Cotação do dólar está no menor nível em dois anos. É hora de comprar?

Planeja viajar para o exterior até o final do ano? Veja o que considerar na hora de compra da moeda americana
Apesar de ser difícil prever o comportamento da moeda americana, momento pode representar uma boa oportunidade de compra (Igor Golovniov/Getty Images)
Apesar de ser difícil prever o comportamento da moeda americana, momento pode representar uma boa oportunidade de compra (Igor Golovniov/Getty Images)
Por Marília AlmeidaPublicado em 30/03/2022 06:15 | Última atualização em 30/03/2022 05:48Tempo de Leitura: 4 min de leitura
A cotação do dólar fechou a última sessão a R$ 4,77, próxima do seu menor nível em dois anos. Para quem vai viajar ao exterior até o final do ano, chegou enfim a hora de comprar a moeda americana?
Apesar de ser difícil prever o que irá acontecer com a moeda, ainda mais em um ano de intensa volatilidade, com a guerra entre Rússia e Ucrânia e o fim da pandemia influenciando o cenário, o momento pode, sim, ser uma oportunidade de compra, apontam especialistas.
Isso porque, com o adiamento do fim do ciclo de alta da Selic, o real continua a surfar uma onda de investimentos externos. Atraídos pela taxa de juros maior, investidores estrangeiros optam por aplicar dólares em ativos de renda fixa no país, o que auxilia na depreciação da moeda americana, disse Elson Gusmão, analista da Ourominas.
Investidores estrangeiros também são atraídos -- e alimentam ainda mais esse processo -- pela valorização das commodities produzidas pelo país em meio ao conflito no leste europeu e aplicam em ações de empresas brasileiras exportadoras de matérias-primas, diz Marcos Weigt, head da Tesouraria do Travelex. Mas ele aponta: "nesse cenário, a valorização do real frente ao dólar não deve perdurar. Daqui em diante, o dólar tem menos para cair do que para subir."
O Banco Central sinalizou que fará o último aumento na Selic na próxima reunião do Copom, que acontece no começo de maio, levando a taxa a 12,75% ao ano. Portanto, Gusmão, da Ourominas, acredita que até lá a moeda americana possa continuar em tendência de queda, chegando a R$ 4,55. Posteriormente ao fim do ciclo, e mirando as eleições, o analista espera que a moeda volte a subir até julho, chegando a um valor que ficará entre R$ 4,90 e R$ 5,10.
Caso as negociações para um acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia não avancem e o preço do petróleo volte a subir, pressionando ainda mais a inflação, o BC deve adiar mais uma vez o ciclo de estabilização da Selic. Nesse caso, a moeda americana continuará a sua trajetória de queda, segundo o especialista.

Como realizar a compra

Apesar de os analistas darem uma ideia de como a moeda americana irá se comportar, essa projeção pode sofrer ajustes ao longo dos meses. Portanto, para quem vai viajar até o final do ano, o melhor é comprar a moeda aos poucos. Basta dividir o valor necessário pelo número de meses que faltam até a data da viagem.
O dólar turismo hoje varia entre R$ 4,96 e R$ 5,10, caso de corretoras fora dos grandes centros, nas quais o custo de transporte da moeda é mais alto. "Ao longoi da pandemia a moeda chegou a custar R$ 5,50 em algumas casas", diz Fernando, do departamento jurídico da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam).

No site do Banco Central (BC), é possível checar o ranking do Valor Efetivo Total (VET), ou seja, quanto custa a compra da moeda incluídos a taxa de câmbio, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a tarifa cobrada pela casa que vende o dólar ou outra divisa. Com o VET, pode-se comparar os preços oferecidos pelas instituições financeiras.

Contudo o serviço de ranking no site do BC serve apenas como indicativo dos menores preços e ponto de partida da consulta a ser feita, já que os dados ali correspondem à média do mês e o dólar oscila diariamente. Essa consulta pode ser complementada em plataformas online, como a Melhor Câmbio.