Petrobras: companhia faz parte das blue chips (Petrobras/Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h36.
Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 12h37.
Quem decidiu investir na Petrobras (PETR4) no início de 2026 aproveitou um dos movimentos relevantes entre as blue chips da bolsa brasileira. A valorização da petroleira combina fatores externos, como o nível do petróleo no mercado internacional, com a percepção de que a empresa segue altamente lucrativa.
A pedido da EXAME Invest, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos simulou quanto um investidor teria ganhado se tivesse investido algo próximo a R$ 1 mil na abertura do dia 2 de janeiro até o fechamento do dia 23 de janeiro.
Caso tivesse investido R$ 990,72 nesse período, o rendimento bruto seria de R$ 130,56. Descontado o Imposto de Renda (IR) de R$ 19,58, o saldo final ficaria em R$ 1.101,70, um rendimento de 11,20%.
Segundo Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador da Nero Consultoria, a Petrobras surfou a combinação de petróleo em patamares elevados, caixa robusto e percepção de que, apesar do maior foco em investimentos, a empresa seguirá altamente lucrativa.
Mesmo com discussões sobre uma política de investimentos mais intensa e possível redução relativa no ritmo de dividendos, o mercado não deixou de olhar para a capacidade de geração de resultados da companhia.
"A percepção de que a companhia seguirá entregando lucros expressivos, aliada ao valuation baixo em múltiplos internacionais, ajudou a sustentar a valorização das ações no período”, diz Gazola.
O pano de fundo também ajuda a explicar o movimento.
“Há uma alta generalizada no mercado brasileiro por uma questão de fluxo estrangeiro e por esse entendimento de que há um movimento de rotação no mercado em busca dos emergentes”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Nesse contexto, as grandes empresas são a porta de entrada desse capital. “As primeiras opções do investidor estrangeiro são sempre as blue chips, as opções mais líquidas. Isso porque são bolsos grandes que precisam de liquidez para conseguir fazer e desfazer suas posições”, diz.
A Petrobras, como uma das ações mais negociadas da bolsa, acaba naturalmente entre as principais beneficiadas desse movimento. Além disso, a expectativa de queda de juros no Brasil também favorece a bolsa.
Se alguém tivesse investido no Ibovespa desde 2 de janeiro de 2026, o retorno teria sido mais do que positivo. Por exemplo, um aporte de R$ 952,38 no BOVA11, ETF mais conhecido que replica o índice, teria se transformado em R$ 1.023,92 até 22 de janeiro, já descontado o Imposto de Renda — uma valorização de 7,44%
A valorização do índice, que chegou a bater recordes históricos acima de 180 mil pontos, reflete não apenas a queda esperada da taxa de juros no Brasil, mas também a entrada de capital estrangeiro, que já trouxe R$ 8,7 bilhões para a bolsa só neste mês. Além disso, fatores externos, como tensões geopolíticas, tornam os ativos brasileiros mais atraentes.
No entanto, especialistas alertam que movimentos de curto prazo não garantem continuidade. “Quando eu vou entrar num produto relacionado à renda variável, como ETF, ações ou FIIs, eu tenho que entender que não estou entrando para surfar o curto prazo — porque o risco é muito alto — e sim para o longo prazo”, afirma Cíntia Senna, Mestre em Educação Financeira.
A volatilidade é inevitável, e a perspectiva de longo prazo ajuda a diluir ruídos momentâneos e capturar o potencial de crescimento dos ativos.