Clube recebe gestor da Canuma: brasileiro deve 'globalizar' investimentos

Marcelo Vainstein defende que alta dos juros nos Estados Unidos mudará a dinâmica de ativos no mundo todo, e o investimento em real state pode ser um bom caminho para a diversificação
Vainstein, gestor da Canuma: "Quem quer investir em real state precisa ter visão global" (Reprodução/YouTube)
Vainstein, gestor da Canuma: "Quem quer investir em real state precisa ter visão global" (Reprodução/YouTube)
Por Da RedaçãoPublicado em 10/05/2022 18:31 | Última atualização em 10/05/2022 18:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A alta dos juros mostrou para o investidor que a diversificação é um componente chave para sobreviver a momentos de virada de cenário. Com o aumento das taxas básicas pelos bancos centrais, bolsas no mundo todo (inclusive o Ibovespa) passaram a viver dias mais amargos. No caso do índice brasileiro, todos os ganhos de 2022 viraram pó.

O convidado do videocast Clube Invest desta semana, o gestor Marcelo Vainstein, da Canuma Capital, lembra que o setor imobiliário é um dos coringas para a diversificação de portfólios. E isso vale tanto para quem está começando quanto para quem já tem uma quantia maior alocada: o gestor citou que cerca de 10% do dinheiro dos grandes investidores globais está aplicado em real state.

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Com mais de 20 anos de carreira em instituições como JP Morgan e Brookfield, Vainstein fundou a Canuma Capital há cerca de um ano. A gestora é especializada em investimentos alternativos, e tem como principal produto um fundo que permite que os brasileiros invistam em REITs (Real Estate Investment Trust), instrumentos de investimento norte-americanos que administram imóveis.

Em entrevista, o gestor defendeu que o setor imobiliário dos Estados Unidos é um caminho de diversificação interessante para o investidor brasileiro por duas razões. A primeira é a própria diversidade de segmentos, uma vez que é possível investir em imóveis de diferentes perfis, como apartamentos, conjuntos de casas, empreendimentos logísticos, escritórios, marinas e até torres de telecomunicações.

A segunda razão é a exposição ao dólar. Vainstein lembrou que, embora o IFIX tenha avançado uma média de 11% ao ano em um período recente, quando aplicado o ajuste do câmbio, esse rendimento cai para praticamente zero. Enquanto isso, a indústria de REIT americana cresceu a um ritmo de 12% ano, um retorno já dolarizado.

"Quem quer investir em real state precisa ter visão global, e o mercado dos Estados Unidos, cujo tamanho é de mais de 1 trilhão de dólares, é o mais diversificado", explicou o gestor da Canuma.

Juros subindo nos EUA

Perguntado sobre a alta dos juros pelo Federal Reserve e sobre como isso impacta o mundo dos investimentos, Vainstein disse que parte do processo ainda está para acontecer. Ele lembra que a inflação está perto de 8% nos Estados Unidos, um patamar que não é visto há décadas, e que o mercado de trabalho está ganhando mais ritmo do que o Fed esperava.

A mudança de cenário reforça a importância da exposição a ativos dolarizados, uma vez que a moeda americana deve ganhar ainda mais força nos próximos meses. Além disso, o gestor da Canuma conta que montou uma estratégia para escolher setores mais resilientes dentro do segmento imobiliário.

"Temos, por exemplo, o setor de torres de telecomunicação, que têm ganhado muito espaço e já representam mais de 10% do segmento de real state nos Estados Unidos. Boa parte desse crescimento ainda está para acontecer, por causa dos investimentos em 5G", exemplificou Marcelo.

Veja abaixo o epidósio completo do Clube Invest desta semana: