Invest

Trump quer limitar juros do cartão nos EUA e ações de bancos reagem

Presidente sugere teto de 10% nas taxas a partir deste ano; proposta ainda depende do Congresso

Donald Trump: “Proponho um limite de 10% para as taxas de juros de cartões de crédito por um ano”, escreveu em sua conta no Truth Social (	Joe Raedle/Getty Images)

Donald Trump: “Proponho um limite de 10% para as taxas de juros de cartões de crédito por um ano”, escreveu em sua conta no Truth Social ( Joe Raedle/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 09h18.

As ações de grandes bancos e empresas de serviços financeiros recuaram nesta segunda-feira, 12, no pré-mercado de Wall Street, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defender a criação de um teto de 10% para as taxas de juros em cartões de crédito.

A proposta, divulgada por Trump em sua conta no Truth Social teria validade inicial de um ano e entraria em vigor a partir do próximo dia 20 de janeiro.

“Proponho um limite de 10% para as taxas de juros de cartões de crédito por um ano”, escreveu o republicano, repetindo uma das promessas feitas durante a campanha presidencial de 2024.

A proposta ainda depende do Congresso, mas gerou reações imediatas nos mercados.

Papéis de instituições expostas ao crédito rotativo lideraram as perdas no pré-mercado de Nova York. As ações do JPMorgan Chase caíam quase 4%; as do Bank of America recuavam 2,88%; os papéis da Visa tinham queda de 2,36%; Mastercard caía 2,21% e Citi tinha recuo de 1,94%

Outras empresas do setor também foram afetadas. A American Express caiu 4,87%, enquanto o Wells Fargo perdeu 2,01% e o Morgan Stanley, 0,98%.

No domingo, enquanto retornava a Washington da Flórida, o republicano disse a repórteres que, caso as taxas não sejam limitadas até a data, as empresas estarão violando a lei.

"Algumas estão cobrando 28%, quase 30%. As pessoas não sabem que estão pagando 30%. Elas estão trabalhando e não têm ideia de que estão pagando 30%", argumentou.

As taxas de juros dos cartões de crédito têm se mantido acima de 20% nos últimos anos, sendo alvo de legisladores republicanos e democratas. Associações bancárias têm feito previsões alarmantes sobre o que aconteceria se as taxas fossem drasticamente reduzidas, colocando em risco a lucratividade dos bancos.

Em resposta ao apelo de Trump, grupos do setor, incluindo o Bank Policy Institute e a Consumer Bankers Association, adotaram um tom mais moderado, dizendo compreender o objetivo do presidente de ajudar os americanos a terem acesso a crédito mais acessível.

“Ao mesmo tempo, as evidências mostram que um limite de 10% na taxa de juros reduziria a disponibilidade de crédito e seria devastador para milhões de famílias americanas e proprietários de pequenas empresas que dependem e valorizam seus cartões de crédito, justamente os consumidores que esta proposta pretende ajudar", argumentaram em comunicado divulgado pela Bloomberg.

O limite de juros nos cartões de crédito já foi tema de projetos de lei bipartidários no Congresso americano. A sinalização de Trump reacende o debate sobre a regulação das taxas cobradas pelas operadoras, tema sensível em meio ao aumento do endividamento das famílias nos Estados Unidos.

Acompanhe tudo sobre:Donald TrumpEstados Unidos (EUA)Cartões de créditoBancos

Mais de Invest

Bayer anuncia acordo bilionário para encerrar ações sobre herbicida

Warner reabre negociações após Paramount elevar oferta

Nasdaq cai com vendas em tecnologia e foco em dados dos EUA

Pagamento do PIS/Pasep 2026 começa nesta segunda; veja quem recebe