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Yduqs despenca 13% e lidera quedas do Ibovespa após balanço 'fraco'

Em dia de aversão ao risco nos mercados, setor de educação está em baixa; Cogna também recua

Yduqs lidera quedas do Ibovespa: no quarto trimestre de 2025, a Yduqs registrou prejuízo líquido de R$ 49,5 milhões, revertendo o lucro de R$ 13,8 milhões apurado no mesmo período de 2024 (Divulgação)

Yduqs lidera quedas do Ibovespa: no quarto trimestre de 2025, a Yduqs registrou prejuízo líquido de R$ 49,5 milhões, revertendo o lucro de R$ 13,8 milhões apurado no mesmo período de 2024 (Divulgação)

Publicado em 12 de março de 2026 às 12h36.

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As ações da Yduqs lideram as quedas do Ibovespa nesta quinta-feira, 12, após a divulgação do balanço do quarto trimestre e do consolidado de 2025. Por volta das 12h24, os papéis da companhia recuavam 13,67%, em um pregão de forte aversão a risco em que o índice de referência da bolsa brasileira caía 2,59%, aos 179.198 pontos.

A queda expressiva é marcada pela avaliação de que a companhia divulgou resultados considerados fracos, segundo analistas do mercado.

No quarto trimestre de 2025, a Yduqs registrou prejuízo líquido de R$ 49,5 milhões, revertendo o lucro de R$ 13,8 milhões apurado no mesmo período de 2024. Considerando os ajustes, o lucro líquido foi de R$ 60,2 milhões, queda de 2,5% na comparação anual.

Segundo a companhia, o resultado foi pressionado por provisões relacionadas a calouros não engajados e pela migração de alunos do financiamento privado para um modelo de recebimento diluído ao longo do curso.

O balanço também foi penalizado pelas despesas financeiras, que aumentaram em função da alta da taxa básica de juros, a Selic. No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 180,4 milhões, queda de 47,1% em relação ao ano anterior. O lucro ajustado, por sua vez, alcançou R$ 399,2 milhões, alta de 14,3% na mesma base de comparação.

O Ebitda da companhia ficou praticamente estável no trimestre. O indicador totalizou R$ 361,8 milhões entre outubro e dezembro, avanço de 0,1% em relação ao mesmo período de 2024. Na versão ajustada, o Ebitda atingiu R$ 458,9 milhões, crescimento de 16,1% na comparação anual. No ano, o Ebitda total foi de R$ 1,703 bilhão, queda de 2,2%, enquanto o Ebitda ajustado alcançou R$ 1,875 bilhão, alta de 3,2%.

A receita líquida do quarto trimestre foi de R$ 1,304 bilhão, crescimento de 3% na base anual. No consolidado de 2025, a receita atingiu R$ 5,521 bilhões, avanço de 3,2% frente a 2024.

Apesar da melhora em alguns indicadores operacionais e da redução da alavancagem, a dívida líquida caiu 11,8% no ano, para R$ 2,483 bilhões, com relação dívida líquida/Ebitda ajustado de 1,46 vez.

Mercado vê 'conjunto fraco de resultados'

Em relatório, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avaliou que a empresa divulgou um "conjunto fraco de resultados" no quarto trimestre, com geração de caixa abaixo do esperado.

Segundo o banco, o fluxo de caixa livre operacional após capex caiu 18% na comparação anual, para R$ 157 milhões, enquanto o fluxo de caixa para o acionista ficou negativo em R$ 59 milhões, revertendo resultado positivo registrado um ano antes.

Para os analistas do banco, embora parte da pressão sobre o resultado esteja associada a eventos pontuais, o "desempenho adiciona alguma incerteza ao caso de investimento", especialmente diante de perspectivas pouco animadoras para o primeiro semestre de 2026 e de margens pressionadas por custos mais altos com professores, em meio a mudanças regulatórias. Mesmo assim, o BTG manteve recomendação de compra para o papel.

O Banco Safra também classificou os números como fracos. Em relatório, os analistas destacaram que tanto a receita quanto o Ebitda ajustado ficaram abaixo das estimativas da instituição, indicando um cenário misto para o início de 2026.

Segundo o banco, cerca de 80% do ciclo de admissões para o primeiro semestre já foi concluído e mostrou desempenho desigual entre segmentos: enquanto as matrículas híbridas superaram as expectativas, as modalidades presenciais e de ensino a distância ficaram abaixo das projeções.

"Não nos surpreenderia ver uma reação negativa do mercado à queda no EBITDA e às tendências mais fracas de admissões no campus e no ensino à distância. No geral, mantemos a classificação Outperform para a YDUQ3", disse o banco.

Ações da Cogna também tombam

As ações da Cogna Educação também operam entre as maiores quedas do Ibovespa após a divulgação de seus resultados, recuando 6,29%.

A companhia encerrou 2025 com crescimento expressivo do lucro, que somou R$ 625,5 milhões no ano — avanço de 755,8% frente a 2024. No quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 220 milhões, alta de 84,9% na comparação anual.

Apesar do avanço no resultado final, o desempenho operacional foi pressionado. O Ebitda caiu 26% no trimestre, para R$ 742,2 milhões, refletindo fatores pontuais como a postergação do reconhecimento de parte das receitas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que deve ser contabilizada apenas em 2026.

Em relatório, o Itaú BBA avaliou o resultado de Cogna como misto. Os analistas apontaram que a dinâmica de margens na divisão Kroton foi mais desafiadora no trimestre, o que levou a uma desaceleração no crescimento do Ebitda e tem gerado questionamentos entre investidores sobre o comportamento das margens em 2026, especialmente diante de possíveis pressões de custos ligadas ao ambiente regulatório.

No radar do setor de educação, investidores também aguardam a divulgação do balanço da Ânima Educação, prevista para depois do fechamento do mercado nesta quinta.

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