Desenrola Brasil: cliente quita dívida com 75% de desconto no primeiro dia do programa (Getty Images)
Repórter
Publicado em 6 de maio de 2026 às 07h40.
A Caixa Econômica Federal realizou nesta terça-feira, 5, a primeira quitação de dívida no âmbito do Novo Desenrola Brasil.
Segundo a Caixa, um cliente de Várzea Paulista (SP) liquidou à vista um débito de cheque especial com desconto de 75%.
Até o fim da tarde, cerca de 5 mil clientes já haviam procurado o banco para aderir ao programa. Além da quitação à vista, a instituição iniciou o cadastro de interessados em renegociar dívidas de forma parcelada, que serão contatados após a habilitação das condições junto ao Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O Novo Desenrola Brasil oferece a pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos — o equivalente a R$ 8.105 — a possibilidade de renegociar dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026. Os descontos podem chegar a até 90%, a depender do tipo de crédito e do tempo de atraso.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo para reduzir o comprometimento da renda das famílias com dívidas e estimular a recuperação do crédito.
Os clientes da Caixa Econômica Federal podem aderir ao programa por diferentes canais, incluindo telefone, agências físicas, site oficial e WhatsApp.
O banco orienta que os interessados entrem em contato para verificar as condições disponíveis e iniciar o processo de renegociação.
A expectativa é que a nova fase do programa amplie o alcance da política, após a primeira edição, em 2023, ter beneficiado milhões de brasileiros na regularização de dívidas.
O Novo Desenrola é um programa de refinanciamento de dívidas que reúne diferentes públicos — famílias, estudantes, empresas e produtores rurais — com condições facilitadas de pagamento, redução de juros e uso de garantias públicas.
Segundo o governo, alguns bancos começaram a ofertar a renegociação a partir de terça-feira, 5, mas que a implementação dependerá das instituições financeiras.
O programa é dividido em quatro frentes:
É a principal frente do programa, voltada à renegociação de dívidas de pessoas físicas de baixa renda, com uso de crédito novo garantido pelo governo.
Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.
Entram dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos.
Os descontos variam conforme o tempo de atraso e o tipo de dívida:
A renegociação deverá ser feita diretamente nos canais oficiais dos bancos.
A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês.
Os contratos atrasados poderão ser parcelados em até 48 meses.
Sim. Os bancos deverão limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100.
Sim. Haverá bloqueio do CPF em casas de apostas por 12 meses para quem aderir ao programa.
As instituições deverão:
Limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100 e das dívidas renegociadas;
Destinar 1% do valor garantido pelo FGO para educação financeira;
Proibir o uso de crédito para apostas.
O Desenrola Fies é voltado a estudantes com dívidas em atraso no financiamento estudantil.
Como funciona o Desenrola Fies?
Dívidas acima de 90 dias:
Dívidas acima de 360 dias:
É a frente voltada a micro e pequenas empresas, com mudanças em programas como Pronampe e Procred, incluindo ampliação de prazos, carência e limites de crédito.
Voltado a agricultores familiares, o programa permite renegociar dívidas e ampliar o acesso ao crédito rural. A expectativa do governo é ampliar o número de beneficiários com a prorrogação do prazo.
O Fundo Garantidor de Operações (FGO) será usado como garantia para as operações de crédito renegociadas, reduzindo o risco para os bancos.
De onde vêm os recursos do fundo?
Os recursos virão de:
Recursos não resgatados no sistema financeiro, estimados entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões.
O programa altera regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas e servidores públicos. Entre as mudanças estão:
Redução da margem consignável total de 45% para 40%;
Limitação do uso de cartão consignado a uma parcela menor da renda;
Ampliação do prazo de pagamento, que pode chegar a até 108 meses (INSS) e 120 meses (servidores);
Possibilidade de carência de até 90 dias (INSS) e 120 dias (servidores).
Além disso, o governo prevê uma redução gradual da margem consignável ao longo dos anos, até atingir 30%.