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Brasileiros perderam mais de R$ 21 bilhões em golpes no último ano

Estudo mostra que uma em cada quatro pessoas que interagiu com golpe tem dinheiro roubado, seja por ter entregue ao golpista dinheiro, informações pessoais ou ambos

Golpes: ]cada brasileiro lesado perdeu R$ 1.287 no último ano (Imagem gerada por IA)

Golpes: ]cada brasileiro lesado perdeu R$ 1.287 no último ano (Imagem gerada por IA)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 17h08.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 16h17.

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Uma mensagem com promessa de emprego, uma promoção irresistível ou um falso aviso do banco. Em poucos minutos, o que parecia uma oportunidade ou um simples clique pode se transformar em um grande prejuízo. No último ano, os brasileiros perderam R$ 21,24 bilhões em golpes, segundo um levantamento da Global Anti-Scam Alliance (GASA).

O valor é resultado de um cenário em que as fraudes se tornaram parte da rotina: uma em cada quatro pessoas que interagiu com um golpe acabou tendo dinheiro, informações pessoais ou ambos roubados.

O estudo mostra que a exposição às fraudes é praticamente inevitável. Oito em cada dez adultos brasileiros receberam ao menos uma tentativa de golpe em 2026, o equivalente a uma média de 202 abordagens por pessoa ao longo do ano — cerca de 34,5 bilhões de tentativas em todo o país.

Compras falsas, promessas de dinheiro inesperado e vagas de emprego estão entre os golpes mais frequentes, mas fraudes envolvendo investimentos, boletos, romances e pedidos de doação também aparecem entre as principais armadilhas.

A facilidade com que os criminosos convencem as vítimas ajuda a explicar o tamanho do prejuízo. Mais da metade dos brasileiros que receberam uma tentativa de golpe acabou interagindo com ela, e dois em cada cinco admitem não confiar na própria capacidade de identificar uma fraude. Entre aqueles que perderam dinheiro, 34% afirmam que passaram pela situação mais de uma vez.

Os prejuízos também costumam acontecer rapidamente. Para 26% das vítimas, bastaram alguns minutos para que o dinheiro desaparecesse. Em média, cada brasileiro lesado perdeu R$ 1.287, embora uma parcela significativa tenha sofrido perdas superiores a R$ 3 mil.

“No TikTok, vi um vídeo perfeito que me levou a um site idêntico ao de uma empresa famosa. Tomei o cuidado de não usar o link do TikTok e procurei o site oficial por conta própria, mas ele parecia exatamente igual. Caí no golpe porque achei que poderia comprar sem medo”, diz uma vítima ao estudo.

“Recebi uma ligação de uma instituição de caridade que eu já havia apoiado antes. Eles pediram ajuda, então fiz uma transferência. Mais tarde, comentei o assunto com uma pessoa que eu conhecia e que trabalhava lá, e ela me disse que era um golpe e que muitas outras pessoas também haviam sido vítimas. Depois, vi que a instituição já havia publicado alertas nas redes sociais, mas eu não tinha visto”, diz outra vítima.

Principais canais de golpes

As ligações telefônicas e os aplicativos de mensagens instantâneas continuam sendo os principais canais de disseminação de golpes no Brasil, segundo o levantamento. Entre as pessoas que afirmaram ter sido vítimas de golpes, 53% disseram ter entrado em contato com o golpista por ligação telefônica em 2026.

Os aplicativos de mensagens instantâneas aparecem em seguida, com 49% das tentativas de golpe em 2026. Por e-mail, 39% afirmaram ter sido vítimas de golpes, enquanto as mensagens de texto ou SMS registram 38% das tentativas. Nas redes sociais, esse número é de 28%.

As plataformas que oferecem comunicação direta continuam concentrando a maior parte das tentativas de golpe. De acordo com o estudo, 71% das tentativas de golpe no Brasil nos últimos 12 meses ocorreram em plataformas com alguma função de mensagens diretas. Quando segmentado por plataforma, WhatsApp (64%), Gmail (32%), Instagram (22%), Facebook (17%) e Google (13%) aparecem entre o top cinco.

As vítimas costumam enviar dinheiro por meio de transferências bancárias tradicionais e utilizam métodos de pagamento instantâneo em uma proporção acima da média. Entre os oito principais canais de pagamento pelos quais os golpistas receberam dinheiro estão: transferências bancárias tradicionais ou via TED/DOC (33%); aplicativo de pagamento instantâneo como o Pix (32%); e cartão de débito ou crédito (16%).

Quem sabe reconhecer um golpe

Na outra ponta, também dois em cada cinco se sentem confiantes em identificar golpes. E o principal motivo apontado para não interagir com golpes é intuitivo. “Sentir que as mensagens não são legítimas ou, como regra, não responder a mensagens não solicitadas”, diz o estudo. No total, 37% dos adultos brasileiros afirmam ter reconhecido sinais de alerta comuns de golpes.

Em ordem: a mensagem ou solicitação não parecia legítima (43%); eu não respondo a mensagens ou chamadas não solicitadas como regra geral (42%); o contto veio de uma fonte inesperada ou desconhecida (38%); reconheci sinais couns de alerta de fraude (exemplo: urgência, ameaças, pedidos de sigilo) (37%); e a solicitação parecia boa demais para ser verdade (37%).

