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Unilever e Kraft Heinz encerram negociações por fusão bilionária

Conversas envolviam união de marcas como Heinz e Hellmann’s, mas foram interrompidas em meio à reavaliação estratégica das empresas

Fusão interrompida: companhias revisam estratégias  (Karin Salomão/Exame)

Fusão interrompida: companhias revisam estratégias (Karin Salomão/Exame)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 21 de março de 2026 às 08h00.

A Unilever e a Kraft Heinz encerraram negociações recentes para uma possível fusão de seus negócios de alimentos, reportou o Financial Times. A operação reuniria marcas como o ketchup Heinz e a maionese Hellmann's sob a mesma estrutura.

As tratativas envolviam a combinação da divisão de alimentos da Unilever com a área de condimentos da Kraft Heinz, o que poderia dar origem a uma nova empresa avaliada em dezenas de bilhões de dólares.

As discussões ocorrem em um momento de revisão estratégica para ambas as companhias, diante da demanda mais fraca por alimentos industrializados. Consumidores preocupados com a saúde têm migrado para opções consideradas mais saudáveis ou para marcas próprias de supermercados. Por isso, as gigantes estão em busca de reformular seus portfólios a fim de atender às mudanças de consumo dos clientes.

Nos últimos anos, a Unilever vem reduzindo sua exposição ao segmento de alimentos e ampliando sua atuação em categorias como beleza e cuidados pessoais. O novo diretor-executivo da companhia, Fernando Fernández, não descartou a possibilidade de vender toda a divisão de alimentos ao ser questionado sobre suas intenções em dezembro. Atualmente, o grupo conduz um processo de venda de até US$ 1 bilhão em marcas menores de alimentos, enquanto Hellmann’s e Knorr respondem por cerca de 75% do setor.

Segundo analistas da Jefferies, o negócio de alimentos da Unilever pode ser avaliado entre US$ 36 bilhões e US$ 37 bilhões de forma independente, o equivalente a cerca de 9,5 vezes o EBITDA.

No ano passado, a Unilever separou sua divisão de sorvetes, transformando-a em uma entidade independente, e adquiriu marcas de crescimento mais acelerado, como a de produtos de higiene masculina Dr. Squatch.

A Kraft Heinz também passa por uma reavaliação estratégica. A empresa, que enfrenta desafios desde a fusão liderada por Warren Buffett e pela 3G Capital há cerca de uma década, suspendeu em fevereiro um plano de divisão de suas operações e assumiu o compromisso de investir US$ 600 milhões em uma reestruturação.

Kraft Heinz: marca desiste de fusão com Unilever no setor de alimentos (Getty Images/Divulgação)

A proposta previa separar produtos de crescimento mais lento, como carnes processadas e kits de refeição, do segmento de molhos, condimentos e pastas, que inclui marcas como Heinz e o queijo Philadelphia.

O novo CEO da companhia, Steve Cahillane, afirmou que a prioridade é retomar o crescimento orgânico, o que pode abrir espaço para ajustes no portfólio no futuro.

O movimento ocorre em meio a uma transformação mais ampla no setor de bens de consumo, à medida que empresas buscam se reposicionar diante das mudanças nos hábitos dos consumidores, que têm fugido de processados e buscado por marcas locais, e da pressão por crescimento em categorias mais dinâmicas.

Procuradas pelo Financial Times, Unilever e Kraft Heinz não comentaram o assunto.

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