Copa do Mundo 2026: torneio será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá (Imagem gerada por IA)
Repórter de finanças
Publicado em 11 de maio de 2026 às 13h16.
Última atualização em 11 de maio de 2026 às 13h17.
A Copa do Mundo 2026, momento tão aguardado pelos torcedores do globo todo, está chegando – o torneio tem início daqui a exato um mês, no dia 11 e junho. E a Creditas, em parceria com a Opinion Box, realizou um estudo para entender o comportamento financeiro do brasileiro nesse momento.
Entre os principais insights está que o endividamento aumenta a probabilidade de gastar com a Copa. Oito em cada 10 das pessoas com dívidas responderam que pretendem gastar para acompanhar os jogos.
Ou seja, o endividamento não reduz a disposição de consumo durante o evento – 26% dos brasileiros já chegam endividados ao torneiro, enquanto 47% pretendem gastar ainda mais ao longo do mundial e 14% se endividariam para viver a Copa.
“A Copa desperta um paradoxo financeiro. O brasileiro quer viver o momento, a experiência, afinal, só volta daqui a quatro anos. Mas está pressionado financeiramente – o que não impede a estar disposto a gastar mais durante o campeonato”, comenta Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.
Para parte dos brasileiros, o hexa vale mais do que evitar dívida. Dois em cada 10 dos respondentes topam contrair dívidas para ver o Brasil campeão. Esse número sobre para 30% entre quem nunca viu o Brasil ganhar uma Copa (18 a 24 anos) e avança ainda mais em relação aos endividados (37%).
“O problema é se o Brasil não chega ao final, você não vê sendo hexa e ainda fica endividado”, brinca Felipe Schepers, COO Opinion Box.
O levantamento, realizado com 561 brasileiros trabalhadores entre 15 e 22 de abril, revela que 74% pretendem gastar dinheiro durante o Mundial, enquanto 80% afirmam que podem fazer despesas sem planejamento para acompanhar os jogos.
A pesquisa mostra ainda que a empolgação tende a crescer conforme o desempenho da seleção brasileira. Quase metade dos entrevistados (47%) disse que pretende aumentar os gastos a cada vitória do Brasil.
O impacto financeiro potencial é relevante. A pesquisa aponta que 73% dos entrevistados devem gastar mais de R$ 100 durante a Copa, enquanto 43% planejam desembolsar acima de R$ 200. Apenas 26% disseram que não pretendem gastar nada.
Um dos gastos, por exemplo, é o conhecido álbum de figurinhas, que já está virando uma febre entre torcedores, explica Schepers. “O álbum já virou aquela dor de cabeça”, diz. Afinal, completar o álbum pode chegar a custar R$ 9 mil, explica Gilcione Nonato Costa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
As despesas devem se concentrar principalmente em alimentação e socialização. Entre os entrevistados, 51% pretendem gastar com comidas e bebidas, 23% com produtos esportivos oficiais e 20% com festas e eventos privados. Também aparecem gastos com streaming (19%) e viagens ou deslocamentos (11%).
A pesquisa também captou o pessimismo financeiro dos brasileiros. Para 39% dos entrevistados, é mais fácil o Brasil conquistar o hexacampeonato do que terminar 2026 sem dívidas. Outros 41% acreditam que organizar as finanças é mais provável do que a seleção levantar a taça.
"Tudo isso combinado com uma falta de educação financeira, traz muita preocupação. Se a gente tivesse educação financeira desde sempre e simplesmente se planejasse para a Copa do Mundo, tenho certeza que viveríamos uma Copa com muito mais tranquilidade financeira", conclui Casagrande.