Startup cria livro personalizado para ensinar crianças sobre dinheiro

Mais de 90% dos brasileiros nunca receberam lições sobre como administrar o próprio dinheiro. A Dentro da História quer mudar isso
 (Dentro da História/Divulgação)
(Dentro da História/Divulgação)
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Anderson Figo

Publicado em 28/05/2019 às 09:00.

Última atualização em 28/05/2019 às 12:12.

São Paulo — Uma startup criada há menos de três anos encontrou uma forma lúdica e eficaz de fazer seus filhos terem noções sobre dinheiro. A Dentro da História cria livros personalizados em que as crianças viram personagens reais com todas as suas características próprias, retendo assim a atenção dos pequenos.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) mostra que 93% dos brasileiros entrevistados nunca receberam lições — em casa ou na escola — sobre como administrar o próprio dinheiro. O levantamento foi feito com 500 famílias em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Goiânia e Vitória.

Os resultados mostraram ainda que crianças que têm aulas de finanças na escola compartilham o que aprendem com a família — 94% dos pais dessas crianças foram apresentados à educação financeira pelos filhos.

Foi pensando nisso que a Dentro da História criou o livro "Nico e (nome da criança) em Um Sonho Espacial", recomendado para crianças de 6 a 12 anos. Na história, a criança que vai ser presenteada com o livro é amiga do personagem Nico, e os dois juntos tentam construir um foguete para ir à lua. É aí que eles conhecem quatro pilares do planejamento financeiro: sonhar, diagnosticar, orçar, poupar.

"Uma das primeiras coisas que a criança aprende na vida é identificar o nome dela. Ela não sabe ler, mas sabe que aquele formatinho ali representa o nome dela. Quando mais velhas, elas conseguem identificar o personagem dela nas escolas, é ela no contexto da vida real. E, quanto mais você se identifica com o conteúdo, mais você se interessa por ele", diz Diego Moraes, um dos sócios e responsável pelo design na Dentro da História.

Estudos de pesquisadores como Natalia Kucirkova, da University College London, mostram que a personalização aumenta a absorção e a retenção do aprendizado das crianças. "É o que faz as crianças se interessarem pelo livro e pelo conteúdo. Nossa intenção é que esse primeiro contato das crianças com um livro seja algo agradável, que dê prazer a ela. Com uma boa experiência na infância, provavelmente a criança vai se tornar adolescente ou adulta que gosta de ler", completa Moraes.

Livro de finanças pessoais da Dentro da História

Livro de finanças pessoais da Dentro da História (Dentro da História/Divulgação)

O livro pode ser criado pelos pais em um processo totalmente online, no site da startup, e tem um custo de 69,90 reais mais frete. As entregas são feitas em todo o país. Além da opção de finanças pessoais, há mais de 40 títulos que transformam seus filhos em personagens de desenhos famosos, como a Turma da Mônica, Patrulha Canina, Barbie e Galinha Pintadinha.

"Nosso maior desafio sempre foi alinhar com os produtores dos desenhos a melhor forma de transformar uma criança em um personagem real das histórias. Os traços das novas personagens seguem exatamente a linha das personagens originais do desenho. Isso é difícil porque, em alguns casos, nunca houve uma personagem humana na narrativa, como em a Galinha Pintadinha", explica André Campelo, CEO da startup.

A Dentro da História trabalha com licenças e pagamento de royalties para o uso dos desenhos. O sucesso do modelo de negócio surpreendeu até seus fundadores — a startup já vendeu mais de 300 mil livros personalizados no Brasil e, no fim do ano passado, abriu a Playstories, seu primeiro braço internacional, na Espanha. Desde o seu lançamento, em 2016, a Dentro da História já faturou cerca de 25 milhões de reais.

"Nossa ideia é expandir nossas operações no exterior e também aqui no Brasil", diz Campelo. Por aqui, o CEO destaca como maior potencial de crescimento as parcerias com sistemas de ensino. Com projetos como a "Escola da Inteligência", de ensino complementar sobre inteligência emocional, e "DSOP", sistema de ensino complementar de educação financeira, a Dentro da História quer ajudar os sistemas e escolas a se adequarem à Base Nacional Comum Curricular.

Segundo Campelo, o material oferecido pela startup atende duas orientações importantes presentes na Base Nacional Comum Curricular. A primeira é a questão do protagonismo no processo de aprendizagem, que é muito incentivada desde o ensino fundamental. Já a segunda é o ensino complementar, com os diferentes itinerários formativos que as escolas terão que oferecer em seus currículos.

Desenvolver a inteligência emocional, por exemplo, é um tema que aparece desde a primeira infância. "As pessoas podem achar que o livro está ultrapassado, mas ele é só uma maneira de a gente entregar toda a tecnologia que desenvolvemos para trabalhar com os mais diversos conteúdos. Existem outras plataformas para entregar isso", completa o CEO da Dentro da História.