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Após rombo de R$ 20 bi, Procon-SP pergunta a Americanas se compras já realizadas serão afetadas

Órgão de defesa quer saber quais os impactos dos problemas da varejistas para os seus consumidores

Funcionária da Americanas: Procon-SP também cobra resposta sobre as reclamações feitas nos últimos 90 dias na plataforma (Leandro Fonseca/Exame)

Funcionária da Americanas: Procon-SP também cobra resposta sobre as reclamações feitas nos últimos 90 dias na plataforma (Leandro Fonseca/Exame)

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Agência O Globo

Publicado em 13 de janeiro de 2023, 12h52.

Após a notícia das "inconsistências" de R$ 20 bilhões no balanço da Americanas, o Procon-SP enviou uma notificação para a empresa nesta sexta-feira. Nela, a entidade questiona os possíveis impactos aos consumidores, se as compras realizadas serão comprometidas e pede detalhes sobre quantas pessoas serão afetadas caso isso aconteça. A varejista tem até terça-feira, dia 17, para responder os questionamentos.

"O Procon-SP olha com muita preocupação a atual situação das Lojas Americanas, considerando a renúncia de seus principais executivos e a eminente possibilidade da empresa ter que assumir um prejuízo não lançado em seus relatórios contábeis", disse ao GLOBO Guilherme Farid, chefe de gabinete do instituto.

A varejista terá que esclarecer ainda sobre as reclamações feitas nos últimos 90 dias na plataforma do Procon-SP. A entidade de defesa do consumidor paulista quer saber se as queixas têm alguma relação com os problemas noticiados e, se for o caso, qual solução será proposta.

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Em 2022, a Americanas contabilizou cerca de 9,3 mil queixas registradas por consumidores no Procon-SP. Em 2021, este número era de 5,7 mil. Ou seja, no último ano foram feitas 3,6 mil reclamações a mais.

"Pode haver impactos na área do consumidor, principalmente com relação aos compromissos já assumidos, com relação à compra e venda de produtos. Exemplos disso são a garantia, as trocas e devoluções. Então, o Procon notifica a empresa para que ela apresente estes esclarecimentos", continuou Farid.

Entenda a crise

Escolhido em agosto de 2022 para dirigir a Americanas, Sergio Rial renunciou o cargo na última quarta-feira, após ter passado apenas nove dias no posto. Ele decidiu deixar uma das maiores varejistas do país depois que descobriu uma “inconsistência” contábil no balanço da companhia da ordem de R$ 20 bilhões.

O anúncio das "insconsistências" no balanço levou a uma queda de mais de 77% das ações da empresa em um só dia, a maior na Bolsa brasileira desde 2008. A companhia perdeu mais de R$ 8 bi em valor de mercado nesta sexta, após a revelação do rombo bilionário.

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