Apps de bancos: como evitar que criminosos acessem após roubo do celular

Cresce em São Paulo furtos e roubos de celulares que são seguidos por fraudes bancárias, feitas em minutos
Criminosos estão de olho em um comportamento acelerado pela pandemia. Segundo uma pesquisa da Febraban, as transações com movimentação financeira feitas pelo celular registraram um salto de 64% em 2020 (Hamza Butt/Flickr)
Criminosos estão de olho em um comportamento acelerado pela pandemia. Segundo uma pesquisa da Febraban, as transações com movimentação financeira feitas pelo celular registraram um salto de 64% em 2020 (Hamza Butt/Flickr)
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Redação

Publicado em 25/06/2021 às 06:30.

Última atualização em 25/06/2021 às 18:08.

Você deixaria dinheiro em espécie desprotegido? Colocaria em sua carteira e sairia com ela na mão na rua sem preocupações? "A resposta certamente é 'não'. Mas será que não estamos fazendo isso com o dinheiro que guardamos no celular [por aplicativos de bancos]?", questiona Roberto Rebouças, gerente-executivo da empresa de segurança Kaspersky no Brasil.

Ao que tudo indica, a resposta é 'sim'. Cresce em São Paulo o número de furtos e roubos de celulares que são seguidos por fraudes bancárias, executadas em poucos minutos. Isso acontece porque os criminosos, com a ajuda de hackers, conseguem acessar apps de bancos para fazer transferências ou empréstimos em nome da vítima.

Caso o smarphone não esteja protegido corretamente, o prejuízo pode ser grande, explica o pesquisador de malware da ESET Lukas Stefanko.

Os criminosos podem acumular cobranças em cartões ou usar aplicativos de pagamento para fazer compras com o dado do dono do aparelho. Além de esvaziar a conta bancária, o incidente pode prejudicar até mesmo a classificação de crédito no banco, dificultando a contratação de um empréstimo.

Como proteger seus aplicativos de bancos

Primeiros passos

  • Ativar todas as medidas de segurança fornecidas pelo aparelho. Isso inclui habilitar o desbloqueio biométrico (validação de rosto, validação de retina e validação de impressão digital) e bloqueio por padrão.
  • A maioria dos aplicativos de pagamento também permite ativar recursos de segurança adicionais, como autenticação em dois fatores. Também é possível bloquear os aplicativos com medidas de segurança adicionais, como código e bloqueios biométricos, e ativar esses recursos também para transações.

Mas o problema é que muito dos roubos ocorrem na rua e durante o uso do celular, momento em que o aparelho está desbloqueado.

Dessa forma, os criminosos têm acesso facilitado aos apps de bancos e fintechs e, a partir daí, realizam pesquisas buscando por senhas eventualmente armazenadas pelos próprios usuários em aplicativos e sites. De posse dessas informações, tentam ingressar no aplicativo do banco, explica a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Aumentar segurança de senhas

  • Jamais anotar senhas de acesso ao banco em blocos de notas, e-mails, mensagens de WhatsApp ou outros locais em seu celular;
  • Não repetir a senha utilizada para acesso ao seu banco para uso em quaisquer outros aplicativos, sites de compras ou serviços na internet.

Caso seu celular seja roubado

  • Notificar imediatamente o banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas, especialmente o bloqueio do app do banco e da senha de acesso;
  • Avisar à operadora de telefonia para o bloqueio imediato da linha, tanto do chip como da IMEI (Identidade Internacional do Equipamento Móvel)
  • Acessar a função "Find My Phone" no computador pessoal ou no celular de alguém de sua confiança. Disponível para aparelhos Android e Apple, essa funcionalidade permite desativar o telefone e apagar dados remotamente. Para isso, é necessário instalar o app e ativar a proteção antes de qualquer problema.
  • Registrar um Boletim de Ocorrência na polícia.

Como evitar roubos no WhatsApp

Existem duas formas, por exemplo, para evitar o roubo de informações em aplicativos de mensagens como o WhatsApp. A primeira é ler a mensagem com o código de ativação do programa e a segunda é ativar a opção de realizar dupla autenticação.

