Agenda do mercado: o principal indicador do dia no Brasil será divulgado às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com as vendas no varejo de maio (Magnific/Reprodução)
Repórter
Publicado em 16 de julho de 2026 às 05h30.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 06h55.
Investidores acompanham nesta quinta-feira, 16, uma agenda econômica concentrada em indicadores de atividade, com destaque para os dados de vendas no varejo no Brasil e nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o mercado também repercute a confirmação das novas tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciada na noite de quarta-feira, 15, além dos desdobramentos políticos e eleitorais.
O principal indicador do dia no Brasil será divulgado às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com as vendas no varejo de maio. O dado chega após uma retração de 1,5% na comparação mensal em abril e avanço de 1% em 12 meses. Para o varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacarejo, o resultado anterior foi de queda de 0,7% no mês e alta de 1,4% no acumulado anual.
Nos Estados Unidos, a agenda também concentra atenção nos dados de consumo e mercado de trabalho. Às 9h30, o Census Bureau divulga as vendas no varejo de junho, indicador acompanhado pelo Federal Reserve para avaliar a força da economia americana.
Em maio, o índice avançou 0,9% na comparação mensal, e a expectativa do mercado é de uma alta mais moderada, de 0,2%. O núcleo das vendas, que exclui itens mais voláteis, teve crescimento de 0,8% no mês anterior, com projeção de estabilidade.
No mesmo horário, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulga os pedidos iniciais de seguro-desemprego da semana. O dado anterior mostrou 215 mil novas solicitações, com expectativa de 216 mil pedidos. Os investidores acompanham os números em busca de sinais sobre o mercado de trabalho americano e os próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros.
Ainda nos Estados Unidos, às 11h, a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR) divulga as vendas pendentes de moradias do mês passado. O indicador registrou alta de 3,8% em maio na comparação mensal e avanço de 4,8% em 12 meses. Para a nova leitura, a projeção é de uma queda de 0,5%.
Na Europa, os mercados acompanham pela manhã os dados de atividade e comércio. No Reino Unido, às 3h, o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) divulga o Produto Interno Bruto (PIB) de maio, a balança comercial e a produção industrial. O PIB britânico havia registrado queda de 0,1% na comparação mensal em abril e alta de 1,2% em 12 meses. Já a produção industrial ficou estável no período.
Na zona do euro, a Eurostat divulga às 6h a balança comercial de maio. O resultado anterior foi negativo em 1 bilhão de euros, enquanto a expectativa do mercado é de um saldo positivo de 2,8 bilhões de euros. Na Itália, o instituto Istat apresenta a leitura final da inflação ao consumidor de junho, após alta de 0,4% no mês e 3,2% em 12 meses em maio.
No mercado brasileiro, o Tesouro realiza às 11h45 um leilão de títulos públicos, com oferta de LTN e NTN-F, operação acompanhada pelos investidores para avaliar a demanda por papéis prefixados em meio ao cenário de juros elevados.
Além da agenda econômica, o mercado repercute a confirmação das novas tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo americano oficializou na noite de quarta-feira, 15, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
A cobrança entra em vigor em 22 de julho e será aplicada de forma adicional às tarifas já existentes, com exceção de mercadorias que já estiverem em trânsito.
A medida preserva uma lista de cerca de 2.100 produtos isentos da nova tarifa, incluindo café, carne, frutas, suco de laranja e componentes utilizados na fabricação de aeronaves. Segundo o governo americano, esses itens foram excluídos por serem considerados insumos estratégicos para a indústria dos Estados Unidos, terem oferta doméstica insuficiente ou baixa possibilidade de substituição.
O USTR justificou a medida com a conclusão de que o Brasil adota práticas consideradas "não razoáveis" no comércio bilateral, citando questões como o Pix, a tributação sobre o etanol americano, falhas no combate à corrupção e ao desmatamento. A decisão foi chancelada pelo presidente Donald Trump.
O mercado também acompanha a possibilidade de novos desdobramentos. Em outro processo conduzido pelos Estados Unidos, o Brasil é investigado por suposto benefício decorrente de trabalho forçado. A decisão ainda não foi divulgada e poderá resultar em uma tarifa adicional de 12,5%.
Do lado brasileiro, integrantes do governo afirmam que as autoridades americanas não demonstraram abertura às propostas apresentadas nas negociações conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O governo avalia medidas de resposta, incluindo a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
No ambiente político, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, se reúne com representantes de big techs para discutir estratégias de combate à desinformação. O mercado também acompanha a divulgação de pesquisa PoderData sobre a eleição presidencial e o último dia de validade da Medida Provisória nº 1.343/26, que trata do piso mínimo do frete.
No exterior, o presidente dos Estados Unidos tem discurso previsto para as 22h, no horário de Brasília, evento que pode entrar no radar dos investidores diante das recentes decisões envolvendo comércio internacional e geopolítica.
No mercado corporativo, o destaque fica para a divulgação do balanço do segundo trimestre da Netflix (NFLX).
A sessão acontece após um pregão de cautela na bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou a véspera em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, pressionado pela expectativa da decisão dos Estados Unidos sobre as tarifas e pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, em contraste, os principais índices fecharam em alta após o dado de inflação ao produtor (PPI) abaixo das expectativas reforçar a percepção de menor pressão inflacionária. O Dow Jones avançou 0,17%, o S&P 500 subiu 0,45% e o Nasdaq teve alta de 0,73%.
No câmbio, o dólar encerrou praticamente estável frente ao real, com alta de 0,01%, a R$ 5,078. A moeda americana chegou a perder força ao longo do dia após o PPI indicar desaceleração dos preços, mas o cenário doméstico e a expectativa pela confirmação das tarifas limitaram o movimento.