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Um terço dos brasileiros 'esconde' situação financeira — e não é por um bom motivo

Ao mesmo tempo, quatro em cada 10 têm esperança de mudar a vida financeira

Finanças: brasileiro pensa em fazer uma renda extra antes de recorrer ao crédito (Imagem gerada por IA)

Finanças: brasileiro pensa em fazer uma renda extra antes de recorrer ao crédito (Imagem gerada por IA)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 1 de junho de 2026 às 05h42.

Última atualização em 1 de junho de 2026 às 12h34.

O brasileiro tem esperança de mudar sua situação financeira — ao mesmo tempo que parecer ter “vergonha” da atual realidade, é o que mostra o estudo “Queremos Te Ouvir” da Velotax, aplicativo de soluções em crédito digital. Entre os principais insights, um a cada três respondentes escondem sua situação financeira de alguém próximo, como cônjuge, pais e filhos.

“Isso reforça o dado de vergonha silenciosa e aponta para um usuário que opera sozinho nas decisões de crédito, sem suporte emocional externo”, escreve Victor Savioli, cofundador do Velotax. Mais da metade dos entrevistados (55,7%) também disse que já resolveu uma situação financeira em silêncio para não mostrar vulnerabilidade.

Novamente, a vergonha silenciosa predomina. Ao todo, 2.350 pessoas (51,4%) responderam que uma frase que pensam, mas não falariam em voz alta é “Eu deveria estar melhor do que estou”, ou seja, acreditam que não estão onde deveriam estar. Na sequência, aparece “Faço o que posso, mas nunca é o suficiente” (29,4%).

Ao mesmo tempo, a esperança domina (42,7%) em relação a mudar a vida financeira, mesmo diante de dívidas, imprevistos e sem margem para mais de um mês. No meio disso, há uma autorreflexão sobre responsabilidade. Cinco em cada 10 reconhecem que suas próprias decisões contribuíram bastante para a situação atual.

Brasileiro está ‘mais ou menos’

O famoso copo meio cheio é o que define o brasileiro, que vê a vida financeira como “mais ou menos”.

“A maioria (55,7%) se define dessa forma — uma zona cinzenta entre a estabilidade e o colapso. Não são pessoas em crise declarada, mas tampouco estão confortáveis. Esse estado de incerteza crônica é o gatilho emocional central do produto”, diz Savioli.

Dívidas e imprevistos dominam. Juntos, correspondem aos dois maiores pesos no orçamento. Por isso, 84,2% da base enfrenta apertos financeiros com alguma regularidade. Quase quatro em cada 10 está no limite agora. “Eles não conseguem continuar por mais de um mês sem uma solução”, destaca o executivo.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, o crédito surge em segundo lugar como alternativa de alívio momentãneo. Em primeiro (39%), aparece “fazer uma renda extra”. Isso porque para 60,6% uma das principais barreiras para contratar o crédito são os juros altos — atualmente, com a Selic a 14,5%.

Mas 96,5% da base está disposta a usar crédito — seja por necessidade ou por abertura condicional. Apenas 3,4% são resistentes estruturais. Para utilizar, 45,3% precisam “ver tudo antes de aceitar”, ou seja, estar ciente de todos os juros, taxas e parcelas e datas.

O estudo foi realizado entre 2 e 31 de janeiro de 2026, por meio de formulário estruturado com 61 perguntas fechadas e abertas. Ao todo, 4.571 pessoas participaram da pesquisa em diferentes regiões do país. A amostra possui distribuição de gênero próxima do equilíbrio, com 52,8% de homens e 46,9% de mulheres. A maior concentração etária está entre 35 e 54 anos, faixa que representa 53,8% dos entrevistados. Regionalmente, o Sudeste concentra 58,2% da base identificada, seguido pelo Nordeste, com 20,3%.

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