Embraer: ação recua bem mais que pares globais, e Itaú BBA avalia que mercado reagiu de forma excessiva. (Embraer/Divulgação)
Repórter de Invest
Publicado em 17 de março de 2026 às 09h41.
A Embraer passou a negociar abaixo de seu valor justo após a recente queda das ações de 23% no mês e de 16% desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre, na avaliação do Itaú BBA.
Para o banco, a correção dos papéis foi excessiva e abriu uma janela de oportunidade para investidores, mantendo a companhia entre suas principais recomendações.
O desempenho foi significativamente inferior ao de índices globais e de empresas do setor aeroespacial, e reflete, principalmente, o aumento da aversão a risco com os conflitos no Oriente Médio.
A instituição destacou, ainda, que houve frustração dos investidores com projeções divulgadas pela companhia, o que contribuiu para a reação negativa.
Isso porque o ambiente geopolítico tende a se normalizar na visão dos analistas, permitindo que os fundamentos do setor voltem a prevalecer.
A aviação comercial enfrenta gargalos de oferta, ao passo que a aviação executiva está com carteira praticamente esgotada e o segmento de defesa mantém trajetória de crescimento.
Esses fatores sustentariam uma perspectiva mais positiva para a companhia no médio prazo.
Além disso, os analistas consideram que o guidance para 2026 pode ter sido conservador. A instituição avalia que investidores devem, gradualmente, revisar essa percepção à medida que os resultados avancem.
A empresa indicou que pretende ampliar o ritmo de produção neste ano. Na aviação comercial, a expectativa é de entregas na faixa de 80 a 85 unidades, acima do registrado anteriormente.
Já no segmento executivo, o volume projetado varia entre 160 e 170 aeronaves, sinalizando avanço em relação ao desempenho de 2025.
"Vemos essa reação como excessiva", afirmou o BBA, acrescentando que o atual nível de preços não reflete a melhora estrutural dos resultados nem o ambiente mais favorável da indústria.
O relatório também chamou atenção para os múltiplos de negociação, pois a Embraer negocia, atualmente, a cerca de 8,9 vezes o EV/Ebitda projetado para os próximos 12 meses.
O montante representou um desconto de, aproximadamente, 25% em relação ao pico registrado no início de janeiro.
Mesmo assim, o múltiplo ainda está apenas 8% acima da média histórica, o que, para os especialistas, é incompatível com um cenário de lucros e fundamentos mais robustos.
Com base em premissas conservadoras, o banco estimou um retorno implícito ao acionista de 17%, reforçando a avaliação de que o papel oferece uma relação risco-retorno atrativa no nível atual.
O Itaú BBA reiterou, também, a recomendação de "compra" para a Embraer, a um alvo de US$ 75, destacando que a queda dos papéis não altera a visão construtiva, mas sim reforça o potencial de valorização da empresa.