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Se Brasil jogar a final – e você ficar longe do bar – economia seria de R$ 500

Trocar parte das idas ao bar por encontros em casa durante o torneio pode gerar uma economia de mais de R$ 500

Copa do Mundo: comer em casa é bom para o bolso (Imagem gerada por IA/Exame)

Copa do Mundo: comer em casa é bom para o bolso (Imagem gerada por IA/Exame)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 19 de junho de 2026 às 11h09.

A Copa do Mundo começou e, apesar do clima de festa, é necessário entender que o bolso não participa da folia. Para economizar, um estudo da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) mostrou que assistir os torneios em casa pode tornar a cervejinha e os petiscos mais em conta. Em números, mais de R$ 500 seriam economizados.

“A Copa cria uma euforia que faz a gente gastar sem perceber. Não tem nada de errado nisso, o problema é quando chega a fatura e vem a surpresa. Quem define um orçamento antes do torneio aproveita igual, mas sem o estresse depois”, explica Victor Garrido, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Considerando a mesma comida e a mesma bebida, festejar no bar custa mais do que o dobro do que fora de casa. “E são valores conservadores. Dependendo do bar, do bairro e do perfil de consumo, a diferença pode ser ainda maior”, diz o especialista.

Isso porque no bar o cliente não paga só pela comida e bebida, no preço pago está embutido também os custos de funcionários, aluguel do espaço, infraestrutura, margem de lucro do estabelecimento, entre outros fatores.

Ao analisar, por exemplo, uma cerveja de R$ 2,99 no supermercado, para 269 ml, no bar, a mesma quantidade aproximadamente custaria R$ 9,45. Já a porção de calabresa divida para duas pessoas, em casa, sai R$ 8,25, enquanto no bar sai por R$ 32,95. No fim, a ‘cesta’ média de uma comemoração em casa fica R$ 61,75, enquanto fora de casa fica R$ 129,95.

Quando observado os jogos, na fase de grupos, a economia seria de R$ 203 comparando as duas cestas. Se chegar às oitavas, quem curtir em casa economiza, R$ 338. Se o Brasil chegar à final, a economia é de R$ 540.

“A inflação chegou em casa, mas o ponto aqui não é o valor exato, é a diferença entre os dois cenários. Mesmo que tudo tenha ficado mais caro, quem assiste em casa ainda gasta bem menos do que quem vai ao bar”, pontua Garrido.

Consumo em casa

ItemReferênciaPreço por pessoa
4 latinhas de Original 269 ml (1.076 ml)Pão de Açúcar (R$ 2,99/un.)R$ 12,00
Calabresa Sadia 500 g (dividida por 2)Pão de Açúcar (R$ 16,45/pct.)R$ 8,25
Contra-filé 450 g (dividido por 2)Pão de Açúcar (R$ 69,90/kg)R$ 31,50
Complementos (pão, vinagrete e carvão)EstimativaR$ 10,00
Total por pessoaR$ 61,75

Consumo no bar

ItemReferênciaPreço por pessoa
1,5 cerveja Original 600 ml (900 ml)Restaurante Itaim (R$ 18,90/un.)R$ 28,35
Porção de calabresa 450 g (dividida por 2)Restaurante Itaim (R$ 65,90 porção)R$ 32,95
Porção de contra-filé 450 g (dividida por 2)Restaurante Itaim (R$ 115,90 porção)R$ 57,95
Couvert/serviçoEstimativaR$ 10,00
Total por pessoaR$ 129,25

Diferença

CenárioGasto por pessoa
Em casaR$ 61,75
No barR$ 129,25
DiferençaR$ 67,50

Economizou? Pode investir

O dinheiro economizado pode se tornar um hábito. Se o torcedor sentir na pele o que é ‘sobrar algo’, ele pode se sentir motivado a começar a investir e, quem sabe, chegar até a próxima Copa com uma bolada. “Dá pra montar uma reserva, realizar um projeto. É pouco dinheiro por mês que, com o tempo, faz uma diferença real”, comenta Garrido.

Para ilustrar esse potencial, o planejador simulou aportes mensais de R$ 500 investidos a uma taxa equivalente ao CDI atual. Em quatro anos, o montante acumulado poderia superar R$ 31 mil, valor suficiente para financiar projetos pessoais, viagens ou até mesmo a experiência de acompanhar uma futura edição da Copa do Mundo presencialmente.

Considerando aportes mensais de R$ 500 à taxa de 14,40% ao ano (CDI atual), por 48 meses. Em quatro anos, seriam R$ 24.000 aportados, que se transformariam em cerca de R$ 31.968 (quase R$ 8.000 apenas de rendimento).

Gráfico mostra investimentos de R$ 500 por mês, em 4 anos, podem se tornar R$ 31.969

Educação financeira é a chave

Para Garrido, a melhor estratégia é definir um orçamento antes do início da competição. Dessa forma, é possível aproveitar os encontros, organizar confraternizações e participar das comemorações sem comprometer outros objetivos financeiros.

“A maioria das pessoas decide quanto vai gastar depois que já começou a consumir. Quando existe um planejamento prévio, a tendência é aproveitar muito mais o evento e terminar a Copa sem surpresas desagradáveis”, afirma.

Ele continua: “Não existe escolha certa ou errada. O que faz diferença é a frequência. Quando olhamos apenas para um jogo, os valores parecem pequenos. Mas, ao longo de todo o torneio, o impacto acumulado pode ser significativo. Conhecer esses números ajuda cada pessoa a decidir o que faz mais sentido para sua realidade.”

O especialista destaca que não existe uma fórmula única para aproveitar o torneio. Enquanto algumas pessoas preferem assistir aos jogos em casa, reunidas com amigos, outras valorizam a atmosfera de bares e restaurantes como parte da experiência.

Independentemente da escolha, o planejamento financeiro é o que ajuda a curtir a competição com mais tranquilidade, sem comprometer o orçamento e mantendo as finanças alinhadas às metas pessoais.

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