Com ele, além da ‘senha enviada via SMS’, é necessário informar uma senha pessoal. Essa informação é específica para o aplicativo e não existe uma maneira de solicitá-la sem desmontar o esquema de fraude", afirma Rebouças, da Kaspersky.

O quão seguros são os apps de bancos?

Questionada sobre a segurança dos apps dos bancos, a Febraban diz que os aplicativos dos bancos contam com "o máximo de segurança em todas as suas etapas, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização".

"Portanto, não existe qualquer registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto. Além disso, para que os aplicativos bancários sejam utilizados, há a obrigatoriedade do uso da senha pessoal do cliente", afirmou a entidade.

O que diz o Procon sobre golpes bancários

Nesta quinta-feira, 24 de junho, o Procon-SP promoveu reunião com representantes de bancos, operadoras de telefonia e das empresas de tecnologia Apple e Google para tratar de mecanismos de segurança disponibilizados em caso de roubo de smartphones e as medidas preventivas para evitar golpes e fraudes bancárias. Estiveram presentes na reunião representantes de Apple, Claro, Facebook, Febraban, Google, Motorola, Samsung, TIM, Vivo e Whatsapp.

A Apple e o Google são as empresas dos dois principais sistemas operacionais de smartphones no país, respectivamente o iOS e o Android.

No encontro houve acordo entre as partes para que o Procon-SP disponibilize uma central com todas as orientações que o consumidor deve seguir em casos de furtos e roubos de celulares.

"O objetivo é centralizar as informações e facilitar a vida do consumidor. É dever das empresas oferecerem meios simples e rápidos para evitar que mais pessoas sejam vítimas desses criminosos", afirmou Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP.

Na central, o consumidor terá informações sobre o passo-a-passo que cada uma das empresas -- bancos, operadoras e empresas dos sistemas operacionais dos celulares -- fornece para que ele, de forma simples e ágil, possa bloquear a sua conta e senha bancária, sua linha de telefone e chip e apagar os dados de seu celular.

"Nossa ideia é que o consumidor possa acessar um único número para fazer todos esses bloqueios. Isso está em andamento, mas não está disponível ainda", informa Capez.

"O importante é conseguirmos avisar todos os consumidores sobre as ações preventivas; se conseguirmos inviabilizar esse tipo de golpe com as transações bancárias, esses crimes tendem a reduzir", afirma.

Procurada, a Febraban disse que os bancos estão colaborando com as discussões em andamento no Procon. Segundo a entidade, o principal objetivo das instituições financeiras é reforçar ações de comunicação sobre procedimentos que o consumidor deve adotar para bloquear sua conta e sua senha no banco após o furto ou o roubo do celular.

Banco deve devolver dinheiro em caso de roubo do celular e fraude?

O entendimento de que o cliente tem responsabilidade pelos seus atos e sua segurança ainda não é unanimidade na Justiça, mas já há decisões que reconhecem a responsabilidade do cliente em fraudes bancárias.

O tema é complexo, uma vez que o Código de Defesa do Consumidor protege o cliente, mas, por outro lado, também prevê a isenção de responsabilidade da instituição quando a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro.

"Você consegue o dinheiro de volta quando esquece a carteira em algum lugar e consegue recuperá-la, mas sem o dinheiro que estava nela? Nós, como clientes e usuários, sempre temos uma parcela de responsabilidade. Reconhecer isso e os riscos são essenciais para sabermos como devemos nos proteger", avalia Rebouças, da Kaspersky.

Transações feitas pelo celular aumentam 64% na pandemia

Criminosos estão de olho em um comportamento acelerado pela pandemia. Segundo uma pesquisa da Febraban, as transações com movimentação financeira feitas pelo celular registraram um salto de 64% em 2020, impulsionadas pela pandemia e o auxílio emergencial.

Praticamente todas as operações disponíveis para os clientes bancários pelo smartphone cresceram em 2020: contratação de investimentos (63%), transferências/DOC/TED (60%), pagamentos de contas (51%), contratação de crédito (44%).

Segundo o levantamento, o total de contas ativas no mobile banking – conta com alguma movimentação nos últimos seis meses- mais que dobrou, passando de 92,4 milhões para 198,2 milhões.

No ano passado, pela primeira vez, as transações realizadas no mobile banking representaram mais da metade (51)% do total das operações feitas no país.

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