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'Varejo é a grande vítima do juro alto', diz economista-chefe do Bradesco

Economistas avaliam que queda mais forte dos juros depende de ajuste fiscal após eleições

Fernando Honorato: economista-chefe do Bradesco no VTEX Day, em São Paulo (Divulgação/VTEX)

Fernando Honorato: economista-chefe do Bradesco no VTEX Day, em São Paulo (Divulgação/VTEX)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 17 de abril de 2026 às 09h59.

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O varejo brasileiro é hoje o setor mais pressionado pelo nível de juros no país, segundo Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. “O varejo é a grande vítima desse juro alto, seja através do endividamento das famílias, seja na alavancagem das companhias”, afirmou durante um painel no VTEX Day, evento sobre comércio digital que reuniu cerca de 25 mil pessoas em São Paulo. 

O debate também contou com João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), em uma discussão sobre os rumos da economia em um ano marcado por eleições e incertezas globais, como a Guerra no Irã.

Corte nos juros depende da política fiscal

Para Honorato, o ciclo de queda da Selic começou e deve continuar no curto prazo. Isso porque, segundo ele, a política monetária atual está surtindo efeito na economia -- ou seja, desacelerando gradualmente a atividade.

Na visão do especialista, o Banco Central deve conseguir levar a taxa básica para algo próximo de 12% a 13% em um primeiro momento, mesmo diante de um cenário externo com incertezas nos Estados Unidos e no Oriente Médio.

Ainda assim, Honorato acredita que esse movimento não é suficiente. "Para a taxa de juros cair para um dígito, vamos precisar do apoio da política fiscal", afirma.

Segundo ele, 2026 ainda será um ano de juros elevados, com melhora mais relevante apenas a partir de 2027, após as eleições.

A tendência, na sua avaliação, é que o ajuste nas contas públicas ocorra principalmente pelo corte de gastos, diante da menor tolerância da sociedade a aumentos de impostos. “Não fazer o ajuste fiscal pode aumentar a inflação, o que erode o capital político”, afirmou.

Scandiuzzi, do BTG, reforça que esse ambiente monetário já começa a desacelerar a economia. O país vinha de um período de crescimento acima da média após a pandemia, ponderou, o que exigiu juros mais altos para conter a inflação. Agora, o movimento é de normalização. “Não estamos falando de recessão, mas de um pouso suave da economia”, disse.

O banco projeta crescimento mais moderado para 2026, uma vez que o mercado de trabalho continua resiliente, mas o consumo já dá sinais de enfraquecimento, reflexo do nível de endividamento das famílias.

'Não é o fim do dólar'

No cenário externo, a avaliação dos economistas é que o dólar seguirá como principal moeda global, apesar da recente desvalorização. “Não é o fim do dólar como moeda de reserva”, afirmou Honorato.

Segundo ele, o que está acontecendo é um movimento de diversificação de capital. Os investidores seguem alocados nos Estados Unidos, mas passaram a buscar alternativas em outras regiões devido às instabilidades administrativas da gestão de Donald Trump.

"A América Latina tem sido esse porto seguro”, afirmou Scandiuzzi. 

O economista do Bradesco explicou que o Brasil pode se beneficiar em diferentes frentes, como comércio, energia e tecnologia. Ele citou a diplomacia de neutralidade como um diferencial no comércio, além do papel relevante tanto em energia limpa quanto em petróleo. Também aponta o potencial crescente no mercado de data centers.

Além disso, o Brasil se beneficia dos juros elevados que, apesar de pressionarem a economia doméstica, aumentam a atratividade para o capital estrangeiro.

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