Pedidos suspeitos de dinheiro, pagamento ou dados pessoais, além de ofertas irrealisticamente boas, são os principais motivos pelos quais os adultos brasileiros acabam não entregando dinheiro aos golpistas após a interação. Entre os 10 principais motivos que impediram o envio de dinheiro, em primeiro (31%) aparece: “A oferta ou pedido parecia bom demais para ser verdade.”

O pós

E o que acontece após o golpe? Sete em cada 10 vítimas descobriram que foram enganadas por si só. Em menor número, 22% aprenderam pelas mídias/notícias. Neste sentido, experiências anteriores com golpes é um fator eficaz para ajudar os adultos brasileiros a reconhecer ou evitar golpes, sendo respondido por 37% da amostra.

Quando a vítima cai em um golpe, segundo o levantamento, 64% reportam aos amigos ou familiares, enquanto 51% reportam ao provedor do serviço ou da plataforma e 46% reportam ao banco ou provedor de serviços financeiros. No total, 82% daqueles que se depararam com um golpe no Brasil reportaram o ocorrido nos últimos 12 meses.

As vítimas brasileiras afirmam que os golpes dão certo porque: fizeram a situação parecer muito convincente e realista (47%); achou que o pagamento era seguro ou que estava protegido (41%) os golpistas se passaram por uma organização legítima (39%); e ofereceram algo que parecia ser um bom negócio, prêmio, reembolso ou oportunidade (39%).

Prevenção de golpes

Entre os canais usados para denunciar golpes, organizações comerciais são os mais procurados no Brasil, com 56% das denúncias, seguidas pelas autoridades, com 38%, e pelas plataformas sociais, com 41%. Dentro das organizações comerciais, 42% dos entrevistados disseram ter recorrido ao próprio banco ou provedor de pagamento.

Entre as autoridades, 30% denunciaram o golpe à polícia local ou nacional, 12% a órgãos de proteção ao consumidor, 9% a sites nacionais de denúncia e 7% ao regulador financeiro. Já nas plataformas sociais, 29% relataram o caso a familiares ou amigos, 16% à própria plataforma social e 7% a sites de avaliação online.

Apenas um em cada cinco pessoas que reportagem perdas financeiras a uma organização consegue ter seu dinheiro recuperado ou reembolsado pelo menos parcialmente. Entretanto, a maioria (36%) respondeu “Eles não tomaram nenhuma ação, até onde eu saiba”.

Na hora de verificar se uma oferta é verdadeira ou se pode ser um golpe, os brasileiros priorizam a checagem em fontes externas. Segundo o levantamento, 97% afirmam adotar ao menos uma medida de verificação, e a prática considerada mais eficaz é pesquisar avaliações em outros sites, mencionada por 42% dos entrevistados.

Também aparecem entre as estratégias de maior eficácia consultar amigos e familiares (23%), verificar se o pagamento pode ser feito por métodos que oferecem reembolso, como cartão de crédito ou PayPal (22%), e entrar em contato diretamente com a empresa por telefone (18%).

A pesquisa também mostra que a população atribui às empresas um papel central na prevenção às fraudes. Para 26% dos entrevistados, a principal responsável por proteger os usuários é a plataforma online utilizada pelo golpista. Em seguida aparecem o governo (17%), a responsabilidade individual (14%), a polícia (11%) e os provedores de hospedagem dos sites (11%).

No agregado, 54% dos brasileiros entendem que empresas comerciais devem liderar essa proteção, enquanto 28% atribuem essa responsabilidade a órgãos públicos.

Apesar dessa expectativa em relação às plataformas e ao governo, a percepção sobre o desempenho dessas instituições é diferente. A polícia foi apontada como a organização cuja atuação mais se aproxima das expectativas da população na prevenção e resolução de golpes. Já governo e plataformas online aparecem entre os piores avaliados nesse quesito, indicando uma percepção de que ainda falham em entregar a proteção esperada pelos consumidores.

Os bancos foram os mais bem avaliados no desempenho geral entre as instituições analisadas. Os entrevistados destacaram principalmente a facilidade para denunciar golpes (51%), as ações de educação e conscientização (49%) e o bloqueio de pagamentos fraudulentos (48%).

A pesquisa mostra ainda que a expectativa da população vai além da prevenção: 61% acreditam que bancos deveriam sempre reembolsar vítimas de golpes, percentual superior ao registrado para empresas de cartão de crédito (59%) e provedores de serviços de pagamento (53%).

Embora o receio de cair em golpes permaneça elevado, ele não aumentou em relação ao ano passado. A pesquisa mostra que 67% dos brasileiros seguem preocupados com esse tipo de fraude, o mesmo patamar registrado em 2025.

Ainda assim, os impactos sobre o bem-estar são significativos: entre quem foi vítima de golpes, muitos relataram consequências emocionais e financeiras, como estresse, ansiedade, perda de confiança e dificuldades econômicas, indicando que, mesmo sem avanço na preocupação geral, os prejuízos continuam afetando a qualidade de vida da população.

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