juros no Brasil devem permanecer elevadas. O próprio Boletim Focus projeta uma taxa de juros em um dígito somente em 2029.
“Isso continua favorecendo uma carteira diversificada com boa presença de renda fixa, mesmo diante do desempenho recente positivo do Ibovespa”, conclui.
À medida que o ciclo de cortes de juros avançar ao longo de 2026, os títulos pós-fixados tendem a perder atratividade, explica Rafael Pastorello, portfolio manager do Banco Sofisa.
“Esse movimento deve estimular uma realocação de capital para outros instrumentos de renda fixa, como títulos do Tesouro Direto — tanto os prefixados quanto os indexados ao IPCA — além de favorecer o mercado de crédito privado”, diz.
Isso porque, com a redução do custo de financiamento para as empresas, o risco de inadimplência diminui, criando um ambiente mais positivo para esse segmento.
Apesar da Selic estar no maior patamar em quase 20 anos, o Ibovespa bateu, de longe, a renda fixa em 2025 — subiu 34% versus os 15% da Selic. E, só neste ano, o principal índice de referência da B3 já sobe mais de 13% até esta terça-feira, 27, ultrapassando a marca dos 181 mil pontos.
“Se tiver que começar a pensar em realocação para os próximos anos, pode ser um bom momento para a bolsa. Estamos com juros altos por um período de tempo muito longo, então um corte abre espaço para que potencialize ainda mais a subida de bolsa”, diz Teles.
A alta do Ibovespa é impulsionada pela entrada do estrangeiro no Brasil. Até 23 de janeiro, entraram na bolsa R$ 17,7 bilhões, um volume que já corresponde a 66% dos R$ 26,8 bilhões aportados ao longo de todo o ano de 2025.
Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha, pode ser o momento do investidor local começar também a olhar para esses ativos de mais risco, como fundos imobiliários e ações.
“Talvez no momento que cortar os juros, esses ativos já vão ter andado mais. Eles estão bem descontados ainda em relação ao valor histórico, então é hora de começar a rever o portfólio nesse sentido”, diz.