Invest

Como investidores globais ajustam carteiras em meio à guerra no Irã

Conflito no Oriente Médio derruba mercados: de Xangai a Nova York, gestores cortam risco e revisam carteiras em meio ao caos e à alta do petróleo

Nem ouro salva: guerra desafia estratégias clássicas de proteção. (Sasan / Middle East Images / AFP /Getty Images)

Nem ouro salva: guerra desafia estratégias clássicas de proteção. (Sasan / Middle East Images / AFP /Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 27 de março de 2026 às 08h39.

Uma reprecificação dos ativos globais está levando investidores a cortarem a exposição ao risco com a guerra no Irã. De Xangai a Nova York, gestores relatam dificuldade para proteger carteiras.

Fontes ouvidas pela Reuters relatam que o cenário é de tirar o sono. O gestor de fundos da Zijie Private Fund, Wang Yapei, reduziu suas posições após perdas com ações chinesas no início da semana.

"Não gosto de montanhas-russas... a abertura foi péssima, então reduzi as posições da carteira para cerca de 30%." Após o movimento, ele sentiu alívio e indicou que não pretende aumentar a exposição no curto prazo.

"Hoje você busca comprar na baixa e, no dia seguinte, sofre com outra queda."Wang Yapei, gestor de fundos da Zijie Private Fund

O petróleo, enquanto isso, segue acima de US$ 100 o barril, refletindo riscos para a oferta global, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (EUA), Treasuries, subiram 46 pontos-base no mês.

No mesmo período, o ouro acumula queda próxima de 16%, a caminho do pior desempenho mensal desde 2008.

A dificuldade de encontrar refúgio tem sido um dos principais desafios. Na visão do diretor de investimentos da Gama Asset Management, Rajeev De Mello, os instrumentos tradicionais deixaram de cumprir esse papel.

"Os títulos do Tesouro não estão funcionando", disse. "Moedas típicas de aversão ao risco, como o iene e o franco suíço, também não."

Ele vê que nem mesmo metais preciosos têm oferecido suporte.

Na prática, o movimento tem sido de venda generalizada de ativos, com exceção parcial do dólar, que tem concentrado a busca por segurança, de acordo com as fontes ouvidas pela Reuters.

Energia no centro do risco

O conflito, que se aproxima da quinta semana, já afeta pontos estratégicos do comércio global. O fechamento efetivo na rota do Estreito de Ormuz por Teerã ampliou os temores sobre a oferta de energia.

A alta do petróleo reforça, ainda, preocupações com inflação e pressiona as expectativas para os juros, em um momento de muita incerteza sobre a atuação dos bancos centrais.

A percepção dominante é de que a diversificação perdeu eficácia no curto prazo, diante de choques simultâneos em diferentes classes de ativos. Para De Mello, "não há para onde fugir".

Acompanhe tudo sobre:MercadosGuerras

Mais de Invest

Petróleo desaba até 16% com trégua entre EUA e Irã

Dólar perde pilar de sustentação com alívio no Oriente Médio, diz analista

Ata do Fed, inflação no Brasil e cessar-fogo no Irã: o que move os mercados

Dólar perde força como porto seguro após trégua entre Irã e EUA