Bolsa: investidores estão mais atentos aos sinais sobre o que pode acontecer nos próximos trimestres. (IA/ChatGPT/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 31 de março de 2026 às 12h48.
A temporada recente de balanços das empresas na B3 veio, em grande parte, acima das expectativas do mercado, mas isso não foi suficiente para sustentar o desempenho das ações na avaliação do Citi.
Em relatório, o banco identifica uma desconexão crescente entre os resultados já divulgados pelas empresas e a reação dos ativos, cada vez mais influenciada pelas perspectivas futuras.
Os resultados foram mistos, com exemplos de fortes superações, como a B3, e perdas significativas: Azzas 2154, empresa do setor de vestuário e de calçados advinda da fusão da Arezzo e do Grupo Soma, é um exemplo citado pelo banco.Na prática, o Citi aponta que houve predominância de resultados melhores do que o esperado, mas o mercado passou a reagir com menor intensidade a essas surpresas positivas.
"Das 75 empresas do Índice Bovespa (Ibovespa), 33 registraram receita superior ao esperado em relação ao consenso da Bloomberg e 23 apresentaram lucros acima do esperado", detalhou o relatório.
O Citi destaca que, apesar dos resultados sólidos no período recente, as revisões para os próximos trimestres têm sido mais cautelosas, com cortes em projeções e expectativas de crescimento mais moderado.
Esse processo ajuda a explicar por que empresas que superam previsões ainda assim enfrentam dificuldade para sustentar altas em suas ações.
Em diversos casos, o guidance tem indicado um ambiente mais desafiador, o que reduz o impacto positivo dos resultados já reportados, que acabam sendo ofuscados por expectativas mais fracas à frente.As próprias companhias têm contribuído para esse cenário ao divulgar projeções mais conservadoras.
Outro fator relevante apontado pelo relatório é o nível de valuation, especialmente em setores que lideraram os ganhos recentes, como tecnologia.
Após um período de forte valorização, muitas companhias passaram a negociar com múltiplos mais elevados, o que reduz o espaço para novas altas baseadas apenas em resultados positivos.
O Citi observa uma mudança na assimetria de reação do mercado, ou seja, enquanto boas notícias geram ganhos mais limitados, resultados abaixo do esperado tendem a provocar quedas mais acentuadas.
Esse padrão indica um nível maior de exigência por parte dos investidores e sugere que parte do otimismo já estava incorporada aos preços.
Áreas mais sensíveis ao ciclo econômico ou com avaliações mais esticadas tendem a sofrer mais pressão, ao passo que setores considerados defensivos apresentam maior resiliência.
Essa diferença reforça uma mudança no comportamento dos investidores, que passam a adotar uma postura mais seletiva.
Em vez de uma alta generalizada, o mercado tende a premiar empresas com maior previsibilidade de receitas e geração de caixa, especialmente em um ambiente de maior incerteza.
O Citi aponta, ainda, que mudanças no posicionamento do mercado têm contribuído para a dinâmica. Há sinais de redução de exposição a ativos de maior risco e possível rotação entre setores.
Esse ajuste de portfólio ocorre em um contexto marcado por juros elevados por mais tempo, desaceleração econômica global e incertezas geopolíticas, o que aumenta a sensibilidade.
Apesar das questões, empresas de diversos setores esperam um desempenho relativamente positivo para 2026, com foco na expansão de receita e margem operacional, segundo o banco.
Mas essa perspectiva otimista é acompanhada por uma postura de cautela por parte dos executivos, que observaram riscos em torno das eleições em 2026, da volatilidade cambial e das tensões geopolíticas.
"A execução dos planos de negócios poderá ser desafiada pela instabilidade do ambiente macroeconômico global e doméstico", acrescentou o Citi, vendo um ambiente de recuperação moderada para 2027.