Warren Buffett: investidor deixou a presidência do conselho da Berkshire Hathaway. (Bank/NBCUniversal via/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 11h18.
Última atualização em 18 de setembro de 2026 às 11h37.
Um dos investidores mais influentes do mundo, Warren Buffett concluiu nesta sexta-feira, 18, mais uma etapa de sua saída do comando da Berkshire Hathaway. Aos 96 anos, ele deixou a presidência do conselho de administração e passou a ocupar o posto de presidente emérito.
Howard Buffett, filho do investidor e integrante do conselho desde 1993, assumiu a presidência do colegiado com efeito imediato.A mudança não representa uma saída completa da empresa, pois Buffett continuará como membro do conselho e poderá oferecer opiniões e aconselhamento à administração. A gestão cotidiana permanece sob responsabilidade de Greg Abel, que assumiu o posto de CEO no início de 2026.
A interpretação predominante entre as análises internacionais é que o anúncio conclui uma sucessão preparada durante anos. A troca tem impacto, principalmente, sobre a governança e a preservação da cultura da Berkshire, uma vez que a transição operacional já havia ocorrido.
O estrategista econômico chefe da Annex Wealth Management, Brian Jacobsen, enxerga que a saída de Buffett já era esperada e representa o encerramento de uma transição preparada durante anos.
"Sempre foi uma questão de quando, não de se. Buffett fez uma saída elegante", pontuou à Reuters. Ele explicou que o anúncio parece mais com a conclusão de uma sucessão cuidadosamente planejada do que com uma mudança repentina de comando.
Desde que Buffett anunciou que deixaria o cargo de CEO, o múltiplo de preço sobre valor patrimonial da Berkshire caiu de 1,62 para 1,53, segundo a LSEG. A variação acompanha o debate sobre a eventual redução do chamado prêmio Buffett, associado à confiança do mercado em sua capacidade de alocar capital.
As ações da Berkshire recuavam 0,42% no mercado americano após o anúncio, a US$ 508,04.
Já o analista da Morningstar, Greggory Warren, abordou a saída do investidor ainda em maio de 2025, após o anúncio de que Abel o substituiria como CEO, detalhando que a Berkshire preparava a sucessão havia cerca de 25 anos e que a cultura de autonomia gerencial e empreendedorismo já estava institucionalizada.
Buffett afirmou aos acionistas que o desempenho de Abel ajudou a determinar o momento escolhido para completar sua retirada dos cargos de liderança. De acordo com o investidor, suas expectativas para o novo CEO eram muito elevadas e foram superadas.
A declaração funciona como um voto público de confiança em Abel. O executivo já vinha participando das principais decisões do conglomerado e agora passa a comandar a Berkshire sem Buffett em nenhum dos dois postos formais mais importantes.
A permanência de Buffett no conselho, porém, cria uma transição gradual, e Abel poderá recorrer à experiência de seu antecessor em grandes aquisições, decisões de investimento ou períodos de turbulência nos mercados. Essa configuração reduz o risco de uma ruptura repentina.
A escolha de Howard Buffett para presidir o conselho estabelece uma divisão clara de responsabilidades dentro da companhia. Abel continuará responsável pela gestão, pelas operações e pela alocação de capital, já o filho de Buffett se concentrará na governança e na preservação dos princípios desenvolvidos por seu pai.
Ao comentar a mudança, Abel afirmou que Howard será o guardião da cultura e dos valores da Berkshire.
Essa estrutura procura responder a uma preocupação recorrente dos acionistas, que querem entender quem tomará as decisões de investimento e também como o conglomerado manterá sua autonomia gerencial, sua disciplina financeira e sua visão de longo prazo.
Howard não administrará diretamente as dezenas de empresas controladas pela Berkshire, mas sua presença no conselho deve funcionar como uma proteção institucional para o modelo criado por Buffett.
O verdadeiro teste para Greg Abel será decidir como utilizar o enorme volume de recursos acumulado pela Berkshire. No segundo trimestre, o conglomerado começou a reduzir sua reserva de caixa, ampliou investimentos em ações, incluindo papéis da Alphabet (dona do Google), e retomou as recompras de ações próprias.
O lucro operacional trimestral avançou 16%, para US$ 12,98 bilhões, superando as projeções do mercado. O resultado oferece uma base positiva para o início da gestão de Abel, mas a imprensa internacional vê que ainda é cedo para avaliar sua capacidade de produzir retornos consistentes.
O executivo terá de escolher entre grandes aquisições, investimentos no mercado acionário, expansão das subsidiárias, recompra de papéis e uma eventual distribuição de dividendos.