6 dicas para usar o cartão de crédito de forma responsável

Pesquisa da Serasa Experian aponta o setor de cartões como principal responsável pela maior parte das dívidas dos brasileiros: quase 30% no total
Cartão de crédito: com a alta inflação e o aumento nos preços de produtos e serviços, os brasileiros estão buscando diferentes alternativas para pagar as contas (Medioimages/Photodisc/Thinkstock)
Cartão de crédito: com a alta inflação e o aumento nos preços de produtos e serviços, os brasileiros estão buscando diferentes alternativas para pagar as contas (Medioimages/Photodisc/Thinkstock)
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Thais Cancian

Publicado em 05/08/2022 às 07:03.

Última atualização em 11/08/2022 às 17:53.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Serasa Experian, em maio, o Brasil registrou o total de 66,6 milhões de brasileiros inadimplentes - o maior número desde 2016, quando a pesquisa começou. Somando todas as dívidas, o valor total chega a R$ 278,3 bilhões, aproximadamente R$ 4.179,50 por dívida. No comparativo com maio de 2021, houve um crescimento de quatro milhões de pessoas endividadas.

Com a alta inflação e o aumento nos preços de produtos e serviços, os brasileiros estão buscando diferentes alternativas para pagar as contas - uma delas, por exemplo, é recorrer ao cartão de crédito. Segundo dados do levantamento da Serasa, o setor de cartões e bancos é o responsável pela maior parte das dívidas: 28,2% no total.

“De fato, o cartão de crédito acaba sendo uma forma prática de pagar as despesas, mas é necessário cuidado e cautela ao utilizar esse recurso, caso contrário, pode acabar se tornando uma bola de neve e a pessoa acaba ficando com várias dívidas”, explica o educador financeiro Tiago Cespe, criador da Cespe Educação Financeira.

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Confira a seguir 6 dicas para usar o cartão de crédito de forma responsável e eficiente:

1. Defina um limite pessoal

Estipular um teto para manter os gastos sob controle é essencial. Levante seus rendimentos e determine a quantia máxima que você será capaz de pagar mensalmente - este será o valor máximo que a sua fatura deverá ter por mês.

É recomendado que o limite seja de, no máximo, 50% da sua receita líquida. Os bancos costumam liberar um valor arbitrário, mas você pode ajustá-lo como preferir. Para Cespe, “fixar o limite do cartão para não comprometer as finanças é uma excelente estratégia. Vale lembrar também que o processo é totalmente reversível: em casos de emergências e contratempos, há a possibilidade de retornar ao limite antigo”.

2. Tenha atenção ao prazo de vencimento da fatura

Com tantas contas de produtos e serviços para quitar todos os meses, é comum esquecer de pagar algumas no fluxo. Mas nada se compara ao problemão que seria esquecer de pagar a fatura do cartão de crédito, dados os juros altíssimos que começam a ser cobrados em decorrência desse atraso.

Então, esteja sempre atento à data de vencimento da sua fatura. Anote o dia na sua agenda, configure lembretes ou notificações no celular ou no próprio aplicativo do banco para ser avisado assim que a data chegar mensalmente.

3. Anote e acompanhe os gastos

Para garantir que tudo esteja sob controle, uma boa prática é manter tudo anotado! Em especial, os seus gastos e prazos, dois dos elementos que mais exigem a sua atenção e acompanhamento. Anote em um caderno, ou numa planilha, ou no seu aplicativo financeiro de preferência. Descreva o que foi comprado, quando e onde aquela compra foi realizada, se foi à vista ou parcelada, com juros ou sem juros, quais são os prazos em questão, quanto você ainda pode gastar no cartão, etc.

4. Crie um fundo de reservas

Começar uma reserva de emergência é essencial para os imprevistos da vida. Guardar o suficiente para se sustentar por um período de 6 meses a 1 ano é a recomendação. Assim, você já tem uma “carta na manga” caso o cartão de crédito entre em juros rotativos ou não tenha limite disponível para uma emergência.

5. Fuja de compras desnecessárias e impulsivas

O cartão de crédito dá a falsa impressão de que temos mais dinheiro e que podemos gastar mais. Mas sabemos que não é assim: limite não significa dinheiro na conta!

Às vezes, pode ser difícil controlar o impulso, principalmente ao se deparar com “ofertas imperdíveis” e promoções com bom custo-benefício. Porém, antes de sair gastando, é essencial ponderar se você realmente precisa daqueles produtos ou serviços, ou se é só um desejo impulsivo. Pesquise, compare preços e, se perceber que aquilo realmente não é tão necessário, adie a compra até tomar uma decisão mais consciente.

Segundo Cespe, “o planejamento financeiro é uma ferramenta poderosa de estar sempre no controle da situação. Muitas dívidas se acumulam na perda desse controle, quando muitos só vão se dar conta do que gastaram ao receberem a fatura, por isso é importante lembrar que cartão de crédito não é complemento de renda”.

6. Não exagere nos parcelamentos

Nem todas as compras precisam ser parceladas. Sempre que possível, pague à vista.

O ideal é ter moderação, já que os parcelamentos podem atrapalhar a noção do que foi gasto com um produto. Lembre-se de que, mesmo parcelada, cada compra tem um valor inteiro específico. Ao final de cada mês, as parcelas se acumularão com outras contas, o que pode dificultar o pagamento da fatura nos meses mais apertados. Por isso, sempre avalie se realmente há necessidade de parcelamento e evite se comprometer com muitas parcelas.

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