Itaú: companhia faz parte das blue chips (Itaú/Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h34.
Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 12h35.
Quem apostou nas ações do Itaú (ITUB4) no início de 2026 colheu ganhos com a valorização das blue chips brasileiras, impulsionadas principalmente pelo forte fluxo de capital estrangeiro para o mercado local.
No caso de um investimento de R$ 990,75 na abertura do dia 2 de janeiro de 2026, o investidor iria ganhar no fechamento do dia 23 de janeiro de 2026 o montante de R$ 1.089,25.
Descontado o Imposto de Renda (IR) de 15% sobre o ganho de capital, o saldo líquido ficaria em R$ 1.074,48, ou seja, uma valorização de 8,45%, segundo a simulação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
O movimento acompanha uma rotação global de portfólios, com investidores buscando mercados emergentes após a forte alta das bolsas desenvolvidas.
“Há uma alta generalizada no mercado brasileiro por uma questão de fluxo estrangeiro e por esse entendimento de que há um movimento de rotação no mercado em busca dos emergentes”, afirma Perri.
Segundo ele, o Brasil entra nesse radar e, dentro do mercado local, o dinheiro estrangeiro tende a buscar primeiro os papéis mais líquidos. “As primeiras opções do investidor estrangeiro são sempre as blue chips, como Itaú e Bradesco”, diz.
Além do fluxo externo, Perri destaca que o ambiente doméstico também ajuda o setor bancário, com a perspectiva de corte de juros no radar.
Para Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador da Nero Consultoria, o desempenho do Itaú reflete fundamentos mais estruturais. “O Itaú se beneficiou de resultados sólidos, ROE elevado e da leitura de que é o banco mais resiliente do sistema financeiro brasileiro em qualquer ciclo macroeconômico”, afirma.
Se alguém tivesse investido no Ibovespa desde 2 de janeiro de 2026, o retorno teria sido mais do que positivo. Por exemplo, um aporte de R$ 952,38 no BOVA11, ETF mais conhecido que replica o índice, teria se transformado em R$ 1.023,92 até 22 de janeiro, já descontado o Imposto de Renda — uma valorização de 7,44%
A valorização do índice, que chegou a bater recordes históricos acima de 180 mil pontos, reflete não apenas a queda esperada da taxa de juros no Brasil, mas também a entrada de capital estrangeiro, que já trouxe R$ 8,7 bilhões para a bolsa só neste mês. Além disso, fatores externos, como tensões geopolíticas, tornam os ativos brasileiros mais atraentes.
No entanto, especialistas alertam que movimentos de curto prazo não garantem continuidade. “Quando eu vou entrar num produto relacionado à renda variável, como ETF, ações ou FIIs, eu tenho que entender que não estou entrando para surfar o curto prazo — porque o risco é muito alto — e sim para o longo prazo”, afirma Cíntia Senna, Mestre em Educação Financeira.
A volatilidade é inevitável, e a perspectiva de longo prazo ajuda a diluir ruídos momentâneos e capturar o potencial de crescimento dos ativos.