Bradesco: companhia faz parte das blue chips (Bradesco/Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h29.
As ações do Bradesco (BBDC4) são destaque nos primeiros pregões do ano — e quem investiu nelas logo no começo de 2026 pode ter aproveitado um movimento positivo, em meio a um cenário mais favorável para a bolsa brasileira.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, simulou quanto um investidor teria se tivesse investido algo próximo de R$ 1 mil no começo do ano.
Comprando R$ 991,10 na abertura do pregão do dia 2 de janeiro e vendendo no fechamento do dia 23 de janeiro, esse investidor teria lucrado R$ 131,56. Descontando o Imposto de Renda (IR) de 15% sobre o ganho de capital, o retorno líquido seria de R$ 111,83, uma rentabilidade de 11,28%.
A alta das ações acompanha a entrada de capital estrangeiro no Brasil, que tem priorizado empresas grandes, líquidas e com potencial de reprecificação.
“Há uma alta generalizada no mercado brasileiro por uma questão de fluxo e por esse entendimento de que há um movimento de rotação no mercado em busca dos emergentes”, afirma Perri.
Segundo ele, esse dinheiro costuma começar pelas blue chips. “As primeiras opções do investidor estrangeiro são sempre as blue chips, como Itaú e Bradesco”, diz.
Além do fluxo externo, o ambiente doméstico também ajuda. A expectativa de corte de juros ao longo do ano tende a beneficiar o setor bancário, ao melhorar as condições de crédito e o apetite por risco.
No caso específico do Bradesco, há ainda um fator próprio da empresa.
“O Bradesco subiu apoiado na narrativa de turnaround operacional, com melhora gradual de rentabilidade, eficiência e qualidade da carteira de crédito, levando o mercado a reprecificar o papel”, afirma Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador da Nero Consultoria.
Se alguém tivesse investido no Ibovespa desde 2 de janeiro de 2026, o retorno teria sido mais do que positivo. Por exemplo, um aporte de R$ 952,38 no BOVA11, ETF mais conhecido que replica o índice, teria se transformado em R$ 1.023,92 até 22 de janeiro, já descontado o Imposto de Renda — uma valorização de 7,44%
A valorização do índice, que chegou a bater recordes históricos acima de 180 mil pontos, reflete não apenas a queda esperada da taxa de juros no Brasil, mas também a entrada de capital estrangeiro, que já trouxe R$ 8,7 bilhões para a bolsa só neste mês. Além disso, fatores externos, como tensões geopolíticas, tornam os ativos brasileiros mais atraentes.
No entanto, especialistas alertam que movimentos de curto prazo não garantem continuidade. “Quando eu vou entrar num produto relacionado à renda variável, como ETF, ações ou FIIs, eu tenho que entender que não estou entrando para surfar o curto prazo — porque o risco é muito alto — e sim para o longo prazo”, afirma Cíntia Senna, Mestre em Educação Financeira.
A volatilidade é inevitável, e a perspectiva de longo prazo ajuda a diluir ruídos momentâneos e capturar o potencial de crescimento dos ativos.