Carteira de proteção contra a inflação em dólar é nova aposta da Nomad

Fintech que oferece ao brasileiro acesso a serviços financeiros no exterior lança produto com ETFs que seguem fundos de títulos do Tesouro atrelados à inflação, os TIPS
Títulos do Tesouro americano que protegem contra a inflação entram no radar de investidores | Foto: Samuel Corum/Bloomberg via Getty Images (Samuel Corum Bloomberg via Getty Images/Getty Images)
Títulos do Tesouro americano que protegem contra a inflação entram no radar de investidores | Foto: Samuel Corum/Bloomberg via Getty Images (Samuel Corum Bloomberg via Getty Images/Getty Images)
Marcelo Sakate
Marcelo Sakate

Publicado em 09/02/2022 às 07:50.

Última atualização em 09/02/2022 às 08:00.

A volta da inflação a patamares mais elevados e por períodos prolongados se tornou um fenômeno de alcance global. Alocar parte do portfólio em ativos que possam oferecer proteção à alta dos preços se tornou parte da estratégia de muitos investidores. De olho nesse contexto, a fintech Nomad acaba de lançar uma carteira temática de proteção à inflação em dólar para o investidor.

Trata-se de uma carteira de títulos do Tesouro americano atrelados à inflação nos Estados Unidos, conhecidos como TIPS (sigla em inglês para Treasury Inflation Protected Securities). A carteira temática é composta por ETFs (Exchange Traded Funds, que são fundos passivos) de gestoras como BlackRock e Vanguard que se dedicam a aplicar nesses títulos.

A referência para o rendimento dos fundos é o CPI, o Índice de Preços ao Consumidor americano, e o valor mínimo de aplicação é de 100 dólares.

Quer se proteger da inflação? Conheça o ETF que investe em ações de empresas de commodities

É uma dinâmica que guarda semelhanças com a do Tesouro IPCA (antiga NTN-B), do Tesouro Direto. Os TIPS pagam a variação da inflação mais um cupom (juros). O CPI teve variação de 7% em 2021, o que representou a inflação anual mais elevada em quase quarenta anos.

Em 2021, fundos americanos que investem em TIPS, incluindo ETFs, tiveram na média um retorno de 5,5%, enquanto fundos que investem em títulos em geral recuaram 1,7%, segundo dados da Morningstar.

A escolha de carteiras temáticas tem sido a estratégia adotada pela Nomad para simplificar o acesso do investidor brasileiro pessoa física ao mercado de investimentos no exterior.

A fintech entrou em operação comercial em 2020 com a proposta de se tornar um hub de serviços financeiros no exterior para brasileiros, como foco no cliente de alta renda. Permite a abertura de uma conta corrente em dólar por meio da parceria com um banco americano.

Já existem outras dez carteiras temáticas oferecidas pela fintech, que vão de teses de ESG e tecnologia -- sempre e integralmente com ativos no exterior, como ETFs -- até criptos e uma cuja alocação é inspirada nas empresas investidas pela Berkshire Hathaway, a holding de investimentos do bilionário investidor Warren Buffett.

Não perca a CEO Conference: grandes personalidades da política e economia reunidas para debater as transformações de 2022. Veja como se inscrever e participar

"A plataforma possui três carteiras modelos, que são adequadas e recomendadas a cada perfil do investidor, com base no suitability [o processo de definição do perfil]", disse Caio Fasanella, que acaba de assumir como head de Investimentos da Nomad. O executivo trabalhou anteriormente na área de investment banking no Bank of America e no Moelis e foi fundador e CEO da fintech Balko, especializada em investimentos alternativos.

"Decidimos distribuir menos produtos, mas que sejam aderentes aos perfis dos usuários, do que ter uma prateleira 'infinita' de opções. O objetivo das carteiras temáticas é oferecer exposição às teses de interesse do investidor de maneira acessível", afirmou Fasanella à EXAME Invest.

Segundo ele, a escolha da carteira de proteção contra a inflação em dólar pretende oferecer uma proteção ao investidor em momento de alta dos preços e de maior volatilidade nos mercados.

Assim como tem acontecido no mercado brasileiro, os prêmios para os TIPS têm oscilado em razão das mudanças nos juros futuros, mas as variações são menos acentuadas do que as registradas pelos títulos do Tesouro IPCA.