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XP corta previsão para Ibovespa a 132 mil pontos no final do ano

Analistas citam o menor crescimento no Brasil e aumento da incerteza do cenário externo por conta do surto de coronavírus

Ibovespa: previsão anterior era de 140 mil pontos (Cris Faga/Getty Images)

Ibovespa: previsão anterior era de 140 mil pontos (Cris Faga/Getty Images)

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Reuters

5 de março de 2020, 09h54

São Paulo — A XP Investimentos cortou previsão para o Ibovespa para o final 2020 de 140.000 para 132.000 pontos, citando perspectiva de menor crescimento no Brasil e aumento da incerteza do cenário externo, mas manteve a previsão de 140.000 para o final de 2021.

"Vemos impactos negativos no curto prazo para a bolsa brasileira, tanto em potencial impacto nos lucros quanto no múltiplo de avaliação (Preço/Lucro)", afirmou o estrategista-chefe, Fernando Ferreira, em relatório enviado a clientes na noite de quarta-feira.

A revisão vem depois de ajustes de projeções de indicadores econômicos pela área econômica da XP, "após a clara deterioração recente no cenário externo, por conta do alastramento do coronavírus pelo mundo, e seus impactos nas cadeias de produção, movimentação de pessoas e retração da demanda".

A equipe econômica da XP, liderada por Marcos Ross, revisou estimativas de crescimento do PIB para 1,8% em 2020 (de 2,3%), e de 2,3% para 2,5% em 2021, "devido ao efeito rebote de crescimento no próximo ano mais forte".

Como o cenário de inflação segue benigno, eles veem espaço para que os cortes de juros continuem, e cheguem em 3,5% em 2020, dos atuais 4,25%. "Em 2021, porém, estimamos que os juros voltem a subir e cheguem em 5,0%, ainda 100 pontos-base abaixo da nossa projeção anterior de 6,0%."

Ferreira ressaltou, contudo, que o cenário de médio prazo continua muito favorável para a bolsa brasileira, citando entre os motivos efeito rebote na aceleração do crescimento em 2021, efeito dos juros mais baixos e aumento das respostas dos bancos centrais e governos no mundo.